BlackRock lança no Brasil ETF com lastro em Bitcoin recém-aprovado pela SEC

Produto estará disponível na B3 por meio de BDR a partir desta sexta-feira, 1, para o investidor qualificado; previsão é de que público geral tenha acesso

A pedestrian holding a smartphone passes in front of BlackRock Inc. headquarters in New York, U.S, on Tuesday, April 13, 2021. BlackRock Inc. is scheduled to release earnings figures on April 15. Photographer: Jeenah Moon/Bloomberg (Bloomberg/Bloomberg)
A pedestrian holding a smartphone passes in front of BlackRock Inc. headquarters in New York, U.S, on Tuesday, April 13, 2021. BlackRock Inc. is scheduled to release earnings figures on April 15. Photographer: Jeenah Moon/Bloomberg (Bloomberg/Bloomberg)
Guilherme Guilherme
Guilherme Guilherme

Repórter de Invest

Publicado em 29 de fevereiro de 2024 às 12h34.

Última atualização em 29 de fevereiro de 2024 às 16h35.

A BlackRock trará para o Brasil o seu ETF de Bitcoin, o primeiro da gestora com lastro direto na criptomoeda à vista e recém aprovado pela comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos, a SEC. O lançamento será feito nesta sexta-feira, 29, por meio do BDR IBIT39. O IBIT39 estará disponível para todos os tipos de investidores. A taxa de administração do fundo lastreado em Bitcoin será de 0,25% ao ano. Os BDRs são recibos de depósito com lastro em ativos listados fora do país, no caso, no ETF IBIT.

A B3 possui 13 ETFs com exposição ao mercado de criptomoedas, com R$ 2,5 bilhões sob gestão e 170.000 investidores. Mas, até por questões regulatórias, nenhum possui lastro em criptomoedas à vista. A impossibilidade de listar um ETF do tipo, inclusive, foi um dos motivos pelos quais a BlackRock decidiu trazer seu ETF por meio de um BDR em vez de listá-lo diretamente no mercado local. O ETF de Bitcoin da BlackRock foi lançado em janeiro e, instantaneamente se tornou um sucesso, batendo US$ 520 milhões de captação em um único dia.

"Há uma grande demanda por um ETF com lastro direto Bitcoin e, pela mudança regulatória, conseguimos lançar o produto. Muitos investidores preferem o ETF para ter exposição ao Bitcoin, pelo custo e facilidade de negociação e custódia", afirma Nicolas Gomez, head de produtos para América Latina em entrevista a jornalistas brasileiros. 

O lançamento do BDR de ETF ocorre em meio à alta do Bitcoin, que recentemente voltou a operar acima de US$ 56.000, no maior patamar desde dezembro de 2021. Mas Karina Saade, presidente da BlackRock Brasil, a gestora tinha planos de trazer o ETF para o Brasil mesmo antes da recente disparada do ativo. "Estávamos dependendo apenas da liberação da SEC, nos Estados Unidos."

A BlackRock também tem planos de lançar o ETF com lastro em Ethereum , a segunda maior criptomoeda em valor de mercado. O produto segue em análise na SEC. Caso aprovado, o ETF também deverá ser importado por meio de BDRs ao mercado brasileiro.

O primeiro ETF atrelado ao mercado de criptomoedas lançado no Brasil foi o HASH11, que, em poucas semanas, entrou para o hall dos mais investidos do mercado brasileiro. O HASH11 encerrou janeiro com 127.863 investidores, segundo dados da B3. O número supera até mesmo a quantidade de pessoas que investem no BOVA11, o ETF atrelado ao Ibovespa com o maior número de investidores (98.196 no fim de janeiro).

Virada de chave para os BDRs de ETF?

Apesar do sucesso dos produtos de criptomoedas na bolsa brasileira, os BDRs de ETFs, liberados no fim de 2020, ainda não deslancharam na mesma proporção. Ainda que já existam 240 BDRs de ETFs listados no mercado brasileiro, apenas 17.000 investidores possuem algum deles na carteira. O número representa uma fração de apenas 2% em relação aos cerca de 800.000 investidores que investem em BDRs.

O IBIT39 é o primeiro BDR de ETF atrelado ao mercado de criptomoedas e, caso tenha um sucesso parecido com o de seus pares, poderá aumentar significativamente o número de investidores nesse tipo de produto.

"A medida que trazemos mais produtos e eles ficam conhecidos tende a ajudar a popularizar essa classe de ativo. Do lado educacional, esse lançamento tende a ajudar essa classe de ativo", disse Felipe Gonçalves, superintendente de moedas e juros da B3. 

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