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Eletrobras avalia oferecer prêmio de 10% para conversão de papéis ELET6 em ELET3

Estudos estão relacionados à possibilidade de listar a companhia no Novo Mercado da B3

Eletrobras: decisões sobre listagem no Novo Mercado vão passar por todas as aprovações regulatórias necessárias (Bloomberg/Getty Images)

Eletrobras: decisões sobre listagem no Novo Mercado vão passar por todas as aprovações regulatórias necessárias (Bloomberg/Getty Images)

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Karina Souza

31 de outubro de 2022, 12h48

A Eletrobras estuda oferecer um prêmio de 10% para conversão das ações preferenciais classe B (ELET6) em ações ordinárias (ELET3) em um possível processo de listagem da companhia no Novo Mercado (o nível mais alto de governança para empresas abertas na B3). Nos detalhes, a proposta avaliada pela companhia é de uma ação preferencial para cada 1,1 ação ordinária. A razão de conversão segue o que está previsto no artigo 13 do Estatuto Social da Companhia. 

Em relatório divulgado nesta manhã, 31, o Itaú BBA destacou ainda a diferença de direitos aos dividendos. Atualmente, os acionistas de ELET6 têm direito a um pagamento de dividendo mínimo anual de 6% do capital social da companhia (R$ 1,49 por ação) e de receber um dividendo por ação que seja pelo menos 10% superior ao dos acionistas das ações ordinárias. Hoje, as ações ON representam 87,8% do total e as PNB, 12,1%. 

“Nós acreditamos que, se a proposta for levada adiante, quem tem ações ordinárias pode contestar os termos de troca de ações, argumentando que as ON têm muito mais liquidez e que, assim, o prêmio para as preferenciais deveria ser de menos de 10%”, escrevem Marcelo Sá, Filipe Andrade, Luiza Candiota e Karoline Correia. Em números, o volume médio negociado é de R$ 517 milhões por dia para as ON e de R$ 149 milhões por dia para as PNB — que são negociadas a um prêmio de 5,6% sobre as ações ordinárias. 

Do lado da Eletrobras, ainda não há uma definição sobre as ações preferenciais classe A dentro dos estudos de conversão para o Novo Mercado. A companhia apenas informou que “está analisando todas as alternativas ao seu alcance, em busca daquela que atenda aos interesses da companhia e dos acionistas”. Nesse processo, leva em consideração a peculiaridade dessas ações, principalmente relacionada à baixa liquidez no mercado secundário. 

Por fim, a empresa destacou que qualquer decisão relacionada à potencial migração, bem como seus termos e condições, seguem sob análise da administração da companhia e que qualquer decisão vai passar por todas as aprovações societárias necessárias, "que atendam aos melhores interesses da Eletrobras e de seus acionistas".

Plano de Demissão Voluntária

Ainda na última semana, a Eletrobras anunciou um programa de demissão voluntária que engloba 2,3 mil colaboradores e que deve acontecer de 1 a 18 de novembro. O programa deve custar R$ 1 bilhão, com um payback em 11 meses, segundo a companhia.

Os movimentos, tanto de listagem no Novo Mercado quanto do PDV, foram vistos pelos analistas do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da Exame) como o início de uma agenda de turnaround da companhia após a privatização - algo aguardado pelo mercado com ansiedade.

Nas contas dos analistas João Pimentel, Gisele Gushiken e Maria Resende, a companhia deve ter um corte de custos de 60% a partir de um programa de redução desses gastos ao longo de três anos, que deve começar no ano que vem.