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Os papéis das Casas Bahia (BHIA3) operam com forte volatilidade nesta terça-feira, 28. Na véspera, a varejista anunciou a aprovação do grupamento de 1 ação para cada 25. Com os investidores assimilando o movimento, por volta das 15h45 os ativos oscilavam entre a estabilidade (0%) e uma alta de 1,89%, enquanto na abertura do Ibovespa chegaram a cair 3,77%. Mas ao olhar a variação diretamente no preço, os papéis pouco transitaram na faixa entre R$ 0,50 e R$ 0,54.

Na visão de especialistas consultados pela EXAME Invest, a expectativa é de que o grupamento das ações BHIA3 permita uma melhora na liquidez dos ativos – fato que poderá tornar o papel menos volátil na bolsa. “Isso permitirá que investidores com maior aversão aos movimentos intensos do mercado ingressem no ativo, ainda que a principal vantagem do grupamento seja se manter nos índices da B3”, explica Luis Novaes, analista da Terra Investimentos.

Como aponta o especialista, entre as regras da bolsa brasileira está que uma ação não pode ser negociada na casa dos centavos por mais de 30 pregões consecutivos. A Casas Bahia seguiu além desse prazo, visto que a última vez que seus ativos foram negociados acima desse patamar foi em 13 de setembro, quando o papel fechou a R$ 1,11. De lá para cá, as quedas foram sucessivas.

Mas ainda que a varejista esteja buscando um caminho para não se tornar de vez uma penny stock – isto é, literalmente uma ação de centavos –, é ainda a melhora da liquidez do papel que os analistas frisam. Segundo Gabriel Costa, analista da Toro Investimentos, ao operar papéis com valores muito baixos, qualquer variação de centavo já pode representar uma alta ou queda percentual bastante visível, como as observadas no pregão de hoje. “Muitos investidores institucionais, fundos grandes e traders grandes não conseguem operar esses papéis com facilidade, pois qualquer movimento é muito volátil”, afirma.

O que esperar com o grupamento das ações BHIA3?

Costa acredita que o grupamento das ações pode melhorar as relações de preço da companhia, mas ainda assim ele afirma que o cenário é desafiador para a Casas Bahia. Para ele, horizontes melhores para a varejista virão a partir de 2025. “É o ano em que a empresa promete concluir o seu plano de turnaround. Vamos ficar de olho nesses números para ver se realmente há um andamento disso e se isso pode torná-la uma empresa mais rentável a partir disso.” 

A mesma linha é defendida por Novaes, que lembra ainda que a própria administração da companhia deixou claro em oportunidades recentes a uma projeção de melhora apenas no segundo semestre de 2024. “Há outras empresas no setor do consumo discricionário com um posicionamento melhor para se aproveitar do ciclo de baixa dos juros e da melhora gradual do crédito. Enquanto isso, vemos a tese das Casas Bahia mais apropriada para o longo prazo, não deixando-se ignorar pelos riscos de uma empresa em processo complexo de reestruturação”, diz.

Mas o que aconteceu com as ações da Casas Bahia?

Três fatores explicam o cenário que tem feito as ações da Casas Bahia terem se desvalorizado ao longo dos últimos meses: economia, aporte financeiro e concorrência. Sobre os primeiros pontos, o analista da Terra Investimentos explica que o varejo brasileiro vem sofrendo os efeitos negativos do ambiente macroeconômico, com a escalada dos juros básicos e inflação em alta.

“Esses efeitos acumulados nos últimos trimestres são refletidos no preço do ativo em bolsa. Mas a perspectiva negativa quanto ao ativo se tornou mais relevante nos últimos meses, após a Casas Bahia buscar aporte financeiro dos acionistas no mercado e seguir com o processo mesmo diante de um cenário de baixa demanda pela oferta. A decisão foi entendida que a empresa necessitava do aporte e estava disposta a realizá-lo mesmo sob condições ruins de mercado”, afirma Novaes.

Enquanto isso, Costa, da Toro Investimentos, lembra que junto a isso o setor varejista passa por um momento de forte competição. Além de velhos conhecidos, como a Magazine Luiza (MGLU3) e Americanas (AMER3), novos players chegaram ao mercado. “Mas os principais são os concorrentes externos. Temos a Amazon, Aliexpress, Shoppe e Mercado Livre, empresas muito relevantes que acirraram bastante a competição aqui e deixaram o cenário micro mais dificultoso para a Casas Bahia”, finaliza.

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