Matheus Costa: "Quando você começa a vincular sua imagem a um monte de coisas não confiáveis, você se torna uma pessoa não confiável" (Reprodução/Youtube)
Repórter de Marketing
Publicado em 12 de agosto de 2026 às 12h41.
Última atualização em 12 de agosto de 2026 às 22h16.
Quanto vale a própria imagem quando ela se transforma em negócio? Para o criador de conteúdo Matheus Costa, a resposta não está apenas no tamanho da proposta. Com mais de 5 milhões de seguidores no Instagram, o publicitário já recusou uma proposta que poderia chegar a R$ 10 milhões em um ano para divulgar uma empresa de apostas.
“Eu não dormiria bem com isso”, afirmou Costa em entrevista ao Marketing Trends, programa da EXAME gravado durante o Rio Innovation Week, no Rio de Janeiro.
Segundo o criador, a proposta envolvia um contrato anual com diversas entregas e ainda previa comissão sobre as perdas dos usuários. Ele conta, ainda, que seu critério para aceitar uma parceria é relativamente simples: "Indico apenas coisas que eu indicaria para a minha própria mãe."
Para ele, aceitar qualquer contrato pode ter um efeito negativo de longo prazo.
"Quando você começa a vincular sua imagem a um monte de coisas não confiáveis, você se torna uma pessoa não confiável."
Formado em publicidade, Matheus Costa começou a publicar vídeos na internet como uma forma de se distrair em meio à pandemia. O primeiro viral veio rapidamente, mas o sucesso não foi imediato. Durante meses, ele publicou conteúdos que não funcionaram, até que encontrou uma fórmula que ajudaria a definir sua carreira: vídeos com o próprio pai.
Para ele, a brincadeira em torno dos erros de português do pai gerou identificação justamente por ser reconhecível para quem estava do outro lado da tela. Nos comentários, seguidores comparavam o personagem a seus próprios pais, mães e familiares.
A experiência reforçou uma das principais teses de Costa sobre a criação de conteúdo: originalidade e identificação podem valer mais do que simplesmente seguir aquilo que já está funcionando.
“Se você viu uma coisa, então desiste, porque já tem alguém fazendo”, afirmou, defendendo que novos criadores busquem formatos que ainda não estejam saturados.
Costa afirma que um dos principais motivos para recusar trabalhos é quando a marca chega com uma campanha excessivamente fechada, incluindo roteiro e maneira de execução. Para ele, isso desconsidera justamente o ativo que levou a audiência até o criador.
“Eu sou criador de conteúdo, eu não sou ator. Tem que ser uma colaboração entre as duas partes”, resumiu.”
O problema também ajuda a explicar por que uma grande base de seguidores não garante, necessariamente, uma campanha bem-sucedida. Costa diz que já viu conteúdos patrocinados perderem desempenho justamente quando o criador ficou excessivamente preso às exigências da marca.
Segundo o criador, em sua experiência, cerca de 80% dos conteúdos que não performam como esperado estão relacionados a restrições excessivas durante a criação. Entre os exemplos está a exigência de mencionar o nome da marca logo nos primeiros segundos do vídeo.
Assista à entrevista com Matheus Costa no Marketing Trends: