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Banco Pan compra a Mosaico, dona de Buscapé, Bondfaro e Zoom

A operação, que será realizada via troca de ações, torna o Pan o banco digital com a maior plataforma de marketplace e crédito do país

Abertura de capital da Mosaico na B3 em fevereiro deste ano: os acionistas de referência da Mosaico passam a ser executivos do PAN e um deles se tornará membro do conselho de administração | Foto: Cauê Diniz/B3 (Cauê Diniz/Divulgação)
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Da Redação

Publicado em 3 de outubro de 2021 às 20h13.

Última atualização em 4 de outubro de 2021 às 07h30.

O Banco Pan (BPAN4)anunciou ao mercado nesta noite de domingo, dia 3 de outubro, a compra da Mosaico (MOSI3), empresa de tecnologia dona dos sites de consumo Buscapé, Zoom e Bondfaro. A operação será integralmente realizada via troca de ações.

Com a operação, o Pan dá um passo estratégico para se tornar a plataforma mais completa de banking e consumo do Brasil, ao integrar a "máquina" de conteúdo e originação de vendas da Mosaico, considerada a maior do país.

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O objetivo do Pan -- que é controlado pelo BTG Pactual (BPAC11, do mesmo grupo da EXAME) -- é formar um ecossistema para o cliente, com uma jornada que começa com a escolha e a aquisição dos produtos do seu interesse, com a oferta de cashback sobre o melhor preço e nas melhores condições de pagamento e crédito.

O Pan é o banco digital com a maior carteira de crédito do país: eram 32,36 bilhões de reais ao fim do segundo trimestre, depois de crescimento de 7% em relação aos três primeiros meses do ano e de 31% no ano-a-ano.

“Sempre tivemos muita admiração pela Mosaico, por seu propósito e pela habilidade empreendedora de seus controladores. Temos convicção de que juntos podemos construir algo muito maior", disse Carlos Eduardo Guimarães, o Cadu, CEO do Pan.

"Estamos bem animados em contar com o time da Mosaico, que potencializa nossos skills de tecnologia e desenvolvimento de produtos”, afirmou o executivo.

Com a transação, os acionistas de referência da Mosaico -- entre eles os sócios-fundadores José Guilherme Pierotti, Guilherme Pacheco e Roberto Malta -- passam a ser executivos do Pane um deles se tornará membro do conselho de administração. Todos terão lock-up (trava para a venda) nas ações recebidas por um prazo de 18, 24 e 30 meses (1/3 em cada data).

“O negócio de banking tem uma recorrência natural muito grande e isso é o holy grail do e-commerce. Ao nos juntarmos ao PAN, geramos o lock-in desse consumidor dentro desse ecossistema que estamos criando. O grupo BTG Pactual sempre nos apoiou e é uma honra fazer parte de um projeto dessa magnitude”, afirmou Guilherme Pacheco, que é também presidente do conselho de administração da Mosaico.

O empreendedor fez referência ao relacionamento estreito entre o banco e a empresa. O BTG Pactual assumiu 5% do capital da Mosaico no início do ano, aoexercer um bônus de subscrição que havia sido emitido pela Mosaico em setembro de 2019, meses depois que o banco financiou a aquisição da Bondfaro e do Buscapé pelo Zoom. Mais recentemente, afatia do banco chegou a 13,3%, segundo informações da empresa.

Marketplace de R$ 4,2 bilhões

O novo marketplace nasce com 4,2 bilhões de reais de GMV (volume bruto de mercadorias transacionadas, na sigla em inglês) em uma plataforma proprietária que possui ferramentas exclusivas como: cashback sobre o melhor preço, alerta de preços, conteúdo de especialistas, comparador de preços com mais 112 milhões de ofertas, 400 lojas integradas end-to-end e " buy now pay later " já operacional que será escalado com a expertise de crédito do PAN.

Para efeito de comparação, o GMV do Inter (BIDI11) anualizado a partir do resultado do segundo trimestre é de 3,1 bilhões de reais.

O plano de negócios prevê ainda o lançamento de um cartão de crédito exclusivo, com cashback, e haverá integração com a plataforma Mobiauto (recém-adquirida pelo Pan em setembro) , o que vai ampliar a gama de produtos oferecidos e fortalecer o ecossistema de veículos do grupo.

'Operação transformacional'

“Essa operação é transformacional. Temos a maior carteira de crédito entre todos os bancos digitais do Brasil, além de uma oferta completa de produtos e serviços financeiros. Com a aquisição, passamos a ter 35 milhões de clientes, correntistas e não-correntistas, e ampliamos fortemente o nosso portfólio de produtos não-financeiros", disse Cadu.

O Pan chegou ao fim do segundo trimestre com 12,4 milhões de clientes, dos quais 8,4 milhões com acesso a seviços e produtos por meio do aplicativo -- ou seja, com uma experiência digital completa.

A estratégia de digitalização do Pan, que ganhou tração no início de 2020 com o início da operação de banking, tem sido reconhecida e comprada pelo mercado. As ações mais do que dobraram de valor nos últimos 12 meses. A alta chegou a se aproximar dos 300% nesse comparativo em maio, antes da virada do mercado brasileiro como um todo.

As ações da Mosaico, por sua vez, acumulavam queda de 36% desde o IPO em fevereiro deste ano, em meio à onda vendedora de papeis de empresas de tecnologia, em especial nos últimos dois meses.

Em agosto, analistas do Itaú BBA apontaram em relatório que“o PAN tem todas as ferramentas para ser o vencedor na corrida bancária digital no Brasil, e nós incorporamos isso em nossa avaliação”.

"Temos clientes, produtos e canais. Com o cliente aqui dentro do banco, vamos aumentar o cross sell e o up sell e o engajamento", disse Cadu à EXAME Invest em maio sobre a estratégia do Pan , em referência às venda cruzada e de valores mais elevados de produtos e serviços, respectivamente, com foco nas classes C, D e E, em autônomos e MEIs.

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