WIZC3: Ação tem maior queda diária de sua história após venda de seguradora
Editor de Invest
Publicado em 20 de outubro de 2026 às 14h35.
Última atualização em 20 de outubro de 2026 às 17h57.
A Wiz Co (WIZC3) viveu nesta terça-feira, 20, um dos piores pregões de sua história na bolsa. A ação encerrou o pregão com recuo de 20,02%, a R$ 7,27, depois de a companhia vender ao Banco Inter sua participação de 39,75% na Inter Seguros, a corretora de seguros que opera dentro do aplicativo do banco.
Do outro lado do negócio, o BDR da Inter&Co (INBR34) subiu 6,02%, a R$ 37.
Segundo comunicado ao mercado divulgado pela Inter&Co, listada na Nasdaq, o Banco Inter, controlada indireta da companhia, assinou contrato para comprar as ações ordinárias equivalentes a 39,75% da Inter Digital Corretora e Consultoria em Seguros (Inter Seguros) que pertenciam à Wiz Co Participações e Corretagem de Seguros.
O valor acertado é de R$ 409,5 milhões, corrigido pela variação do CDI e pago no fechamento da operação. A conclusão depende de condições precedentes, entre elas a aprovação do Banco Central e do Cade. Quando o negócio for concluído, o Inter passa a ser o único acionista da corretora.
Pelo valor pago na aquisição, a Inter Seguros inteira fica avaliada em R$ 1,03 bilhão.
A ação da Wiz, que havia fechado a sessão anterior a R$ 9,09, abriu o dia em R$ 8,00, queda de 11,99%. Na mínima, o papel tocou R$ 6,47, desvalorização de 28,82% em relação ao fechamento anterior. O volume financeiro somava R$ 51,69 milhões em 9.188 negócios.
O BDR do Inter, que tinha fechado a R$ 34,90, abriu a R$ 35,28, alta de 1,09%, preço que também marcou a mínima do dia. Na máxima, chegou a R$ 37,39, valorização de 7,13%. O giro era de R$ 28,04 milhões.
A leitura predominante é que a Wiz abriu mão do seu ativo de maior crescimento por um preço considerado baixo. No segundo trimestre de 2026, a Inter Seguros lucrou R$ 37,4 milhões, alta de 35% em um ano.
"Boa notícia? Sim, para o Inter. Para a Wiz, poderia ter sido mais", afirma Ricardo Penha, sócio-fundador do Hub do Investidor. Pelas contas dele, a parte da Wiz nesse lucro gira em torno de R$ 15 milhões por trimestre, ou cerca de R$ 60 milhões por ano. Isso significa que a empresa vendeu a participação por aproximadamente 7 vezes o lucro.
O JP Morgan, que tem recomendação neutra para a Wiz, classificou a venda como negativa para a companhia. O banco lembra que a Inter Seguros cresceu em média cerca de 30% ao ano desde 2020 e considera baixo o valuation da transação. Para o JP Morgan, mesmo com a possibilidade de aquisições ou dividendos, a Wiz perde um negócio com elevado potencial de crescimento.
Outra preocupação é o destino dos recursos. Penha lembra que a Wiz convocou recentemente uma assembleia extraordinária para reduzir o dividendo mínimo obrigatório de 50% para 25% do lucro. "Não querem devolver a grana para o acionista e agora fica a dúvida sobre a capacidade de alocação de capital da companhia", diz.
O #INBR34 fechou um acordo para a compra da participação da #WIZC3 na corretora Inter Seguros e vai assumir a totalidade das ações da empresa.
O banco vai desembolsar R$ 409,4 milhões por 39,75% dos papéis.
Boa notícia? Sim, para o Inter rs. Para Wiz, poderia ter sido mais.
No 2T26 a Inter Seguros lucrou R$ 37,4 milhões, alta de 35% a/a. A parte da Wiz nisso dá uns R$ 15 mi por tri, ou cerca de R$ 60 mi por ano.
Ou seja, ela vendeu a ~7x lucro o ativo de maior crescimento da casa. Além disso, Wiz chamou AGE recentemente, para reduzir o dividendo minimo obrigatório de 50 para 25%.
Não querem devolver a grana para o acionista e agora fica a duvida sobre a capacidade de alocação de K da cia.
— Ricardo Penha, CNPI, CFP® (@r_penhafilho) October 20, 2026
Nem todos enxergam um mau negócio para a Wiz. O Itaú BBA avaliou a venda como positiva para o balanço da companhia. Pelos cálculos do banco, a transação avalia a seguradora em 8,3 vezes o lucro projetado para 2026, acima das 6,2 vezes em que a própria Wiz é negociada.
Com o dinheiro, a Wiz passaria de uma dívida líquida de R$ 138,7 milhões para um caixa líquido de cerca de R$ 271 milhões, antes de ajustes, segundo o Itaú BBA. Os recursos abrem espaço para reduzir dívida, fazer aquisições ou distribuir dividendos.
Cristiane Fensterseifer, analista de investimentos, também avalia que a Wiz saiu bem. A empresa pagou até R$ 114 milhões pelos 40% da corretora em 2019 e agora vende a fatia por R$ 409,5 milhões. Segundo ela, o cheque equivale a 28% do valor de mercado da Wiz.
**INTER FICA COM 100% DA MÁQUINA DE SEGUROS**
O Inter vai pagar R$ 409,5 milhões, à vista, pelos 39,75% q a Wiz tinha da Inter Seguros. Com isso o banco fica com 100% da corretora, q tem mais de 9 milhões de contratos ativos. Ainda depende do Banco Central e do Cade.
**Pq eu achei excelente**
Seguro é uma das receitas mais rentáveis e recorrentes de um banco. Agora o Inter fica com todo esse resultado dentro do próprio app, sem dividir com sócio.E o preço é pequeno: cerca de R$ 1 bi pela corretora inteira, num banco q vale uns US$ 3 bi na bolsa e q cai uns 18% no ano.
**E a Wiz?**
Saiu bem também. Pagou até R$ 114 mi por 40% em 2019 e vende agora por R$ 409,5 mi. O cheque equivale a 28% do valor da empresa na bolsa.— Cristiane Fensterseifer, CNPI, CGA e consultora (@crisinveste) October 20, 2026
Para o Inter, que acumula forte queda das ações em 2026, a avaliação é mais consensual. "Seguro é uma das receitas mais rentáveis e recorrentes de um banco. Agora o Inter fica com todo esse resultado dentro do próprio app, sem dividir com sócio", afirma Cristiane. A corretora tem mais de 9 milhões de contratos ativos.
O JP Morgan, que recomenda compra para o Inter, estima que a operação pode elevar o lucro por ação do banco entre 1,5% e 2% e ampliar a exposição a um negócio com retorno sobre o patrimônio (ROE) entre 75% e 90%.
O banco considera atrativo o preço pago, equivalente a cerca de 5,8 vezes o lucro projetado. A compra é vista como mais um passo na estratégia do Inter de levar seu ROE para perto de 20% nos próximos anos.
O Itaú BBA é mais cauteloso. Para o banco, o impacto imediato no lucro por ação do Inter deve ser limitado, e a transação não é um catalisador relevante de resultados no curto prazo.