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Microsoft encerra gradualmente acordo de nuvem para IA com Oracle

Chips antigos deixaram de atender às exigências da Microsoft; Oracle diz que a demanda segue forte e cita renovações 20% mais caras

Microsoft: empresa revê fornecedores e gastos com infraestrutura de inteligência artificial (Divulgação/Getty Images)

Microsoft: empresa revê fornecedores e gastos com infraestrutura de inteligência artificial (Divulgação/Getty Images)

André Lopes
André Lopes

Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 6 de novembro de 2026 às 15h02.

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A Microsoft está encerrando gradualmente um acordo com a Oracle para alugar capacidade de computação em nuvem destinada à inteligência artificial. O serviço dependia de chips mais antigos da Nvidia que não atendiam mais às necessidades da empresa. A decisão faz parte de uma revisão mais ampla das parcerias e gastos com infraestrutura de IA, enquanto a Oracle afirma que ainda há demanda por sua capacidade, mesmo com equipamentos mais antigos.

A Microsoft está encerrando gradualmente um acordo com a Oracle para alugar capacidade de computação em nuvem destinada à inteligência artificial, segundo a Bloomberg. Pelo contrato, a empresa recorria a servidores de outra fornecedora para obter poder de processamento.

O serviço perdeu utilidade porque dependia de chips de uma geração mais antiga da Nvidia, que já não atendiam às especificações da Microsoft, de acordo com fontes ouvidas pela agência. A mudança faz parte de uma reavaliação das parcerias e dos gastos com infraestrutura de IA.

A Oracle sustenta que a demanda por sua infraestrutura continua forte, inclusive para processadores mais antigos. Em setembro, a companhia informou que capacidade com GPUs que chegara ao momento de renovação foi recontratada por valores 20% superiores aos anteriores.

Por que a Microsoft recorreu a outra nuvem

Alugar servidores de terceiros permite ampliar a capacidade disponível enquanto os próprios data centers crescem. É uma das formas de acompanhar a procura por sistemas que treinam modelos de IA ou executam suas respostas, duas tarefas que exigem grandes volumes de processamento.

A relação entre Microsoft e Oracle nesse mercado tem um precedente público. Em junho de 2024, as empresas anunciaram uma parceria com a OpenAI para estender a plataforma de IA do Azure à Oracle Cloud Infrastructure. O objetivo era fornecer capacidade adicional à criadora do ChatGPT.

Esse tipo de colaboração aproxima empresas que também disputam os mesmos clientes. Na corrida por infraestrutura de IA, uma fornecedora de nuvem pode ser, ao mesmo tempo, compradora de processamento de uma concorrente.

Para atender à demanda por IA, as gigantes da nuvem também alugam capacidade umas das outras.

Oracle vê demanda mesmo por chips antigos

O argumento da Oracle é que os equipamentos continuam encontrando clientes. Na apresentação dos resultados de setembro, o co-CEO Clay Magouyrk disse que a capacidade de GPUs cujos contratos chegaram à renovação no trimestre havia sido renovada ou contratada novamente com o ágio de 20%. A maioria desses chips tinha quatro anos ou mais.

O balanço também mostra a escala dessa expansão. No trimestre encerrado em agosto, a receita de infraestrutura de nuvem da Oracle cresceu 121% em relação ao mesmo período do ano anterior, para US$ 7,4 bilhões. A companhia afirmou ter disponibilizado mais de 300 mil GPUs a seus clientes de nuvem de IA desde o encerramento do trimestre anterior.

Segundo a Oracle, a capacidade de GPUs que chegou à renovação foi recontratada por preços 20% maiores.

A revisão vai além do contrato com a Oracle

Em outra reportagem, publicada na quinta-feira, 5, a Bloomberg informou que a Microsoft reforçou a fiscalização de projetos de data centers de Nebius, IREN e Nscale. A empresa estaria se afastando de iniciativas consideradas arriscadas e discutindo a assinatura de novos contratos com essas fornecedoras, conhecidas como neoclouds por concentrarem sua oferta em infraestrutura para IA.

À Reuters, a Microsoft afirmou que sua estratégia combina instalações próprias, imóveis alugados e parcerias com terceiros. A empresa também investe em chips próprios para controlar custos e desempenho, ampliando as opções de tecnologia usadas em seus serviços.

A necessidade de processamento segue se traduzindo em desembolsos elevados. No trimestre encerrado em setembro, os investimentos de capital da Microsoft, incluindo arrendamentos, somaram US$ 45,2 bilhões. A revisão dos fornecedores ocorre em meio a essa expansão, com a escolha dos equipamentos e os prazos de entrega no centro das decisões.


Perguntas frequentes

O que está acontecendo com o acordo entre Microsoft e Oracle? +

Segundo a Bloomberg, a Microsoft está encerrando gradualmente um acordo de aluguel de capacidade de nuvem para inteligência artificial. O relato trata desse contrato de processamento.

Por que a Microsoft está deixando de usar essa capacidade? +

De acordo com fontes ouvidas pela Bloomberg, o serviço dependia de chips de uma geração mais antiga da Nvidia. Os equipamentos já não atendiam às especificações da Microsoft, o que tornou o acordo menos útil para a empresa.

O que significa alugar capacidade de nuvem para IA? +

É contratar poder de processamento nos servidores de outra empresa. Essa infraestrutura pode ser usada para treinar modelos de inteligência artificial ou executar modelos já treinados.

A Oracle ainda encontra clientes para GPUs antigas? +

A companhia afirma que sim. Em setembro, informou que a capacidade de GPUs cujos contratos chegaram à renovação havia sido recontratada por preços 20% maiores, embora a maioria dos chips tivesse quatro anos ou mais.

Qual era a parceria anunciada em 2024? +

Microsoft, Oracle e OpenAI anunciaram uma colaboração para estender a plataforma de IA do Azure à Oracle Cloud Infrastructure. O objetivo divulgado era fornecer capacidade adicional à OpenAI.

A Microsoft está revendo outros fornecedores de infraestrutura? +

Uma reportagem da Bloomberg de 5 de novembro informou que a Microsoft reforçou a fiscalização de projetos de Nebius, IREN e Nscale. À Reuters, a Microsoft disse que sua estratégia combina data centers próprios, instalações alugadas e parcerias com terceiros.

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