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Mesmo volátil, Tesouro Selic ainda é a escolha para reserva de emergência

O Tesouro Selic, título do Tesouro Direto cujo rendimento acompanha a variação da taxa Selic, é recomendado pelo risco reduzido que oferece ao investidor
 (Thinkstock/Feverpitched)
(Thinkstock/Feverpitched)
Por Da RedaçãoPublicado em 25/11/2020 17:09 | Última atualização em 25/11/2020 17:57Tempo de Leitura: 4 min de leitura

O ano de 2020 provocou tanto impacto nos ativos financeiros que mesmo as aplicações mais conservadoras balançaram como havia muito tempo os investidores não viam. Foi o que aconteceu, por exemplo, com as LFTs, ou Tesouro Selic, títulos públicos que acompanham a rentabilidade da Selic, a taxa básica de juro no Brasil. Diante desse fenômeno, muita gente se pergunta se esse ainda deve ser o destino da reserva de emergência, a parcela mais sensível do portfólio de um investidor. E a resposta é bem direta: sim, essa continua sendo a melhor alternativa para os recursos da reserva. A opinião é de Odilon Costa, analista de renda fixa e crédito privado do BTG Pactual Digital.

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A conclusão do analista faz parte da conversa com a especialista em fundos da EXAME Research, Juliana Machado, no quadro “Fala, gestor!”, podcast semanal da casa com participantes do mercado financeiro e que já recebeu diversas gestoras.

No episódio, Costa enumera os motivos pelos quais o Tesouro Selic, título considerado o mais conservador no mercado, teve um desempenho tão volátil e se descolou do desempenho do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), a taxa usada para a cobrança de empréstimos entre bancos no curtíssimo prazo (um dia) e que é comparável à Selic no mercado financeiro.

Segundo o analista, o movimento das LFTs foi resultado do aumento do risco fiscal no Brasil: com os sinais dúbios do governo em relação ao compromisso fiscal e o aumento dos gastos por causa da pandemia, o Tesouro Nacional precisou rolar mais dívida para fazer frente aos desembolsos do governo. Os investidores institucionais, então, passaram a exigir maior prêmio de risco, já que a fragilidade das contas do governo cresceu muito com a falta de resolução para os gastos, sobretudo em 2021.

Com esse cenário, os títulos sofreram a chamada marcação a mercado: as LFTs que já estavam nas mãos dos investidores sofreram um ajuste para refletir o aumento do prêmio de risco. Com a alta das taxas pelo maior risco, o preço dos títulos caiu — afetando tanto quem detinha o título diretamente quanto os fundos DI simples, que compram esses papéis.

“O objetivo da reserva de emergência não é deixar ninguém rico. A ideia é que esse dinheiro seja destinado ao produto de menor risco possível e a gente continua acreditando que os fundos DI simples ou fundos Tesouro Selic ainda são as melhores alternativas, porque estamos falando do risco do governo, que é o menor possível”, afirma Costa. “A volatilidade deve permanecer ao longo dos próximos meses com a necessidade de financiamento do Tesouro Nacional, mas isso tende a ter uma normalização.”

O analista também lembra que os CDBs com liquidez diária ganharam mais apelo no contexto da volatilidade do Tesouro Selic e até poderiam servir de opção para a reserva de emergência. O problema é que boa parte das pessoas acaba comprando esse produto sem saber do que ele se trata: títulos de dívida privada ligados ao risco de crédito de uma instituição específica, que pode honrar ou não os pagamentos.

Embora conte com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o investimento nesses produtos deve ser feito quando a pessoa compreende o risco, e não porque ela quer contar com a cobertura no caso de eventuais perdas — até porque, lembra o analista, o pagamento pelo FGC não é automático e pode levar tempo. “A pessoa precisa se lembrar para que serve uma reserva de emergência e para o que ela não serve, que é ter ganho de capital. Não é o papel da reserva.”

Para ouvir o podcast completo, basta acessar neste link.