Representação do bitcoin (crédito: Erling Løken Andersen/Unsplash)
Editor do Future of Money
Publicado em 19 de agosto de 2026 às 13h29.
Última atualização em 19 de agosto de 2026 às 14h09.
O bitcoin opera em forte alta nesta quarta-feira, 19, disparando depois do meio-dia em um movimento impressionante. A maior das criptomoedas subiu 5% em duas horas, ganhando mais de US$ 3 mil de valor por unidade.
A disparada veio após notícia de que o Tesouro do governo dos Estados Unidos irá dobrar as recompras de títulos para US$ 4 bilhões por operação. Isso significa enfraquecimento do dólar, maior liquidez e fortalecimento da tese do bitcoin como reserva de valor diante da impressão de dinheiro pelos bancos centrais.
Com o anúncio, os rendimentos dos títulos da dívida norte-americana, considerados os ativos mais seguros do mundo, caíram a 4,66%, o que favorece a migração de capital para ativos de risco, como as criptomoedas.
Às 13h19 (horário de Brasília) o bitcoin subia 6,2% em um período de 24 horas, atingindo US$ 68.686 por unidade. Este é o maior patamar de negociação do BTC desde 2 de junho, quando o ativo chegou a operar a US$ 71.399. Ou seja, a moeda digital está em sua máxima em mais de dois meses.
Gráfico do bitcoin no dia 19/08/2026
O ether, segunda maior criptomoeda do mundo em valor de mercado, registra uma alta ainda maior, subindo 9,6%, a US$ 2.097.
Matheus Parizotto, analista do BTG Pactual, destaca que houve uma liquidação de US$ 1,74 bilhão em posições vendidas no mercado de criptoativos nas últimas 24 horas, de acordo com dados do Coinglass. Foi a terceira maior liquidação de investidores no mercado de derivativos em todo o ano de 2026.
Segundo Parizotto, a alta de hoje é uma combinação de três fatores: a melhora nas condições financeiras e de liquidez após o anúncio da ampliação das recompras de títulos pelo Tesouro dos EUA, o ambiente regulatório mais favorável com as normas publicadas ontem pela Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) e a liquidação das posições vendidas.
No caso das recompras do Tesouro, o analista comenta que a notícia melhorou o ambiente de liquidez e apetite por risco. "Criptoativos são uma das classes de ativos mais sensíveis a esse tipo de mudança nas condições financeiras e de liquidez, então tende a reagir de forma mais intensa", explica.
Já sobre a SEC, Parizotto comenta que a proposta apresentada ontem cria caminhos mais claros para ofertas de tokens e abre uma discussão especialmente importante sobre mecanismos que permitam que esses ativos capturem economicamente o valor gerado pelos próprios projetos. "Isso reduz parte da incerteza estrutural que há anos pesa sobre o setor."
Por fim, as liquidações de posições vendidas forçam os investidores a recomprarem no mercado à vista os bitcoins que venderam a descoberto, algo que impulsiona o fluxo comprador.
Ontem, foi registrado um saldo líquido positivo de US$ 189,3 milhões nos fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) de bitcoin à vista dos EUA. Foi o segundo pregão consecutivo de entrada de capital neste tipo de fundo depois de três com fluxo negativo.
O maior alvo do fluxo comprador foi o IBIT, da BlackRock, com US$ 143,6 milhões de excesso de compras de cotas em relação às vendas.
Nos ETFs da criptomoeda ether, por sua vez, o saldo foi positivo em US$ 71,4 milhões.
Entre os indicadores, o índice Fear & Greed (medo e ganância, na tradução literal) das criptomoedas subiu um ponto, indo de 40 para 41 pontos. Com isso, o índice se manteve na zona “neutra”.
O Fear & Greed usa informações como momentum de preços, volatilidade e posições predominantes no mercado de derivativos para criar um score que vai de 0 a 100 pontos. Quanto mais próximo de zero maior é o medo dos investidores, ao passo que valores perto de 100 indicam predominância do otimismo e apetite por risco.
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