Como a Trígono teve 50% de retorno em 2021 com small caps

Gestora comandada por Werner Roger, CIO e cofundador, obteve alta expressiva em um ano em que o Índice Small Caps da B3 teve queda de 16,2%
Werner Roger, gestor e sócio cofundador da Trígono | Foto: Divulgação (Trígono Capital/Divulgação)
Werner Roger, gestor e sócio cofundador da Trígono | Foto: Divulgação (Trígono Capital/Divulgação)
Por Guilherme GuilhermePublicado em 19/01/2022 06:30 | Última atualização em 20/01/2022 10:00Tempo de Leitura: 5 min de leitura

O ano de 2021 frustrou boa parte dos investidores na bolsa brasileira, com o seu principal índice de ações, o Ibovespa, fechando em queda de 11,9%, enquanto índices do exterior batiam recordes. O Índice Small Caps, composto por empresas de menor capitalização e mais ligadas à atividade doméstica, teve desempenho ainda pior, com 16,2% de queda.

Foi nesse cenário adverso que a gestora de small caps Trígono Capital teve o melhor ano de sua história, multiplicando por sete a sua base de cotistas, para 108.300 investidores, e elevando de 465 milhões de reais para 2,329 bilhões de reais seu volume sob gestão.

Parte do crescimento explosivo pode ser atribuído ao desempenho de seus fundos. O Delphos, um dos principais da casa, teve 49,65% de rentabilidade. O Flagship, primeiro fundo da Trígono, deu retorno de 43,60%.  

O segredo? Conhecer a fundo as empresas investidas. “O mercado investe no mercado. Não importa para quanto vai o Ibovespa, o que importa é o lucro da companhia, quanto ela vai pagar de dividendo e o quanto ela gera de valor. Não olho o índice quando monto o portfólio, olho a empresa”, disse Werner Roger, CIO e cofundador da Trígono Capital, em entrevista à EXAME Invest

É com essa filosofia que a gestora busca as melhores oportunidades nas menores companhias da bolsa. A maior parte das escolhas, explicou Roger, partem do EVA, método de avaliação que, em português, significa valor econômico agregado. “É o quanto a empresa retorna ao acionista descontado o custo de capital. O mercado usa múltiplos e fluxo de caixa descontado. Isso nos diferencia na forma como avaliamos as empresas”, afirmou o CIO. 

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Convicção como diferencial

Dos mais de 2 bilhões de reais geridos pela Trígono, 87% estão em dez empresas. “O mercado usa a diversificação para reduzir o risco, eu uso a convicção e a concentração nas empresas que conheço bem. Prefiro ter poucas ações a ter 50 que não conheço profundamente.”

As ações escolhidas costumam ter vida longa dentro da Trígono. “A rotação da nossa carteira é muito baixa, o que significa que economizo com taxa de corretagem.” Entre as maiores posições, sete estão presentes desde as primeiras cotas da gestora e hoje respondem por 60% do portfólio do Trígono.

Para reduzir o risco, Roger dá preferência a empresas com receita relacionada à moeda estrangeira, como exportadoras e produtoras de commodities. Elas respondem por cerca 70% dos fundos da Trígono. “Faço isso por proteção. Não usamos derivativos, dólar ou aluguel de ação para montar posições vendidas", diz Roger. 

A Ferbasa (FESA4), do interior da Bahia, é a principal posição da Trígono, com 12,5% do capital da empresa. Ainda que pouco conhecida entre investidores, a companhia é a maior produtora de ferroligas do Brasil e suas ações estão entre as que mais sobem na bolsa. Sua valorização foi de 155% somente no ano passado e de 450% nos últimos cinco anos. 

Por trás do forte desempenho dos fundos da Trígono também estiveram as ações da Unipar (UNIP6), que dispararam 111%, em 2021 e mais de 1.500% em cinco anos. “Ela produz cloro e PVC, que quase dobraram de preço, e soda para aplicações industriais.”

Somente a Tupy (TUPY3) teve desempenho negativo no ano, entre as maiores apostas da gestora, com queda de 4,86%. "Ainda assim, caiu menos que o Ibovespa [cuja perda em 2021 foi de 11,92%]", ressalta o CIO. 

Fator liquidez

Além do potencial de valorização, um dos principais pontos de atenção na Trígono é a liquidez das ações. Isso porque, por investir em empresas menos negociadas, grandes movimentações poderiam influenciar de forma significativa os preços. “Liquidez é o principal ponto de risco para nós. Temos empresas com menor liquidez e muito retorno, mas sempre observamos esse fator”, diz Werner Roger.

A posição mais sensível a esse fator entre as maiores da casa é a da Tronox (CRPG5), com volume médio negociado de 3 milhões de reais por dia. O risco, diz o gestor, vale o retorno. Desde 2020, as ações da companhia de pigmentos dispararam mais de 100%.

"Temos ações mais líquidas. Das dez principais, oito tem volume de negociação superior a 10 milhões de reais por dia. Somos muito rigorosos com a liquidez."

A questão, fundamental para qualquer gestor de small caps, se tornou ainda mais importante na Trígono com a chegada explosiva em volume de novos cotistas. Apesar dos desafios, Werner Rogernão pretende mudar sua filosofia, pois é em small caps em que identifica as melhores oportunidades do mercado.

"O retorno das ações é inversamente proporcional ao tamanho da liquidez. "O professor [da Yale School of Management] Roger Ibbotson comprovou em seu trabalho vencedor do prêmio CFA de 2013 e nós temos provado isso na Trígono", afirma.