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Redação Exame
Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 16h30.
O mercado global de crédito privado, que já se aproxima de US$ 2 trilhões, entra em 2026 sob pressão por escala, eficiência e novos canais de distribuição. No Brasil, a reorganização desse setor ocorre a partir da convergência entre tokenização de ativos reais, duplicata escritural e automação via inteligência artificial, que passam a redefinir a forma como o crédito empresarial é originado, registrado, distribuído e financiado.
Segundo o Project Aurora – Brazil’s Asset Tokenization Opportunity, estudo da AmFi coassinado por Credit Saison (Brasil), Coruja, Pinheiro Neto Advogados e Onigiri Capital, com patrocínio institucional da Núclea, a tokenização do crédito pode reduzir custos operacionais em até 38%, ao automatizar fluxos financeiros, consolidar registros e eliminar intermediários.
O Project Aurora liderado pela AmFi analisa a transição do Brasil da fase de pilotos para a consolidação de estruturas reguladas de crédito privado tokenizado, com foco em recebíveis, fundos de direitos creditórios e instrumentos de dívida lastreados na economia real.
Nesse desenho, a AmFi, em parceria com a SPC Grafeno, lançou também um White Paper que explica mais sobre a duplicata escritural como infraestrutura-chave para organizar o lastro do crédito, reduzir riscos jurídicos e permitir escala no financiamento empresarial.
Esse redesenho do mercado ocorre em paralelo a um ambiente regulatório mais exigente para fintechs e infraestruturas financeiras no Brasil. A agenda conduzida pelo Banco Central, com foco em robustez operacional, governança e integridade do sistema, vem reduzindo assimetrias e filtrando modelos menos estruturados.
O resultado é um ecossistema mais sólido, no qual plataformas com capacidade de execução, compliance e integração ao mercado de capitais encontram melhores condições para escalar soluções de crédito estruturado lastreadas em ativos reais.
A tokenização passa a operar como infraestrutura para escalar o crédito privado, reduzindo custos, ampliando a distribuição e viabilizando o financiamento de pequenas e médias empresas, historicamente menos atendidas pelos bancos tradicionais.
Esse avanço ocorre em sintonia com a agenda regulatória do Banco Central, que vem estruturando as bases para a digitalização segura de ativos financeiros, a automação de fluxos e a integração entre registro, liquidação e supervisão.
No Brasil, plataformas especializadas já operam produtos estruturados de crédito privado tokenizado em ambientes regulados, indicando um avanço relevante em maturidade operacional.
“Quando você reduz fricções e automatiza processos, passa a ser economicamente viável financiar empresas que antes ficavam fora do sistema”, afirma Paulo David, CEO da AmFi.
A duplicata escritural representa a maior reforma do crédito empresarial da última década. Ao substituir práticas informais baseadas em boletos — que são meios de pagamento — e documentos paralelos por um modelo digital, padronizado e rastreável, o título passa a operar com unicidade, controle de ônus, repositório centralizado de informações e maior segurança jurídica.
Em 2026, a duplicata escritural segue firme em fase de testes homologatórios e implantação progressiva, com avanços na padronização dos fluxos, na interoperabilidade entre infraestruturas e na integração com o mercado de capitais, conforme o cronograma da Agenda BC#. O impacto operacional pleno tende a se materializar de forma gradual nos ciclos seguintes, à medida que a adoção pelas empresas e pelos agentes de mercado se amplia.
“A duplicata escritural cria uma fonte única da verdade para o crédito empresarial. Quando o lastro passa a viver em uma infraestrutura digital auditável, o risco cai e o capital flui com muito mais eficiência”, afirma João Pirola, cofundador da AmFi.
O financiamento do crédito no Brasil passa por uma inflexão estrutural, com redução gradual da participação das instituições financeiras tradicionais e aumento da penetração do mercado de capitais como fonte de financiamento.
Esse movimento está associado à reorganização das infraestruturas de crédito, à agenda regulatória da CVM — incluindo ajustes em crowdfunding e estruturas de distribuição — e ao avanço da duplicata escritural como base padronizada dos recebíveis.
Em 2026, o efeito é predominantemente institucional e regulatório, com consolidação de regras, testes e adaptação dos agentes; a materialização mais ampla em volumes e a mudança efetiva na alocação de capital tendem a ocorrer de forma progressiva nos ciclos seguintes.
“O Brasil está migrando de um modelo de crédito concentrado no balanço dos bancos para uma arquitetura mais distribuída, baseada em mercado de capitais e infraestrutura regulada. Esse é um processo gradual, que começa com organização de lastro, padronização de informações e regulação, que em tempo de implantação plena, vai viabilizar finalmente o aumento da relação crédito/PIB no Brasil, ainda tímida em relação a países mais desenvolvidos como nos EUA, por exemplo”, afirma Paulo David, CEO da AmFi.
No Brasil, a regulação deixa de atuar como coadjuvante e passo a funcionar como condição imprescindível para escala. Além da implantação da duplicata escritural e da modernização das infraestruturas de mercado, o Banco Central vem elevando as exigências para as fintechs, com maior foco em capital, governança e controles operacionais.
Esse movimento visa trazer mais robutez para o sistema financeiro, filtra modelos menos estruturados e cria um ambiente mais seguro para o crescimento de plataformas integradas ao mercado de capitais, bem estruturadas e capazes de operar crédito estruturado com lastro, transparência e segurança regulatória.
A discussão sobre criptoativos perde espaço para um debate mais estrutural: o avanço das finanças on-chain, com foco na tokenização de ativos reais sob supervisão regulatória. A tecnologia deixa de ser tratada como fim e passa a ocupar o papel de camada de eficiência, transparência e governança da infraestrutura financeiro-tecnológica.
Nesse novo estágio, a eficiência operacional deixa de ser promessa e passa a ser critério mensurável.
Segundo o Project Aurora, estruturas de crédito privado tokenizado, apoiadas em duplicata escritural e automação de fluxos, podem reduzir custos operacionais em até 38%, principalmente pela eliminação de reconciliações manuais e pela adoção de auditoria contínua ao longo do ciclo das operações.
A inteligência artificial evolui da análise de dados para agentes capazes de automatizar rotinas financeiras, buscar informações e apoiar decisões operacionais, ampliando ganhos de eficiência e exigindo novos modelos de governança, compliance e auditoria.
Em 2026, as stablecoins passam a ganhar espaço como instrumento complementar de liquidação e eficiência operacional, especialmente em pagamentos internacionais e operações financeiras tokenizadas. Com maior atenção regulatória e lastro em moedas fiduciárias, esses ativos reduzem custos, prazos e dependência de intermediários tradicionais.
“Pagamentos com stablecoins são mais eficientes porque reduzem fricções da infraestrutura tradicional e tornam a liquidação e transferência de capaital para investimentos de maneira mais rápida e transparente”, afirma Paulo David, CEO da AmFi.
Em conjunto, essas tendências indicam que 2026 tende a marcar a consolidação de uma nova arquitetura do mercado financeiro brasileiro, baseada em dados, registro, automação e regulação. A combinação entre duplicata escritural, tokenização de ativos reais e inteligência artificial reduz assimetrias de informação, melhora a gestão de risco e cria as bases para um mercado de crédito privado mais eficiente, competitivo e integrado.
Para empresas, investidores e instituições financeiras, o desafio passa a ser adaptar processos, governança e modelos de negócio a uma infraestrutura que já está em construção e deve ganhar escala de forma progressiva nos próximos anos.
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