Inteligência Artificial

Mais da metade dos usuários de apps de namoro no Brasil topariam encontros com IAs

Usuários estão cada vez mais suscetíveis a buscar conforto emocional em inteligências artificiais

Maria Eduarda Cury
Maria Eduarda Cury

Colaboradora

Publicado em 1 de fevereiro de 2026 às 07h00.

Os aplicativos de namoro não são fáceis. Conversas que não andam, perguntas que soam como entrevistas de emprego e sumiços são problemas tão comuns entre aqueles que querem dar uma chance ao amor na vitrine digital de opções que mais de 63% dos usuários brasileiros apostariam em encontros com inteligências artificiais para ter a certeza de reciprocidade.

Conforme um estudo da Norton, duas a cada três pessoas responderam positivamente para a sugestão de topar um date com uma IA ao invés de gastar horas procurando um humano compatível com os seus gostos. A alta procura por preenchimento emocional parece estar relacionada à sensação de solidão, já que 82% dos entrevistados disseram se sentir solitários na rotina.

A porcentagem é ainda maior entre a Geração Z: 90% responderam que se sentem sozinhos e mais aptos a desenvolver proximidade com relacionamentos na esfera virtual. E, com 39% dos consultados afirmando que teriam sentimentos por uma IA, os robôs romanticamente ideais do longa de terror 'Acompanhante Perfeita' já não estão distantes o suficiente da nossa realidade.

Solidão gera dependência em IAs

Aplicativos como Tinder Bumble são alguns dos que investem em recomendações personalizadas a partir do algoritmo dos usuários para facilitar a busca pelo par perfeito, mas mesmo as combinações mais estatisticamente ideais não deixam todos os clientes satisfeitos. Leyla Bilge, chefe global de pesquisa de golpes da Norton, diz ter percebido que usuários que se sentem mais isolados no dia a dia são mais propensos a cair em golpes de cunho emocional ou acreditar nas palavras sensíveis de uma IA.

Bilge também alerta para conversas que fogem dos padrões de segurança. “À medida que mais pessoas buscam conexão por meio de aplicativos, chatbots e ferramentas digitais, é fundamental fazer uma pausa, proteger as informações pessoais e lembrar que a confiança verdadeira nunca deve vir acompanhada de pressão ou segredo", revelou a executiva. Antes mesmo da popularização das IAs, golpes de cunho emocional já estavam em alta: em 2022, uma brasileira acreditou estar desenvolvendo um relacionamento com o ator Johnny Depp e direcionou mais de R$ 200 mil de sua aposentadoria ao golpista. 

A busca constante por consolo também é o que move usuários a terem algum chatbot como terapeuta pessoal, quase como um diário que concorda com quase tudo dito a ele. Ainda de acordo com a pesquisa da Norton, 61% dos brasileiros consultados conversam diariamente com IA para resolver problemas amorosos ao invés de desabafar com pessoas do convívio real.

Com tecnologias que hoje permitem simular conversas em vídeo ou texto ainda mais próximas da realidade, o cenário é ainda mais preocupante. "A IA em si não é um golpe, e muitas pessoas sentem que ela é genuinamente acolhedora ou reconfortante, mas ainda é artificial e não há substituto para a conexão humana real", finalizou Bilge. 

Acompanhe tudo sobre:Inteligência artificial

Mais de Inteligência Artificial

SpaceX pede autorização para lançar 1 milhão de satélites para IA no espaço

Brasil pode virar potência global de data centers na era da IA

Como funciona o Moltbot, que transforma computadores em agente de IA

Musk avança em plano para levar a IA ao espaço