Demanda mundial de carvão será recorde em 2022, diz Agência Internacional de Energia

Esse patamar voltará a ser atingido apesar das incertezas devido à desaceleração do crescimento econômico e à turbulência no mercado de energia
Carvão (Christopher Furlong/Getty Images/Exame)
Carvão (Christopher Furlong/Getty Images/Exame)
Carlo Cauti
Carlo Cauti

Publicado em 02/08/2022 às 12:26.

Última atualização em 02/08/2022 às 12:47.

A demanda mundial de carvão vai atingir um novo recorde em 2022, segundo os dados divulgados em um relatório da Agência Internacional de Energia (AIE).

“O total global corresponderia ao recorde anual estabelecido em 2013, e a demanda por carvão provavelmente aumentará ainda mais no próximo ano, atingindo um novo recorde histórico”, disse o Coal Market Update da IEA.

Esse patamar de demanda voltará a ser atingido apesar das incertezas devido à desaceleração do crescimento econômico e à turbulência no mercado de energia.

Segundo a AIE, as atuais tendências econômicas e de mercado mostram que a economia chinesa deveria se recuperar no segundo semestre do ano, levando o consumo global de carvão para aumentar 0,7% em 2022, atingindo 8 bilhões de toneladas.

Além disso, as previsões indicam que a demanda por carvão continuará crescendo também em 2023, atingindo um novo recorde histórico.

Na Índia, a demanda por carvão deverá aumentar em 7% neste ano. Por outro lado, na China a demanda caiu 3% devido às novas restrições impostas pelo governo local para tentar conter novos surtos de coronavírus (covid-19).

Todavia, a previsão é de uma nova expansão da demanda chinês na segunda metade do ano, voltando aos níveis de 2021.

A China e a Índia juntas consomem duas vezes mais carvão do que o resto do mundo, e a China sozinha responde por mais da metade da demanda mundial.

Europa consome mais carvão para produzir energia elétrica

Na União Europeia, os preços cresceram 14% no ano passado, e deverão aumentar 7% em 2022.

A demanda de carvão na Europa aumenta sobretudo pela procura por parte de empresas do setor elétrico, onde o carvão é cada vez mais utilizado para substituir o gás russo, após o início da guerra na Ucrânia.

Segundo o relatório da AIE, os preços do carvão na Europa estão "sendo impulsionados pela demanda do setor de eletricidade, onde o carvão está sendo cada vez mais usado para substituir o gás, que está em falta e experimentou grandes picos de preços após a invasão da Ucrânia pela Rússia”.

Alguns países da UE estão reabrindo centrais térmicas que tinham fechado ou aumentando a vida útil das plantas que estavam sendo desativadas.

A Europa representa apenas 5% do consumo mundial de carvão.

Os preços do carvão também estão subindo, chegando a US$ 400 por tonelada. Cerca de 10 vezes mais do que os preços registrados em março de 2021, quando a tonelada de carvão era vendida por volta de US$ 40.

O preço do carvão térmico, usado para geração de energia, aumentou cerca de 170% desde o final do ano passado, subindo de forma mais acentuada após o início da guerra na Ucrânia.

Aumento do consumo vai provocar alta da poluição

O documento destaca que os principais mercados de carvão sofreram turbulências significativas nos últimos meses.

Todavia, a combustão de grandes quantidades de carvão em todo o mundo está elevando as preocupações sobre o clima, uma vez que a energia produzia através do carvão representa a maior fonte de emissões de CO2.

“Esse aumento acentuado contribuiu significativamente para o maior aumento anual das emissões globais de CO2 relacionadas à energia em termos absolutos, colocando-as em seu nível mais alto da história”, escreveu a AIE em seu relatório.

No ano passado, a recuperação econômica global elevou o consumo mundial de carvão em cerca de 6%, causando o maior aumento anual nas emissões globais de CO2 relacionadas à energia. O nível mais alto de todos os tempos.