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Roger Federer 'tropeça' em Wall Street e perde 60% do investimento

O campeão suíço de tênis investiu na On Holding, cujas ações estão em queda livre na Bolsa de Valores de Nova York

O tenista Roger Federer (REUTERS/Stefan Wermuth/Exame)

O tenista Roger Federer (REUTERS/Stefan Wermuth/Exame)

Carlo Cauti
Carlo Cauti

9 de outubro de 2022, 18h47

Em 2022, Roger Federer se confirmou pelo 17º ano consecutivo o tenista mais bem pago do planeta, com um faturamento de cerca de US$ 90 milhões entre contratos de patrocínios e outras receitas.

Entretanto, em um ano tão complicado como 2022, até o "Rei Midas" Federer não conseguiu evitar de perder dinheiro na Bolsa de Valores. E os prejuízos estão ocorrendo justamente com uma marca esportiva, a ON Holding, do qual é co-proprietário junto com outros quatro sócios.

A ON se listou em Wall Street em setembro de 2021, com uma cerimônia que viu o campeão suíço tocar o lendário sino da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), mas desde então perdeu mais de 60% de seu valor. As ações passaram de uma máxima de US$ 45 registrados em novembro para US$ 16,78 do fechamento da última sexta-feira, 7.

No mesmo período, o S&P 500 caiu 16,54%, o Nasdaq 26,47% e o Dow Jones 15,07%.

Aumento das vendas e Federer garoto propaganda não salvaram as ações

A derrocada da ON surpreende ainda mais se se pensa que as vendas em agosto aumentaram em dois terços. Além disso, no dia do IPO, em 16 de setembro do ano passado, as ações subiram 48% em poucas horas, atingindo um preço de US$ 35,40. Nos meses seguintes continuaram a subir, apesar de alguns tropeços causados ​​pela pandemia de Coronavírus (Covid-19), já que as fábricas asiáticas onde são produzidos os calçados esportivos tiveram problemas ligados aos lockdowns impostos pelos governos locais.

Tudo parecia estar a favor do sucesso da marca. Os tênis foram desenhados por uma start-up de Zurique que contou com a colaboração do tradicional politécnico da cidade suíça. O nome de Federer também era uma garantia para impulsionar as vendas, mesmo se o campeão já tivesse embarcado na trajetória descendente de sua carreira. Não é por acaso que marcas icônicas como Mercedes, Rolex ou Barilla ainda o contratam para patrocínios milionários. O tenista suíço ainda é garantia de faturamento.

Segundo alguns analistas, o colapso das ações da ON teria sido provocado pela derrocada das ações da rival Nike, devido a uma queda dramática nos lucros da gigante. Nos últimos 12 meses, as ações da Nike caíram 42% na Bolsa de Valores de Nova York. Hoje a empresa de Federer tem um valor de mercado de US$ 5 bilhões, enquanto a Nike tem uma capitalização de US$ 130 bilhões.

Todavia, o real valor de mercado da ON poderia ser muito menor, pois segundo alguns analistas, o valor da marca lançada por Federer seria superestimado.

Super bônus para os acionistas e diretores da ON Holding

Logo após a listagem das ações da ON, com a valorização dos papéis, Federer e os outros quatro membros do Conselho de Administração receberam um mega-bônus de 83,6 milhões de francos, ou 17 milhões cada um. Segundo o jornal suíço Handelszeitug, um valor superior a quanto recebeu no mesmo período o CEO da gigante farmacêutica e de cosmética Roche, Severin Schvan, que é o executivo mais bem pago da Europa.

Mesmo assim, seria mais um "argent de poche" para Federer, pois o campeão do tênis estaria enfrentando gastos bem maiores nesse período. Como a construção da mega-villa de 50 milhões de francos suíços que está sendo construída à beira do Lago de Zurique.

Entre os sócios do campeão suíço de tênis na On Holding está Marc Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann, fundador da 3G e homem mais rico do Brasil. Além dele, outro sócio de Federer é Carlos Alberto Sicupira, entre os controladores da 3G. Lemann e Sicupira entraram com uma participação combinada de US$ 1 bilhão na empresa. Com a queda repentina do valor das ações, os investidores brasileiros provavelmente também terão amargado perdas consideráveis.