Criptomoedas em queda: bitcoin chega ao menor preço dos últimos 15 meses

Políticas monetárias, guerra, covid-19 e colapso em uma das maiores criptomoedas estão por trás de pessimismo que domina o setor; bitcioin registra menor preço em mais de um ano
Bitcoin registrou o menor preço desde janeiro de 2021 na manhã desta quarta-feira (D-Keine/Getty Images)
Bitcoin registrou o menor preço desde janeiro de 2021 na manhã desta quarta-feira (D-Keine/Getty Images)
Por Gabriel RubinsteinnPublicado em 11/05/2022 11:47 | Última atualização em 11/05/2022 11:47Tempo de Leitura: 3 min de leitura

A queda generalizada de preços continua no mercado de criptomoedas. Na manhã desta quarta-feira, 11, o principal ativo digital do mundo deu mostras da força da pressão vendedora e do pessimismo que tem dominado o setor nos últimos dias: o preço do bitcoin caiu para US$ 29.367 na mínima do dia, o menor valor desde janeiro de 2021.

Os números negativos atingem todas as 20 maiores criptomoedas do mundo por valor de mercado, com quedas que superam os 20% nas últimas 24 horas em ativos como SOL, AVAX, DOGE, SHIB e MATIC e acima de 10% na maioria dos demais. O bitcoin, por sua vez, tem queda de cerca de 3% no momento, após recuperar a faixa dos US$ 31.000. O mesmo acontece com o ether, da rede Ethereum, que cai 3,2%, cotado a US$ 2.337.

O prejuízo não é exclusividade do mercado cripto, mas de todos os mercados de risco globais, que acumulam forte queda nos últimos dias. A Dow Jones, por exemplo, perdeu mais de 4% nos últimos cinco dias, enquanto o índice Nasdaq perdeu mais de 7,7% de valor no mesmo período. No Brasil, o Ibovespa tem 3,1% de queda nos últimos cinco dias. Apesar disso, os três já operam em alta nesta quarta.

No mercado de ativos digitais, por outro lado, a queda continua e já passa de 7% nas últimas 24 horas, considerado o valor de mercado total do setor, que caiu de US$ 1,47 trilhão para os atuais US$ 1,37 trilhão.

As causas para a queda do mercado cripto passam por uma série de fatores, que incluem os contextos de guerra na Ucrânia, nova onda de covid-19 na China e, principalmente, políticas econômicas de grandes economias como os EUA, onde a inflação bate seguidos recordes e a taxa de juros sobe para os maiores patamares dos últimos anos, provocando uma fuga de capital dos mercados de risco.

Além disso, o setor também sofre com casos específicos, como o da criptomoeda LUNA, token nativo do blockchain Terra, que chegou a ocupar o Top 5 de maiores criptomoedas do mundo por valor de mercado, quando seu market cap atingiu o recorde de mais de US$ 40 bilhões em abril. Por uma falha de gestão do protocolo, o token despencou mais de 99%, caindo do recorde de US$ 119 para menos de um dólar nesta manhã - agora, se recuperou e é negociado por volta de US$ 4,50.

Com o grande volume de vendas dos tokens LUNA e da stablecoin UST, que é parte do mesmo protocolo Terra, um grande fluxo de capital foi retirado do mercado. Além disso, o colapso em uma das maiores criptomoedas do mundo também causou preocupação em investidores, que desfizeram suas posições em outros projetos que ainda não apresentam a estabilidade de redes como Bitcoin e Ethereum.

Apesar do pessimismo ainda tomar conta do mercado cripto, a recuperação vista nas bolsas de valores pode ter reflexos no setor, já que ambos ainda apresentam forte correlação - em especial a Nasdaq, ligada às empresas de tecnologia. É essa proximidade que explica a rápida recuperação do bitcoin da mínima abaixo de US$29.400 para os atuais US$ 31.500, em movimento que aconteceu em poucos minutos.

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