Softbank vende US$ 22 bi de ações do Alibaba (BABA34)

A operação foi realizada por meio de contratos a termo pré-pagos, um tipo de derivativo muito usado pelo SoftBank para levantar dinheiro imediatamente sem ter que vender as ações
Sede do Alibaba (BABA34) (Alibaba/Exame)
Sede do Alibaba (BABA34) (Alibaba/Exame)
Carlo Cauti
Carlo CautiPublicado em 03/08/2022 às 19:19.

O SoftBank estaria se preparando para reduzir ainda mais sua participação no capital do Alibaba (BABA34).

O banco japonês levantou US$ 22 bilhões por meio de contratos a termo pré-pagos, um tipo de derivativo muito usado pelo SoftBank para levantar dinheiro imediatamente sem ter que vender as ações - no caso do Alibaba - que tem em sua carteira.

A informação foi divulgada pelo próprio grupo nipônico em um documento depositado na Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês).

O grupo japonês, liderado por Masayoshi Son, já vendeu este ano cerca de um terço de sua participação no Alibaba através desses contratos.

Desde o começo do ano haviam boatos no mercado internacional sobre a intenção do banco japonês de vender sua participação no gigante chinês de comércio eletrônico, todas desmentidas pelo SoftBank.

Com essa nova venda, o SoftBank poderia reduzir sua participação na gigante chinesa de comércio eletrônico abaixo do limite para manter uma cadeira no Conselho de Administração.

O SoftBank pode recomprar de volta as ações do Alibaba no momento em que o contrato vencer. Entretanto, caso decida de não comprar de volta os papéis, seria o fim de uma era no mercado financeiro asiático.

Isso pois boa parte da fortuna do banco japonês foi construída graças aos US$ 20 milhões investidos há mais de duas décadas no Alibaba, quando a empresa era ainda uma start-up de comércio eletrônico.

Isso gerou um enorme retorno sobre o investimento que marcou a história do SoftBank e fez de seu CEO, Son, o homem mais rico do Japão.

Venda do Alibaba (BABA34) pelo SoftBank marcaria mudança de percepção sobre a China

Segundo analistas, caso essa venda se concretize, significaria uma mudança de percepção por parte de investidores sobre o mercado chinês.

No momento, Alibaba representa o único ativo líquido do SoftBank. Todos os outros são empresas ainda não listadas ou onde não há mercado secundário.

Entretanto, é preciso considerar que os esforços do SoftBank para levantar dinheiro são motivados também pela necessidade de cobrir as perdas registradas com o Vision Fund, que no ano passado perdeu US$ 27 bilhões.

Nos últimos 12 meses as ações do Alibaba perderam -53,02% na Bolsa de Valores de Hong Kong.