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Por Felippe Percigo*

O bitcoin sempre foi encarado pela comunidade como uma espécie de ativo imaculado. Foi criado com um propósito “redentor” do sistema financeiro por Satoshi Nakamoto, que ninguém sabe quem é, mas tal mistério não impediu o desenvolvedor de virar um mestre com milhões de discípulos espalhados pelo planeta.

Os entusiastas se orgulham da nobreza da proposta: o dinheiro não deve ser controlado por governos nem entidades, mas por quem ralou para ganhar.

Desde 2008, o bitcoin segue como essa moeda que prega a descentralização e sua blockchain é considerada a mais segura que existe. Enquanto isso, redes como a Ethereum, desenvolvido por Vitalik Buterin e companhia, vêm se transformando em grandes catalisadores de tecnologias, com uma estrutura apta a abrigar projetos que resolvem dores diversas e alimentada por ferramentas nativas muito populares, como as criptomoedas e os NFTs.

Recentemente, porém, o bitcoin vem mostrando vocação também para suportar projetos na trilha dos que vemos em redes como a Ethereum e isso tem criado uma demanda surpreendente na rede.

O bitcoin começou o ano com uma valorização significativa, mas vem perdendo força nas últimas semanas. Por outro lado, o volume de transações na rede bateu máxima histórica e as taxas alcançaram valores de níveis semelhantes aos de 2021 quando da euforia do ciclo de alta.

Os “culpados”?

São eles: os “NFTs” do Bitcoin, impulsionados por meio do protocolo Ordinals, que desenvolveu um esquema de numeração para satoshis, permitindo rastrear e transferir sats individuais, e também um novo padrão experimental de tokens chamado BRC-20. Lembrando que um satoshi (ou sat) é a menor fração de um bitcoin (= 100.000.000 de sats).

O BRC-20 foi lançado no início de março deste ano por um analista conhecido pelo pseudônimo de Domo. Ele funciona com uma dinâmica que lembra os tokens ERC-20 da Ethereum, padrão de base para a criação de criptomoedas.

Os NFTs do Bitcoin e agora os tokens de padrão BRC-20 só puderam ser desenvolvidos graças às atualizações SegWit (2017) e Taproot (2021).

As mudanças promovidas pelas atualizações possibilitaram a adição de dados aos sats, como vídeos, JPEGs e até jogos simples.

A vinculação de informações aos satoshis cria propriedades não fungíveis, erguendo uma estrutura para registros parecidos com os dos NFTs, que na rede do Bitcoin são batizados de “Artefatos Digitais”. Os metadados atrelados aos satoshis são chamados de “inscrições”.

Não apenas os tokens não fungíveis, mas também os tokens fungíveis BRC-20 puderam surgir dessas novas implementações. O primeiro experimento foi o ORDI (do protocolo Ordinals) e, em pouco tempo, temos visto memecoins causando um rebuliço na esfera bitcoiner, como o projeto PEPE.

Vai ficar na história o fim de semana do dia 6 de maio quando a rede Bitcoin viu o número de transações não confirmadas no mempool (uma sala de espera virtual) saltar a um patamar recorde, com as taxas indo às alturas. Até a Binance precisou suspender saques da moeda com o congestionamento. Três dias depois, no dia 9, o market cap dos BRC-20 chegou a superar US$ 1 bilhão.

Todas essas novidades estão causando reações diversas da comunidade. Alguns ativistas acreditam que os novos recursos representam ataques coordenados com o objetivo de causar transtornos à rede. Outros dizem que o movimento causa uma mácula no conceito do bitcoin, desenvolvido com o propósito “elevado” de transformar completamente o sistema financeiro como o conhecemos e não deveria abrigar “supérfluos”.

Por conta disso, circula pela internet e entre a comunidade o receio de que as discordâncias levem a um hardfork da rede, como aconteceu, por exemplo, em 2017 com o surgimento do Bitcoin Cash (BCH), resultante de uma discussão em torno do tamanho dos blocos.

Óticas mais otimistas também correm entre os usuários, incluindo os mineradores, que têm se beneficiado do salto repentino no uso da rede e, consequentemente, do crescimento do valor das taxas cobradas por transação.

O maximalista Michael Saylor, co-fundador da MicroStrategy, apontada como a empresa que detém mais bitcoin em caixa no mundo, disse que está de olho nos Ordinals e avalia o potencial do protocolo, responsável por todo esse frisson, de alavancar o desenvolvimento de aplicativos baseados em Bitcoin.

Ainda que os casos de uso atuais estejam muito voltados para criações mais rasas e especulativas, é provável que a gente veja avanços na direção do desenvolvimento de um ecossistema de inovação com aplicações que solucionem problemas reais das pessoas.

A partir dos tokens BRC-20, dá para vislumbrar a possibilidade de um futuro de crescimento e liquidez para a blockchain do bitcoin. Ao incorporar recursos adicionais, os BRC-20 ganham potencial de integração ao DeFi e GameFi, por exemplo.

A tokenização de ativos do mundo real, como acontece hoje via Ethereum principalmente, também acaba entrando na lista de usos imagináveis, já que passa a ser possível, na rede do bitcoin, definir características e propriedades dos tokens, como oferta, criação e mecanismo de emissão em inscrições.

O que temos até agora, porém, são algumas experiências, que tanto podem evoluir para bons resultados e servir como base para o surgimento de todo um ecossistema como não passar de peças de laboratório.

É aguardar para ver.

*Felippe Percigo é um investidor especializado na área de criptoativos, professor de MBA em Finanças Digitais e educa diariamente, por meio da sua plataforma e redes sociais, mais de 100.000 pessoas a investirem no universo cripto com segurança.

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