Painel "Sua Marca Trabalha para Você?", no SP2B, teve Manu Gavassi, Tata Estaniecki e Monique Evelle (Ediago Quincó)
Repórter de Marketing
Publicado em 12 de agosto de 2026 às 11h56.
Construir uma marca pessoal forte é o sonho da maioria dos empreendedores e profissionais que trabalham com criatividade e conteúdo. Mas o caminho não é tão simples. O que parece ser o ponto de chegada — o reconhecimento da marca — costuma ser apenas o início de uma etapa que exige ainda mais direcionamento para as tomadas de decisões.
Essa é a visão de três personalidades que transformaram suas marcas pessoais em negócios muito bem-sucedidos: Manu Gavassi, Monique Evelle e Tata Estaniecki, que se reuniram no SP2B durante o painel "Negócio e Autonomia: Sua Marca Trabalha para Você?", com mediação da EXAME.
Manu Gavassi construiu uma carreira que passa por música, atuação, direção criativa e publicidade. À frente do Estúdio Gracinha, ela usa a própria visão artística como um ativo que hoje se conecta a diferentes projetos e marcas. Já Monique Evelle transformou sua atuação como empreendedora, investidora e voz no debate sobre negócios e inovação em uma plataforma que reúne educação, conteúdo e empreendedorismo. Por sua vez, Tata Estaniecki ampliou a presença como criadora de conteúdo para o universo de mídia e negócios, liderando projetos como o PodDelas.
Apesar dos pontos diferentes de partida, as três concordam que os negócios só se tornaram de sucesso porque são baseados em autenticidade.
"Autenticidade é quando você banca o que a sua marca se transformou", diz Evelle.Manu conta que não planejou a construção de um negócio: "Eu nunca me vi como uma empresa. No início eu me via como uma contadora de histórias. Eu via arte como arte, não como um grande negócio."
A percepção mudou gradualmente, conforme ela passou por diferentes momentos profissionais e entendeu que sua criatividade também era um ativo.
"Curiosamente, foi quando decidi diminuir a exposição que entendi a dimensão da marca que eu havia construído. Mesmo dando alguns passos para trás, isso não afetou o interesse comercial das marcas ou o engajamento do público. Percebi, então, que uma marca forte se mantém mesmo com mudanças", avalia.
O trio também concorda quando o assunto é a relação entre marca pessoal e marcas comerciais, algo que não pode ser construído apenas a partir da oportunidade financeira. Existe também uma questão de coerência: O que aquela parceria acrescenta, ou tira, da percepção construída ao longo da carreira?
"Hoje, eu falo mais 'nãos' do que 'sins' para propostas. Mas, mesmo quando ainda estava construindo a marca, avaliava com muito cuidado cada oportunidade. Escolher uma marca que não tenha relação com você pode até gerar um ganho imediato, mas também enfraquecer a credibilidade no longo prazo", diz Tata Estaniecki.
A CEO do PodDelas também destaca que, em algum momento, é preciso entender que existe um negócio ali. Quando isso acontece, delegar é a melhor estratégia: "Não sou expert em todas as áreas e todos os assuntos, por isso me cerco de profissionais em quem confio", afirma.
Monique Evelle reforça que o que inicialmente parece ser um trabalho individual pode envolver equipe, contratos, fornecedores, parceiros e diferentes fontes de receita. A pessoa deixa de administrar apenas a própria agenda e passa a administrar uma operação.
"Saber quanto entra e quanto sai, conhecer contratos, entender modelos de receita, montar uma equipe e estabelecer processos passam a ser tão importantes quanto produzir conteúdo ou fazer publis", diz Evelle, e finaliza:
"Construir a marca pode ser um trabalho criativo. Sustentá-la exige também capacidade de gestão."