Ibovespa: por volta das 12h30, o principal índice da B3 recuava 0,50%, aos 166.726,11 pontos (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 5 de novembro de 2026 às 10h57.
Última atualização em 5 de novembro de 2026 às 12h42.
O Ibovespa virou para queda no início da tarde desta quinta-feira, 5, pressionado pela forte piora das bolsas de Nova York, especialmente no setor de tecnologia. Por volta das 12h30, o principal índice da B3 recuava 0,50%, aos 166.726,11 pontos, após iniciar o pregão em alta e dar continuidade à recuperação da véspera, quando havia interrompido uma sequência de seis sessões consecutivas de perdas.
O movimento acompanha a deterioração do humor em Wall Street. Por volta das 12h, o Dow Jones passou a cair 1,12%, enquanto o S&P 500 recuava 2,13% e o Nasdaq despencava 3,77%. A pressão vem principalmente das ações de tecnologia e semicondutores, em meio a preocupações regulatórias envolvendo inteligência artificial (IA) e centros de dados após a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos.
Na quarta-feira, 4, o Ibovespa subiu 1,23%, aos 167.563,47 pontos, acompanhando o maior apetite por risco nos mercados internacionais. A recuperação ocorreu após uma sequência de fortes perdas provocadas pelas incertezas em torno do cenário político e econômico doméstico após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No mercado de câmbio, o dólar à vista subia 0,50%, cotado a R$ 5,479, por volta das 12h30. O movimento também reflete a maior aversão ao risco nos mercados globais, que favorece a busca por ativos considerados mais seguros.
Entre as maiores altas do Ibovespa, a C&A (CEAB3) liderava os ganhos, com valorização de 8,08%, após divulgação do balanço na véspera. Na sequência, apareciam a Cosan (CSAN3), com alta de 7,53%, a Smart Fit (SMFT3), que avançava 4,88%, a Hapvida (HAPV3), com ganho de 3,93%, e o Assaí (ASAI3), que subia 3,09%.
Na ponta negativa, a Tenda (TEND3) registrava a maior queda do índice, com desvalorização de 12,51%. Em seguida, apareciam a CSN Mineração (CMIN3), com recuo de 5,73%, a WEG (WEGE3), que caía 3,54%, a Embraer (EMBJ3), com perda de 3,16%, e a Cogna (COGN3), que recuava 2,80%.
Entre as empresas de maior peso no índice, a Vale (VALE3) subia 0,87%. Os bancos apresentavam desempenho misto: Itaú (ITUB4) avançava 0,10%, Bradesco (BBDC4) subia 0,43% e Santander (SANB11) ganhava 1,90%. Na direção oposta, BTG Pactual (BPAC11) recuava 0,13% e Banco do Brasil (BBAS3) caía 0,36%.
Os investidores também repercutiam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a Selic em 13,75% ao ano, interrompendo cinco cortes consecutivos. A decisão, tomada por unanimidade, era esperada pelo mercado, mas veio acompanhada de projeções mais elevadas para a inflação.
O Banco Central revisou de 5,2% para 5,6% a estimativa para o IPCA de 2026 e de 3,9% para 4,7% a projeção para 2027. O comunicado não indicou quando o ciclo de redução dos juros poderá ser retomado, deixando os investidores atentos à duração da pausa e aos próximos passos da política econômica.
No radar doméstico, os investidores acompanhavam ainda os sinais de desaceleração da atividade econômica. A produção industrial caiu 0,8% em setembro, resultado mais fraco do que a retração de 0,2% esperada pelo mercado.
O cenário político e fiscal também permanece no foco. O presidente Lula pretende fazer um pronunciamento nacional no domingo, 8, para reafirmar o compromisso com as metas fiscais. Ao mesmo tempo, as indefinições sobre o comando do Ministério da Fazenda em 2027 acrescentam incertezas às perspectivas para a condução da política econômica.
Na agenda tributária, o governo estabeleceu alíquotas provisórias do Imposto Seletivo para 2027, enquanto OAB e CNI defendem o adiamento da cobrança da CBS para 2028, proposta que ainda encontra resistência do Ministério da Fazenda.
"A deterioração das expectativas inflacionárias, as incertezas fiscais e o ambiente externo justificaram a postura cautelosa, reforçando a possibilidade de juros restritivos por mais tempo", afirma Eduardo Marzbanian, analista CNPI-P da Eleven Financial.
Na véspera, a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato, as midterms, nos EUA reduziu as preocupações com uma escalada do conflito no Oriente Médio, provocando uma forte queda do petróleo e dos rendimentos dos títulos americanos. A combinação de menor aversão ao risco e enfraquecimento do dólar também favorece os mercados emergentes, contribuindo para a recuperação da Bolsa brasileira.
Hoje, porém, a sessão tem de equilibrar "o alívio externo e as preocupações domésticas. A queda do petróleo e do dólar favorece o apetite por risco, mas o resultado industrial fraco pode limitar o entusiasmo ao evidenciar a perda de ritmo da economia brasileira", afirma Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil.
"A agenda internacional também exige atenção, com a decisão do Banco da Inglaterra, que deve elevar os juros em 25 pontos-base para 4%, e com a divulgação de indicadores de emprego e produtividade nos Estados Unidos", acrescenta.
As bolsas de Nova York operam em forte queda nesta quinta-feira, 5. O Dow Jones recua 1,52%, aos 52.543,03 pontos, enquanto o S&P 500 perde 2,56%, aos 7.491,82 pontos. Na Nasdaq, a queda é ainda mais acentuada: o índice despenca 3,98%, aos 24.711,68 pontos.
A pressão é concentrada nas ações de tecnologia e semicondutores, em meio a preocupações regulatórias envolvendo inteligência artificial e centros de dados após a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos.
O movimento também passou a pressionar as bolsas na Europa. O índice pan-europeu Stoxx 600 recua 0,14%, enquanto o DAX, da Alemanha, também cai 0,24%. Em Londres, o FTSE 100 registra agora leve ganho de 0,18%, e o CAC 40, de Paris, tem valorização de 0,46%.
Na Ásia, o fechamento foi misto. O Hang Seng, de Hong Kong, liderou os ganhos, com alta de 3,67%, seguido pelo ASX 200, da Austrália, que avançou 2,61%, e pelo Nifty 50, da Índia, com valorização de 2,40%. O índice de Xangai subiu 0,10%. Na direção oposta, o Nikkei, do Japão, recuou 1,79%.