Experimento dos anos 1960 ajuda a explicar por que humanos confiam em respostas geradas por máquinas (Iana Kunitsa/Getty Images)
Redatora
Publicado em 14 de abril de 2026 às 05h04.
A relação de confiança entre humanos e máquinas não surgiu com a inteligência artificial moderna.
Um experimento conduzido nos anos 1960 já indicava que pessoas podem atribuir compreensão e credibilidade a sistemas automatizados, mesmo quando sabem que estão interagindo com um programa.
Décadas depois, o comportamento ajuda a explicar por que ferramentas baseadas em IA são vistas como confiáveis no dia a dia.
Na década de 1960, o cientista da computação Joseph Weizenbaum desenvolveu o programa ELIZA, considerado um dos primeiros sistemas capazes de simular uma conversa humana.
Quer conhecer os caminhos profissionais na área de IA? Esse treinamento introdutório de quatro aulas mostra as possibilidades por apenas R$ 37
A ferramenta utilizava respostas simples, muitas vezes reformulando perguntas do próprio usuário, criando a sensação de diálogo.
Mesmo com limitações técnicas evidentes, muitos usuários relataram a impressão de que o sistema “entendia” suas questões.
Alguns chegaram a compartilhar informações pessoais, demonstrando um nível de confiança que surpreendeu o próprio criador do programa.
O comportamento observado naquele período continua atual. Ao receber respostas bem estruturadas, com linguagem clara e tom seguro, o usuário tende a interpretar a informação como confiável.
Esse efeito não depende apenas da precisão da resposta, mas da forma como ela é apresentada.
Isso reforça a percepção de autoridade, mesmo em situações em que a informação pode estar incompleta ou exigir verificação adicional.
Hoje, plataformas baseadas em inteligência artificial conseguem gerar respostas mais complexas e contextualizadas do que os sistemas dos anos 1960.
Ainda assim, o princípio observado no experimento permanece: a tendência humana de atribuir intenção, compreensão e conhecimento à máquina.
Essa dinâmica ajuda a explicar por que usuários recorrem à IA para decisões cotidianas, pesquisas e até orientações profissionais.
Ao mesmo tempo, levanta a necessidade de interpretar respostas com senso crítico, especialmente em temas que exigem precisão técnica.
Entender esse comportamento é relevante para o uso consciente da tecnologia.
A confiança na IA pode acelerar processos e facilitar o acesso à informação, mas também exige atenção quanto à qualidade e à veracidade do conteúdo gerado.