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Como fazer hedge: conheça essa operação de proteção financeira

Investir em tempos de crise pode parecer desafiador, mas tudo vai depender do seu perfil de risco

 (Getty Images/Getty Images)

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Da redação

11 de julho de 2022, 14h49

Ganhar dinheiro é uma tarefa árdua para a imensa maioria dos brasileiros. Acumular patrimônio ao longo da vida já não é fácil, mas preservar e multiplicar esses recursos pode ser ainda mais desafiador.

Neste artigo, você vai ter dicas básicas para não perder dinheiro, principalmente em tempos de crise.

Como não perder dinheiro?

Para não perder dinheiro em tempos de crise, o investidor precisa manter a calma e reavaliar seus objetivos e prazos. Caso não precise do dinheiro no curto ou no médio prazo, o melhor é não se desfazer de aplicações nem realizar prejuízos. Isso porque as crises são cíclicas e o mercado tende a se recuperar com o tempo.

Portanto, para não realizar perdas, é preciso ter inteligência emocional e paciência, já que o mercado levará um certo tempo para se recuperar. E, como nenhuma crise é igual a outra, não é possível precisar exatamente o prazo dessa recuperação.

Quando realizar perdas faz sentido

Em casos específicos é importante criar um "limite" de desvalorização do ativo. Quando esse piso for atingido, o investidor deve avaliar a realização da perda, para evitar perder a maior parte do patrimônio investido.

Isso pode acontecer em situações extremas, como quando há uma crise que derruba o preço dos ativos de forma sistêmica, ou quando um ativo em específico é afetado por um fator estrutural.

Pode ser uma crise de mercado, como a do mercado norte-americano em 2008, ou um fato que impacte em definitivo uma empresa, como as investigações envolvendo Eike Batista, então controlador da OGX, por exemplo.

Em casos assim, o investidor deve estabelecer o chamado stop loss.

O que é stop loss?

O stop loss nada mais é do que um valor piso criado para limitar as perdas de determinado investimento. Esse piso pode ser estabelecido de acordo com o histórico de preços do ativo ou com o próprio objetivo do investidor.

Avaliando a carteira e a visão de curto, médio ou longo prazo, o investidor pode entender que o limite de perda para determinada aplicação é de 20% em relação ao valor de compra.

Outras formas de proteger seus investimentos

De qualquer maneira, existem estratégias para proteger os investimentos, como a diversificação de carteira. Como os ativos se comportam de maneiras distintas e estão expostos a riscos diferentes, a diversificação pode garantir uma rentabilidade mesmo em períodos de crise.

Como diversificar a carteira?

A composição da carteira de um investidor está diretamente ligada com seu perfil e com seus objetivos. Um investidor conservador com objetivos de longo prazo terá um portfólio de ativos diferente de um investidor arrojado com objetivos de médio prazo, por exemplo.

Mas de maneira geral, a regra mais importante é que os ativos que compõem a carteira sejam descorrelacionados, ou seja, não tenham relação direta entre si.

Para isso, além de diversificar nas categorias, é recomendável variar em produtos, indexadores e em regiões geográficas.

  • Categorias de investimentos diferentes

Aqui estamos falando de renda fixa e renda variável. É importante que até mesmo os investidores mais conservadores ou os mais arrojados tenham essas duas composições na carteira, ainda que o peso seja diferente.

  • Produtos diversos

Dentro das categorias é importante que o investidor varie. De nada adianta concentrar toda a fatia de renda fixa em um único título, ou concentrar toda a parte de renda variável nas ações de uma só empresa, por exemplo. O ideal é buscar aplicações de emissores, prazos e condições variadas.

  • Fuja do indexador único

É importante atentar-se também aos indexadores que influenciam a rentabilidade dos ativos. Se o investidor comprar, por exemplo, CDBs de instituições diferentes, mas todos atrelados ao CDI, todo o rendimento da carteira dependerá desse indicador.

