Mercado Imobiliário

Aluguel sobe quase 10% e supera inflação pelo quarto ano seguido

Variação, calculada pelo FipeZAP, é quase dez vezes maior que a do IGP-M

Teresina: capital do Piauí teve a maior valorização do país no acumulado do ano, com alta de 21,81%. (Leandro Fonseca/Exame)

Teresina: capital do Piauí teve a maior valorização do país no acumulado do ano, com alta de 21,81%. (Leandro Fonseca/Exame)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 08h05.

O mercado de aluguel residencial encerrou 2025 com alta média de 9,44%, segundo o Índice FipeZAP. O ritmo perdeu força frente aos três anos anteriores, mas voltou a superar com folga a inflação e consolidou mais um ano de reajustes reais no setor. No mesmo período, o IPCA, índice oficial da inflação no Brasil, ficou em 4,26%

O desempenho também contrastou com o IGP-M, tradicional referência contratual, que recuou 1,05% no período.

Mesmo com a desaceleração, o setor entrou em 2026 em ritmo positivo. A valorização nos aluguéis permanece acima da inflação, o que reforça a pressão sobre inquilinos e a atratividade para proprietários. Para investidores, o cenário exige mais atenção: a rentabilidade do aluguel segue estável, mas abaixo das aplicações financeiras de referência.

Dezembro

Em dezembro, os aluguéis subiram 0,68%, aceleração frente a novembro (0,59%). A variação mensal ficou acima do IPCA (0,33%) e do IGP-M (–0,01%). O avanço foi puxado por imóveis com quatro ou mais dormitórios, com alta de 1,42%, enquanto as unidades de um dormitório subiram 0,58%.

A valorização se espalhou geograficamente. Entre as 36 cidades monitoradas pelo FipeZAP, 29 registraram aumento nos preços, sendo 18 capitais. Os maiores avanços foram em:

  • Natal: +2,48%
  • São Luís: +2,39%
  • Maceió: +2,24%
  • Vitória: +1,96%
  • Teresina: +1,87%
  • Belém: +1,80%

Na outra ponta, Campo Grande caiu 4,73%, Aracaju teve baixa de 3,56%, Goiânia recuou 0,61% e Recife, 0,10%.

Em dezembro, o valor médio do aluguel nas 36 cidades monitoradas foi de R$ 50,98 por metro quadrado. Imóveis de um dormitório apresentaram o maior preço médio (R$ 68,37/m²), enquanto as unidades com três dormitórios registraram o menor (R$ 43,81/m²), refletindo o desconto proporcional em imóveis maiores.

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Acumulado de 2025

No acumulado de 2025, o valor do aluguel subiu em 34 das 36 cidades, incluindo 21 capitais. Teresina teve a maior valorização do país, com alta de 21,81%. Na sequência aparecem:

  • Belém: +17,62%
  • Aracaju: +16,73%
  • Vitória: +15,46%
  • João Pessoa: +15,31%

Também ficaram acima da média nacional: Cuiabá (+14,61%), Belo Horizonte (+13,01%), Fortaleza (+12,45%) e Salvador (+12,38%).

Nas maiores cidades, o aumento também foi significativo: o Rio de Janeiro registrou alta de 10,87%, Curitiba 10,98%, São Paulo 7,98% e Brasília 6,41%. A exceção foi Campo Grande, com recuo de 4,36% no ano.

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A rentabilidade bruta do aluguel residencial ficou em 5,96% ao ano em dezembro. O índice se manteve estável, mas ainda abaixo do retorno estimado para aplicações de renda fixa no mesmo período, o que diminui a atratividade do aluguel como investimento isolado.

Imóveis de um dormitório tiveram o melhor desempenho, com yield de 6,68% ao ano. Já as unidades com quatro ou mais dormitórios apresentaram a menor rentabilidade: 4,90%.

Entre as capitais, os maiores retornos foram observados em:

  • Belém: 8,63% a.a.
  • Recife: 8,37%
  • Cuiabá: 8,10%
  • Manaus: 7,81%
  • Natal: 7,64%

Do outro lado, Vitória (4,32%), Curitiba (4,55%) e Fortaleza (4,63%) registraram os menores yields do país.

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