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Quem ganha e quem perde na Bolsa com Marina

Analistas e economistas refletem como seria o primeiro impacto no mercado com Marina na presidência


	Na última pesquisa eleitoral, Marina Silva teve 21% das intenções de votos
 (Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr)

Na última pesquisa eleitoral, Marina Silva teve 21% das intenções de votos (Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr)

Karla Mamona

Karla Mamona

Publicado em 20 de agosto de 2014 às 18h04.

São Paulo - A ex-senadora Marina Silva pode ser apresentada em breve como candidata à Presidência da República pelo PSB. Desde o falecimento de Eduardo Campos, na última semana, o cenário eleitoral ganhou novos rumos.

A última pesquisa realizada pelo Datafolha apontou que Marina Silva é forte candidata a disputar o segundo turno com a presidente Dilma Rousseff. Marina teve 21% das intenções de voto, contra 20% de Aécio Neves. Em caso de segundo turno, Marina aparece à frente de Dilma, com 47% versus 43%, também com empate no limite de margem de erro da sondagem, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Os dados fizeram a bolsa brasileira disparar nos últimos dias, com o Ibovespa em seu maior patamar desde 11 de março de 2013. O índice foi impulsionado pelas altas da Petrobras, outras estatais e bancos.

 

O analista da Ativa Corretora, Lenon Borges, afirma que o mercado precificou os papéis acreditando que Marina Silva vai realmente tirar votos de Dilma Rousseff. “Com a Marina Silva, o mercado aposta na redução da intervenção do governo. Além disso, o mercado acredita que a equipe econômica dela terá uma gestão interessante”, explica.

Diante deste cenário, caso a Marina Silva vença as eleições, Borges afirma que as ações da Petrobras, do Banco do Brasil, Itaú e Bradesco devem registrar mais ganhos expressivos na Bolsa.

Mas nem todos devem pegar carona neste movimento positivo. Empresas do setor de agronegócio e de construção podem sofrem bastante na Bovespa.

Entre as companhias de agronegócio que devem ser impactadas num primeiro momento, o estrategista da Guide Investimentos, Luis Gustavo Pereira, aponta a SLC Agrícola, que é uma das uma das maiores produtoras de soja e algodão do Brasil. No ano, os papéis da companhia acumulam perdas de quase 18%. “Devido à militância política histórica de Marina é preciso de ter muito cuidado com empresas do agronegócio”, afirma Pereira.

A preocupação do PSB é tamanha com o setor que o partido está compilando em um documento as propostas feitas há duas semanas pelo então candidato Eduardo Campos, em uma sabatina na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A ideia é tentar convencer Marina a subscrever o texto numa tentativa de acalmar o setor.

Além do setor de agronegócio, o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, aponta que a construção civil também deve ser impactada por possíveis novas políticas fiscal e tributária.

“Ela é mais voltada para uma política fiscal contracionista. Ela não deve cortar juros. Mas tudo isso ainda é hipotético. Ainda é muito cedo. O mercado ainda está tentando decifrar a Marina”, diz André Perfeito.

O economista Luiz Carlos Mendonça de Barros publicou recentemente em seu perfil no Facebook que Marina traz consigo uma gestão econômica muito mais ortodoxa e pró-mercado que Dilma. “Marina buscou economistas como André Lara Resende e Eduardo Gianetti da Fonseca no ciclo eleitoral anterior, e deverá seguir esta cartilha”, escreveu Mendonça de Barros.

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