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Irã exige pagamento em cripto em acordo de cessar-fogo

Navios devem enviar detalhes da carga por e-mail e pagar em bitcoin em segundos para evitar rastreamento de sanções

Estreito de Ormuz: bloqueio prolongado do canal poderia redefinir o equilíbrio energético global. (Langevin Jacques / Colaborador/Getty Images)

Estreito de Ormuz: bloqueio prolongado do canal poderia redefinir o equilíbrio energético global. (Langevin Jacques / Colaborador/Getty Images)

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Publicado em 9 de abril de 2026 às 09h30.

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O Irã vai exigir que empresas de transporte marítimo paguem pedágios de até US$ 2 milhões por petroleiro em criptoativos para navios de óleo que passarem pelo Estreito de Ormuz durante o cessar-fogo de duas semanas, segundo um porta-voz do sindicato dos exportadores de petróleo do país.

Hamid Hosseini, porta-voz da União de Exportadores de Petróleo, Gás e Produtos Petroquímicos do Irã, afirmou ao Financial Times que Teerã pretende cobrar taxas de cada navio carregado que transitar pela via e fiscalizar a carga de cada embarcação em busca de armamentos.

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US$ 1 por barril, pago em bitcoin

O valor do pedágio é de US$ 1 por barril, podendo atingir US$ 2 milhões para um superpetroleiro totalmente carregado. Navios vazios poderão passar sem custos.

Cada embarcação deve enviar um e-mail para as autoridades iranianas detalhando a carga, recebendo em seguida o valor do pedágio pago em bitcoin.

Segundo Hosseini, a janela para pagamento em cripto é de apenas alguns segundos. Esse sistema foi criado para impedir que as transações sejam rastreadas ou confiscadas devido a sanções internacionais.

“… Após receber o e-mail e concluir a avaliação, o Irã oferece à embarcação apenas segundos para quitar o valor em bitcoin, garantindo que a operação não possa ser rastreada ou confiscada devido às sanções”, publicou o FT citando Hosseini.

A exigência do Irã para que o pedágio no Estreito de Ormuz seja pago em bitcoin indica desafio direto ao sistema do petrodólar.

Ao obrigar os navios a realizar pagamentos em cripto no lugar do dólar, Teerã contorna sanções dos Estados Unidos enquanto cria um precedente que pode enfraquecer o domínio do dólar sobre o comércio mundial de petróleo.

Ameaça militar sustenta exigência do pedágio

A medida demonstra a disposição do Irã em manter influência sobre esse ponto estratégico mesmo enquanto as negociações pelo cessar-fogo avançam. As declarações de Hosseini sinalizam que Teerã exigirá que os petroleiros utilizem a rota ao norte, próxima ao litoral iraniano.

Com isso, crescem questionamentos sobre a disposição de embarcações alinhadas ao Ocidente ou ao Golfo em arriscar a travessia.

Navios da região do Golfo receberam na quarta-feira um comunicado via rádio alertando que embarcações tentando cruzar sem aprovação do Irã serão alvo de ataques militares.

“… Se alguma embarcação tentar cruzar sem permissão, será destruída.”

Washington e Teerã em rota de colisão

A exigência coloca o Irã e Washington em confronto direto. O presidente Donald Trump declarou que o cessar-fogo depende de o Irã concordar com a reabertura total, imediata e segura do estreito.

Ao mesmo tempo, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã propôs um novo protocolo para trânsito seguro, coordenado junto às Forças Armadas do país.

O conselho apresentou dez pontos de negociação, incluindo a supervisão militar de todas as atividades de passagem.

A forma como esse impasse será solucionado definirá não apenas a sobrevivência do cessar-fogo, mas também o futuro do tráfego global de óleo pela principal via estratégica do planeta.

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