Líderes Extraordinários

O valor invisível das relações no desempenho de longo prazo

Enquanto buscamos eficiência e resultados, esquecemos que são as relações que sustentam a execução, atravessam ciclos e moldam o que realmente permanece

Relações no trabalho: vínculos consistentes são ativos invisíveis de valor eterno.

Relações no trabalho: vínculos consistentes são ativos invisíveis de valor eterno.

Duani Reis
Duani Reis

Colunista

Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 11h00.

Última atualização em 20 de janeiro de 2026 às 10h53.

Janeiro é sempre um tempo de pausa e perspectiva. De pensar no que queremos construir — e, principalmente, em quem queremos ser enquanto construímos. Por isso, quero compartilhar um convite à reflexão que vem me acompanhando há algum tempo: será que temos tratado as relações com o espaço e o valor que elas realmente merecem?

Ao longo da vida, colecionamos conexões. Da infância à vida adulta, das quadras de esporte aos corredores das empresas, estamos constantemente nos relacionando com pessoas. Mas algo curioso (e silencioso) acontece no universo corporativo: a lógica dos negócios tem ditado a forma como nos relacionamos — quando, na verdade, deveria ser o contrário.

As relações vêm antes dos negócios.

Nem sempre percebemos, mas muitos dos nossos filtros de conexão são definidos por performance, hierarquia ou proximidade estratégica. Às vezes, basta uma fase ruim de alguém ou uma saída de empresa, para que essa pessoa desapareça da nossa escuta. Como se ela tivesse deixado de ter valor.

Como escreveu o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, vivemos em uma sociedade do desempenho, na qualcada um se sente obrigado a ser impecável, produtivo e estrategicamente positivo o tempo todo.

Nesse contexto, relações humanas acabam sendo interpretadas como recursos: valem enquanto geram algum retorno visível. Quando deixam de ser “úteis”, são descartadas com polidez e silêncio.

Mas será que precisamos aceitar essa lógica como natural?Será que queremos viver — e liderar — dessa forma?

A maioria das relações profissionais vive no automático.

Compartilhamos agendas, salas de reunião e grupos de WhatsApp — mas quase nunca histórias, medos ou intenções reais.

Trabalhamos com pessoas por anos, mas muitas vezes não sabemos o que as move. Não sabemos o que enfrentam fora dali. Não sabemos o que sonham.

E isso tem um custo silencioso: decisões que desconsideram o outro, lideranças que não criam vínculo, empresas onde as conexões se desfazem tão rápido quanto os contratos.

O início de um novo ano é sempre um convite para reorganizar o que importa. Talvez a pergunta mais importante não seja "com quem eu vou trabalhar", mas sim:

Como vou me relacionar com as pessoas ao meu redor — e o que vou construir com elas?

Porque quem pensa no longo prazo entende: relações consistentes são ativos invisíveis — mas de valor eterno.Um bom líder sabe que o mundo dos negócios é feito de ciclos. E a forma como tratamos alguém em um ciclo diz muito sobre como seremos lembrados nos próximos.

Contextos mudam. Pessoas permanecem.

A vida já me ensinou que, por trás de cada situação profissional, existem múltiplas variáveis: cenários econômicos, diretrizes passageiras, trocas de liderança, cultura organizacional. Tudo isso é circunstancial. Mas a maneira como escutamos, acolhemos ou nos importamos com alguém… isso permanece.

Aprendi com Luiz Ricardo Renha - um grande executivo, com feitos extraordinários ao longo de sua carreira, e reconhecido como um líder inspirador por muitos que tiveram o privilégio de conviver com ele -que construímos relações enquanto trabalhamos, e não o contrário.”

Essa frase me acompanha como um lembrete: as relações não são um bônus da jornada. Elas são a jornada.

A qualidade da jornada

Uma jornada edificante parte da premissa de que os negócios são feitos por pessoas, para pessoas. É impossível construir resultados de longo prazo em ambientes onde os laços são frágeis.

Ao contrário do que se pode pensar, boas estratégias não nascem apenas de dados e frameworks. Elas ganham vida na execução — e a execução vive nas relações.

O futuro dos negócios será liderado por quem souber colocar a humanidade àfrente das decisões e escolhas.No fim das contas, não vamos nos lembrar de todos os projetos, metas ou relatórios. Vamos nos lembrar das pessoas.

E como elas vão lembrar de nós?

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