Mesmo dentro de uma mesma categoria é recomendável atrelar o retorno a fatores diferentes. Na renda fixa, por exemplo, vale buscar títulos relacionados ao CDI, IPCA e prefixados, por exemplo.

  • Diversifique a "geografia" da carteira

Ter ativos de países diferentes é a forma mais segura de proteger a carteira contra crises locais. O investidor deve aplicar parte do patrimônio no exterior, pois mesmo que a economia de um país seja muito afetada, as aplicações que estão em outros mercados tendem a ser menos impactadas.

Além da diversificação, outra estratégia de proteção é o chamado hedge, que neutraliza, de certa forma, as oscilações de um investimento ou de uma operação, principalmente aqueles relacionados às variações de ações, câmbio e dos preços de commodities

O que é hedge?

Qualquer estratégia que proteja o investidor da variação de preço um ativo pode ser considerada um hedge. Como mencionamos, essas são ferramentas mais utilizadas por quem investe em produtos de alta volatilidade.

Existem alguns tipos de hedge mais comuns. Veja abaixo:

Hedge cambial

O investidor pode se proteger da variação do câmbio comprando contratos futuros de euro, dólar ou qualquer outra moeda, ou adquirindo opções de dólar. Ambos ativos são negociadas na B3 (Brasil Bolsa Balcão).

Outra possibilidade, e até mais simplificada, é investir em fundos cambiais, que investem diretamente em moeda ou em instrumentos monetários.

Hedge de ações

Quem tem ações pode garantir um "valor mínimo" de venda ao negociar contratos de opções. As opções são nada mais do que uma "garantia" do investidor para venda de um ativo por determinado preço, mesmo que a cotação do momento da venda seja diferente.

Esse é um instrumento que vale lançar mão quando há uma desvalorização intensa no preço das ações de uma empresa.

Hedge em commodities

As commodities negociadas na bolsa possuem contratos futuros de preço. Apesar disso, essa é uma ferramenta mais utilizada por empresas que negociam esses produtos básicos, para se resguardar de movimentos futuros.

Por exemplo: uma empresa que produz carne pode negociar contratos futuros da commodity para assegurar um preço-alvo no momento de venda da mercadoria para o mercado.

Hedge em empresas exportadoras

Outra forma bastante comum de proteger a carteira é investindo em empresas brasileiras que se beneficiam da demanda exterior - ou seja: empresas exportadoras.

Essa é uma estratégia que contribui para a diversificação da carteira e que permite que o investidor faça uma espécie de "seguro" contra crises de demanda local.

Afinal, como investir em tempos de crise?

Agora que você já sabe como proteger seu patrimônio durante períodos turbulentos, é válido saber como tentar se beneficiar em cenários de crise - sim, é possível!

Momentos de desvalorização de ativos geram estresse no mercado e podem representar perdas para quem já tem recursos aplicados nos ativos afetados, mas são também uma oportunidade de compra. É nesse período que os investimentos ficam "descontados", como dizem os analistas.

Para ativos com boa solidez e com perspectiva de recuperação de preço, o cenário de baixa pode ser a chance de fazer um bom investimento "no saldão". Mas como identificar quais ativos tendem a se recuperar?

A melhor recomendação, para esse caso, é observar os fundamentos das empresas, acompanhar indicações de analistas de investimentos, e não esquecer dos próprios objetivos e propósitos.

O que fazer com o dinheiro em tempos de crise?

As dicas dadas no tópico acima podem ser resumidas neste guia para não perder dinheiro e preservar seu patrimônio na crise:

  • Preserve a fonte de renda (sempre que possível);
  • Avalie o posicionamento da carteira;
  • Diversifique;
  • Se não tiver instrumentos de hedge, busque adicionar essa camada de proteção ao portfólio;
  • Estabeleça um limite para as perdas;
  • Se possível, aproveite a oportunidade para comprar ativos "descontados".