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Montadoras chegam a pagar parcela do carro para desempregado

Em crise, empresas apelam para promoções agressivas na tentativa de elevar as vendas


	Homem triste dentro de carro: Empresas fazem promoções que chegam a isentar cliente das prestações em caso de desemprego
 (Andrew Lever/Thinkstock)

Homem triste dentro de carro: Empresas fazem promoções que chegam a isentar cliente das prestações em caso de desemprego (Andrew Lever/Thinkstock)

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Marília Almeida

12 de junho de 2015, 17h17

São Paulo - Após nova queda nas vendas de carros novos no mês passado, montadoras têm pegado pesado nas promoções na tentativa de atrair consumidores. Além de financiamentos com prestações menores, que podem ser pagos em até cinco anos, as empresas anunciam sorteios de veículos e isenção do pagamento de parcelas da dívida se o consumidor ficar desempregado.

Para participar do sorteio de uma SUV JAC T6 (que tem preço sugerido de 69.990 reais), basta que o consumidor forneça dados pessoais e indique alguns amigos no site da JAC.

A montadora chinesa também oferece garantia de até seis anos na compra de modelos e condições facilitadas de financiamento, com prazo de até cinco anos e prestações mensais a partir de 399 reais. Nesse caso, é necessário dar uma entrada de cerca de 40% do valor do veículo

Já a Chevrolet anuncia que, se o consumidor ficar desempregado enquanto estiver pagando as prestações do veículo, ele fica isento de pagar até quatro parcelas da dívida, no valor de até 1,5 mil reais cada. Parece milagre - como eles anunciam na propaganda -, mas não é: para ter acesso ao benefício, é necessário contratar um seguro oferecido pelo banco da montadora.

Outra exigência é que o consumidor trabalhe no mínimo um ano com carteira assinada em uma mesma empresa. A partir da contratação do financiamento, o seguro só pode ser acionado após um mês. 

Buscando oferecer maior segurança para quem vai financiar um veículo diante da crise, a Fiat anuncia financiamentos com parcelas decrescentes, que podem chegar ao valor de 199 reais por mês no quarto e último ano da dívida. A parcela mais alta, de 699 reais, é paga durante os primeiros doze meses do débito.

A Chery anuncia taxas de juros de 0,49% ao mês para quem financiar a compra de alguns modelos, além de isenção de taxa de juros no financiamento, contanto que o consumidor pague como entrada 60% do preço integral do veículo e financie o restante em dois anos. 

Ford, Lifan e Volkswagen oferecem financiamentos em até três anos. Para ter acesso ao prazo mais longo na Ford, é necessário pagar 60% do valor do carro como entrada. 

A Kia divulga descontos de até 9,2 mil reais na aquisição de alguns modelos, que chegam a representar 9,79% do preço integral do veículo. 

Ofertas devem ser analisadas

Apesar de o cenário ser favorável para negociar descontos na compra de um carro zero, o comprador deve desconfiar das facilidades anunciadas.

A empresa pode anunciar, por exemplo, que não irá cobrar juros no financiamento, mas o custo pode estar embutido no valor do carro. É recomendável questionar se há desconto caso o veículo seja comprado à vista, com o intuito de verificar se a promoção é, de fato, real.

Também é recomendável checar se os descontos oferecidos compensam eventuais altas de preço do modelo, registradas recentemente

De acordo com consultores financeiros, o momento não é indicado para realizar financiamentos longos. As oportunidades podem ser mais vantajosas para consumidores que tenham grande parte do valor do carro para pagar como entrada ou que possam comprar o modelo à vista.

Dessa forma, é possível evitar a contração de uma dívida mais cara em um momento de inflação alta e aumento do desemprego, que podem pressionar o orçamento familiar.