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Dólar tem alta em semana de reunião do Fed e feriado; Bolsa sobe

Às 12:34, o dólar avançava 0,22 por cento, a 3,9403 reais na venda

Câmbio: dólar tinha leves variações ante o real nesta segunda-feira (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Câmbio: dólar tinha leves variações ante o real nesta segunda-feira (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

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Reuters

Publicado em 29 de abril de 2019 às 09h14.

Última atualização em 29 de abril de 2019 às 12h39.

São Paulo — O dólar tinha leves variações ante o real nesta segunda-feira, monitorando desdobramentos ligados à reforma da Previdência no início de uma semana que terá decisão de política monetária do Federal Reserve e feriado na quarta-feira.

Às 12:34, o dólar avançava 0,22 por cento, a 3,9403 reais na venda.

Na sexta-feira, a divisa norte-americana caiu 0,62 por cento, a 3,9317 reais na venda. Na semana passada, o dólar acumulou alta de 0,05 por cento.

O dólar futuro ganhava cerca de 0,15 por cento neste pregão.

Na quarta-feira, dia em que não haverá pregão local em razão do feriado do Dia do Trabalho, o Federal Reserve anunciará sua decisão de política monetária.

O chairman do Fed, Jerome Powell, falará à imprensa após o anúncio e a expectativa é que, em sua declaração, equilibre os fortes dados de crescimento doméstico contra preocupações persistentes sobre o cenário global.

As negociações comerciais entre Estados Unidos e China também estão no radar após o secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, afirmar que espera que Washington e Pequim possam finalizar um acordo com mais duas rodadas de conversas.

Do lado doméstico, participantes do mercado monitoram desdobramentos ligados à reforma da Previdência, que se encontra agora na comissão especial, instalada na quinta-feira passada.

"O dia é construído de expectativas, conforme forem progredindo as expectativas para o lado bom, há uma acomodação do dólar. Mas não vejo muito alívio, o mercado ainda está respeitando bastante esse patamar de 3,90 reais. Só vai abrir mão disso quando houver mais progresso (na comissão especial)", avaliou o gerente de câmbio da Treviso Corretora Reginaldo Galhardo.

Nesta segunda-feira, o ministro da Economia, Paulo Guedes, se reúne com o presidente Jair Bolsonaro após ele participar da abertura de feira do setor agrícola em Ribeirão Preto, São Paulo.

No fim da tarde, Guedes se reúne com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) para tratar de Previdência.

No fim de semana, Bolsonaro procurou evitar novas polêmicas um dia depois de seus filhos serem alvo de declarações polêmicas de Maia.

"Esperamos uma reação positiva à melhora no ambiente, que se continuar nessa tendência poderia levar a um processo de aprovação mais rápido da reforma. Entretanto, ressaltamos que a negociação adiante é complexa, e ainda esperamos volatilidade", avaliou a equipe de economistas da XP Investimentos, em nota.

O BC concluiu nesta segunda-feira a rolagem de todos os 5,343 bilhões de dólares em swaps cambiais que expirariam no começo de maio.

A autoridade monetária começará em 2 de maio a rolagem integral dos 201.785 contratos de swap cambial tradicional com vencimento em 1º de julho de 2019.

Ibovespa

São Paulo — O tom positivo prevalecia na bolsa paulista nesta segunda-feira, 29, tendo as ações blue chips entre os principais suportes da alta do Ibovespa, com o cenário político e o andamento da reforma da Previdência dividindo as atenções com o noticiário corporativo.

Às 11:11, o Ibovespa subia 0,45 por cento, a 96.669,47 pontos. O volume financeiro somava 2 bilhões de reais.

A XP Investimentos vê uma melhora no ambiente ligado à tramitação da reforma da Previdência, particularmente o relacionamento entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Nos últimos dias, Bolsonaro tem feito acenos a Maia e repetiu o gesto no sábado, mesmo após a entrevista polêmica do deputado. No domingo, Bolsonaro e Maia se reuniram para discutir a reforma da Previdência.

"Se continuar nessa tendência, poderia levar a um processo de aprovação mais rápido da reforma", avalia a equipe da corretora, conforme nota a clientes, ressaltando, contudo, que a negociação adiante é complexa e que ainda esperam volatilidade.

Após instalação da comissão especial da Câmara dos Deputados que analisará o mérito da reforma, na última quinta-feira, a expectativa é que os trabalhos no colegiado tenham início de fato apenas a partir da próxima semana.

No exterior, Wall Street começava o pregão com pequenas variações, com atenções também voltadas para a temporada de resultados, além de números da economia norte-americana.

Destaques

- HYPERMARCAS subia 5,06 por cento, mesmo após o grupo farmacêutico informar que receita líquida despencou 58,7 por cento no primeiro trimestre, para 383,6 milhões de reais. Analistas do Bradesco BBI destacaram que a companhia já havia sinalizado que o desempenho do período seria afetado por mudanças em processos. A companhia também anunciou programa de recompra de até 8 milhões de ações, que representam até 2 por cento do total em circulação.

- SABESP valorizava-se 3,30 por cento, no primeiro pregão após constituição de grupo de trabalho com o objetivo de avaliar alternativas de reorganização societária da companhia de saneamento básico do Estado de São Paulo. Analistas do Itaú BBA consideraram a notícia sinaliza que uma potencial privatização da companhia está em andamento, mas ponderaram que há ainda um longo caminho para um desfecho nesse sentido, dado o elevado capital político envolvido na companhia.

- BR DISTRIBUIDORA avançava 2,88 por cento, também entre as maiores altas. Na sexta-feira, o conselho de administração da Petrobras aprovou novas diretrizes para a gestão do portfólio de ativos da companhia, considerando entre outros a venda de participação adicional na distribuidora. No caso da BR Distribuidora encontra-se estudo realização de oferta secundária de ações (follow-on).

- SMILES perdia 4,32 por cento, após divulgar que o lucro líquido no primeiro trimestre somou 141,9 milhões de reais, queda de 8,5 por cento na comparação com um ano antes e recuo de 13,8 por cento sobre os três últimos meses do ano passado. O conselho de administração da controladora Gol também autorizou a Smiles a reajustar preços de passagens padrão e milhas.

- PETROBRAS PN subia 0,84 por cento, em meio à repercussão favorável sobre o anúncio de novos desinvestimentos, depois que o conselho da petrolífera de controle estatal aprovou na sexta-feira ovas diretrizes para a gestão do portfólio de ativos da companhia, considerando a venda de oito refinarias, de sua rede de postos no Uruguai e de participação adicional na BR Distribuidora.

- BANCO DO BRASIL tinha elevação de 1,28 por cento, melhor desempenho entre os bancos listados no Ibovespa, com BRADESCO PN em queda de 0,11 por cento e ITAÚ UNIBANCO PN praticamente estável.

- VALE mostrava variação negativa de 0,04 por cento, apesar da alta dos preços do minério de ferro na China.

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