Outdoor Social remunera moradores da periferia com publicidade nos muros

Cerca de 69 mil anúncios já foram realizados em parceria com grandes marcas, gerando renda extra para mais de 30 mil famílias

Quando Emília Rabello fundou a Outdoor Social, em 2012, pouco se falava de negócios de impacto se compararmos com o efeito do tema na pauta das empresas durante a pandemia de covid-19. Mas inspirada no modelo de negócios sociais do economista Muhammad Yunus ela resolveu unir o mercado publicitário com a periferia brasileira.

Assim, a Outdoor Social mapeia locais dentro das periferias que podem receber anúncios publicitários, sendo geralmente muros residenciais, e os oferece para as empresas. Quando uma companhia anuncia naquele ponto, o dono da residência recebe uma parte do valor acordado. Na prática, é como se a empresa alugasse o muro mensalmente, e depois do período o anúncio é renovado ou o material retirado e levado para a reciclagem.

“Os moradores não imaginavam que o muro geraria renda e um impacto positivo enquanto as empresas ficam mais próximas de uma parte importante da população”, diz Rabello. Segundo ela, a empresa já imprimiu 68.941 painéis em 6.200 comunidades, auxiliando mais de 30.000 familias. Entre os clientes há marcas como Coca-Cola, Itaú, Bradesco, P&G, Basf, Tim, Oi, Claro, Enel e Havaianas. Além disso, o morador se associa a marcas que ele realmente acredita e usa. “Alguns deles não gostam de, por exemplo, se associar a bebidas alcoólicas devido à religião”, diz.

A pandemia não prejudicou os negócios, pelo contrário. Até agosto o faturamento foi de 80% quando comparado ao total de 2019. Segundo a executiva, todos os anos a empresa cresce em torno de 10%, mas neste ano a previsão de crescimento é de 22%. “A pandemia ampliou o olhar das empresas para uma comunicação efetiva com diferentes classes sociais. No Brasil, a população periférica tem potencial de consumo de 159 bilhões de reais, e isso não pode ser ignorado”, afirma.

Neste cenário, a Outdoor Social aproveitou para lançar novos serviços, como uma rede de Wi-Fi que o morador acessa gratuitamente após assistir à publicidade. Iniciado em maio em Heliópolis, em São Paulo, nos primeiros 90 dias o projeto atingiu 80.000 pessoas, provendo 1.500 acessos de 33 minutos em média.

“Mais do que levar a marca para o muro e para a tela do morador, começamos a dar mais acesso e oportunidades”, afirma. Para o futuro, a empresa espera continuar crescendo e oferecendo novos serviços.

 

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