Estratégia empresarial: clareza e coragem importam mais que planos excessivamente elaborados.
Colunista
Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 14h00.
Há algo de perigoso em um plano estratégico bem escrito demais. Quase sempre, ele esconde um desejo de controle onde deveria haver disposição para o risco. A diferença entre uma estratégia útil e uma que apenas “soa estratégica” está na disposição do líder de lidar com o real — com o que o negócio é hoje, não com o que ele gostaria que fosse.
“Estratégia é um conjunto de escolhas difíceis, feitas em contextos de incerteza, e sustentadas por uma lógica clara que orienta as ações.”
A tentação de planejar é compreensível. Colocar ideias em sequência dá conforto. Mas estratégia não é um exercício de futurologia otimista. Estratégia é um conjunto de escolhas difíceis, feitas em contextos de incerteza, e sustentadas por uma lógica clara que orienta as ações.
Empresas falam em “inovação”, “foco no cliente”, “transformação” — mas poucos sabem o que essas palavras significam dentro do negócio, para aquele time, naquele momento. Estratégia que se expressa de forma genérica e conceitual não cria alinhamento, cria confusão. E onde há ambiguidade, há paralisia.
Uma linguagem estratégica eficaz faz o oposto:
A clareza estratégica nasce de um entendimento profundo do negócio e da coragem de comunicar isso sem floreios.
Liderar com estratégia é, em grande parte, saber nomear o momento da empresa. É ser capaz de dizer: “esta é a tensão que enfrentamos”, “este é o risco que estamos dispostos a assumir”, “essa é a oportunidade que vamos perseguir — e as outras, vamos deixar passar”.
É nesse ponto que a estratégia deixa de ser um exercício conceitual e se torna um sistema de decisão. Quanto mais clara for a leitura de contexto, mais legítimas serão as escolhas. E quanto mais coerente forem as escolhas, mais natural será a execução.
Muitos líderes tratam a estratégia como se ela fosse um ideal a ser atingido, e não uma resposta ao que o negócio pede agora. Mas não existe plano que sobreviva ao mercado quando ele decide mudar a regra do jogo.
Por isso, insistir em estratégias que ignoram a estrutura, o momento e os limites do time é uma forma silenciosa de sabotar o futuro. A melhor estratégia é aquela que o time consegue colocar de pé amanhã cedo — e que, ainda assim se adapta na sexta-feira, se o cenário virar.
Planos e frameworks são úteis. Mas o que sustenta a estratégia não é a modelagem, mas a utilização. É a capacidade da empresa (e das pessoas) de criar clareza suficiente para agir com intenção, encarar as verdades e usar a estratégia para unir e direcionar o time, mesmo diante das incertezas.