Olivier Bernhard: "A base da marca é manter uma relação de longo prazo com o esportista, acompanhando o desempenho e a saúde dele por anos"
Consultor de Projetos Especiais
Publicado em 10 de julho de 2026 às 07h00.
Última atualização em 10 de julho de 2026 às 10h44.
ZURIQUE - Correr nas nuvens, essa foi a sensação que o triatleta suíço Olivier Bernhard quis proporcionar aos seus pares atletas ao idealizar a On Running, em 2010, na cidade de Zurique, na Suíça. Antes de se juntar aos seus atuais sócios David Allemann e Caspar Coppetti, Olivier chegou a oferecer seus protótipos feitos de mangueira de jardim para a Nike, que recusou. Hoje, a empresa está avaliada em mais de US$12 bilhões, listada na NYSE (New York Stock Exchange), tem Roger Federer como acionista e inaugurou, recentemente, uma fábrica na Coreia do Sul.
Mas se foi nas nuvens que Olivier se inspirou para seus calçados, é também na nuvem, leia-se cloud, que a On tem alguns de seus diferenciais. Em resposta a perguntas feitas por EXAME, junto com um grupo de jornalistas internacionais, na sede da On, em Zurique, ele falou sobre alguns dos principais temas envolvendo marketing e expansão da marca. Na semana passada, a On inaugurou suas primeiras lojas no Brasil, em São Paulo, e estima uma receita na casa de US$ 4 bilhões para 2026.
IA e engenharia de produto
Sobre tecnologia de ponta, Olivier defende que o uso de IA serve para melhorar a durabilidade e o movimento dos equipamentos. Ele explica que a inteligência artificial acelerou muito a fase de protótipos: "permitindo que a marca teste milhares de opções de amortecimento e suporte no computador, muito antes de qualquer peça ser produzida de verdade".
Ecossistema preditivo e aprendizado do equipamento
Para Olivier, o maior ganho da IA na On Running está em antecipar o que o atleta precisa para se recuperar e render mais. "A ideia é usar sensores e análise de dados para criar um sistema onde o tênis ou o acessório entende o comportamento de quem usa ao longo do tempo, mudando totalmente a forma como o equipamento interage com o esportista".
O atleta como parte do design
A inovação não nasce apenas dentro do laboratório, ela vem do retorno direto de quem pratica o esporte. "O desenvolvimento é um ciclo que não para: engenheiros e designers ajustam tudo baseados no uso real. Com isso, o atleta para de ser apenas um cliente e vira uma peça essencial para criar o produto".
Performance técnica antes da estética
Olivier é direto ao dizer que a performance técnica vem sempre antes do visual. "A tecnologia usada em modelos de corrida, por exemplo, é adaptada para outras modalidades, como futebol e tênis, com o compromisso de resolver um problema real do atleta. Isso acaba criando um visual diferente, muitas vezes mais agressivo, fugindo do padrão do mercado".
Agilidade e menos burocracia
Ele explica que a empresa trabalha focada em velocidade. Em vez de ficar presa em processos corporativos lentos, o time toma decisões importantes em minutos, mantendo quem cria o produto, os fundadores e os atletas sempre conectados. "O objetivo é inovar em materiais e construção para oferecer uma qualidade técnica que grandes marcas, muitas vezes preocupadas demais com marketing, acabam não conseguindo alcançar".
Relacionamento longo e diferencial de mercado
"A base da marca é manter uma relação de longo prazo com o esportista, acompanhando o desempenho e a saúde dele por anos. Isso permite que a empresa melhore os produtos com dados reais, indo muito além de uma simples venda. Para os sócios, colocar a engenharia em primeiro lugar é o que protege a marca da concorrência, que muitas vezes gasta mais tempo cuidando da imagem do que da qualidade real do que entrega".