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CPI dos EUA: por que o mercado está em expectativa? Saiba o que esperar da inflação americana

O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos nossos vizinhos tem sido uma incógnita e alimentado a cautela do mercado

Projeção da FactSet aponta que CPI dos EUA deve alcançar uma taxa de crescimento anual de 3,2% em dezembro (Michael M. Santiago/Getty Images)

Projeção da FactSet aponta que CPI dos EUA deve alcançar uma taxa de crescimento anual de 3,2% em dezembro (Michael M. Santiago/Getty Images)

Janize Colaço
Janize Colaço

Repórter de Invest

Publicado em 11 de janeiro de 2024 às 07h00.

Quem está acompanhando a bolsa de valores nesta semana, seja o Ibovespa ou algum índice externo, provavelmente está cansado de se deparar com sessões sem direções definidas e um assunto recorrente: dados da inflação que serão divulgados nesta quinta-feira, 11. Tanto para o Brasil, quanto para os Estados Unidos, investidores anseiam por números brandos e que possam respaldar o ciclo de corte na taxa de juro. Mas o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos nossos vizinhos tem sido uma incógnita e alimentado a cautela do mercado.

Por que investidores aguardam pelo CPI dos EUA?

Tal como temos o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) como indicador da inflação por aqui, nos EUA o CPI cumpre mais ou menos parecido, com foco nos preços finais de bens e serviços aos consumidores. Matheus Pizzani, economista da CM Capital, explica que esse índice ajuda a entender a dinâmica do nível de atividade do país sob a ótica dos preços, sinalizando movimentos benignos e possíveis pontos de “estrangulamento” na economia. 

“Ele também possui participação importante na condução da política monetária realizada pelo Fed, sendo um sinalizador importante tanto para a autoridade monetária, quanto para o mercado. No entanto, o CPI não é o indicador de inflação ao consumidor oficialmente utilizado pelo Federal Reserve para balizar suas decisões, posto ocupado pelo PCE [Índice de Preços para Gastos de Consumo Pessoal]”, diz.

O motivo para a expectativa em torno da atividade econômica dos EUA, seja o resultado mensal de dezembro, mas principalmente o acumulado de 2023, deve-se ao receio gerado por dados fortes do mercado de trabalho, divulgados uma semana antes. Matheus Spiess, analista da Empiricus, lembra que os números do Payroll esfriaram as apostas de flexibilização de juros, que chegaram a precificar o movimento este trimestre. “Sabemos que o Fed não vai mais subir os juros, mas a grande dúvida é sobre quando ele começará esse processo. Será na reunião de março, maio ou de junho?”

Spiess ainda lembra que assim como a alta dos juros americanos, lá por 2022, pesaram contra os ativos de risco, o caminho contrário favorece o apetite dos investidores. Não por acaso, o vislumbre de que o ciclo de cortes estaria próximo, após a última decisão do Fed, contribuiu para o Ibovespa encerrar 2023 atingindo pontuações recordes.

CPI acima ou abaixo das estimativas: quais os impactos?

De acordo com a projeção da FactSet, o CPI dos EUA deve alcançar uma taxa de crescimento anual de 3,2% em dezembro. A meta que a autoridade monetária americana persegue é de uma inflação ao consumidor a 2%. Se os dados vierem acima do esperado pelo mercado, a tese de que o Fed deva manter o aperto monetário por mais tempo será reforçada.

“Essa divulgação deverá ter grande impacto sobre as apostas para o início dos cortes de juros. Se o resultado estiver acima das expectativas, as apostas para o primeiro corte em março deverão ser reduzidas e poderá haver uma correção maior nos mercados, já que o sentimento de cautela está predominante”, diz Luis Novaes, analista da Terra Investimentos.

A mesma linha é seguida por Renato Nobile, analista da Buena Vista, que alerta para um “problema grande” que pode ser desencadeado por um CPI dos EUA acima dos 3,2%. “Por dar uma ‘chacoalhada’ no mercado em termos de correção dos ativos. Porque havia essa expectativa de desinflação americana, principalmente com investidores precificando um possível corte de juros no fim deste trimestre.”

Por outro lado, caso o resultado fique abaixo das projeções, Nobile acredita que os ativos de risco — incluindo mercados emergentes, como o Brasil — poderão apresentar um desempenho positivo também em 2024. “Se isso acontecer, poderemos ver o mercado ampliar as altas que vimos em novembro e dezembro”, diz.

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