Por que criptomoedas são erroneamente associadas a pirâmides financeiras?

Retorno garantido em um curto prazo é uma das principais características de empresas fraudulentas que utilizam criptomoedas como fachada

Os criptoativos surgiram em 2009, com a criação do Bitcoin por "Satoshi Nakamoto" (pseudônimo de um sujeito não identificado oficialmente até hoje). A ideia da moeda digital, a princípio, era revolucionar os meios de pagamento na internet, sem que as transações dependessem de um intermediário (bancos). Os registros contábeis das transações que envolvem o bitcoin são feitos no sistema blockchain que, segundo especialistas, é bastante seguro e confiável.

As criptomoedas trouxeram uma verdadeira revolução aos meios de pagamento ao introduzir os sistemas de registro distribuídos. Com a inovação, empresas e governos do mundo todo já estudam a emissão de suas próprias moedas digitais. O tema será discutido nesta quinta-feira, 26, no painel do Future of Money, o maior evento sobre o futuro do dinheiro na América Latina. Para acompanhar, increva-se aqui.

Com o crescimento da popularidade da criptomoeda, entretanto, algumas pessoas começaram a se valer da falta de conhecimento do próximo para cometer fraudes oferecendo falsos investimentos em criptomoedas.

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As famosas "Pirâmides Financeiras", que já existiam muito antes das criptomoedas, começaram a crescer se travestindo de empresas que negociam bitcoins (ou outras criptomoedas) de forma automatizada e oferecendo lucros exorbitantes. O problema é que, além de lesar pessoas e ser um crime, essas fraudes acabam deixando as moedas digitais com uma má fama.

As pirâmides financeiras são esquemas criminosos que prometem retornos rápidos aos seus clientes. Geralmente, essas empresas fraudulentas possuem páginas na web e em redes sociais, supostos sistemas próprios para negociar as criptomoedas e prometem ao investidor um lucro que não condiz com a realidade do mercado.

O crime de pirâmide financeira se enquadra na Lei nº 1521, de 26 de dezembro de 1951. São punidos, nesta lei, os crimes e as contravenções contra a economia popular. A pirâmide financeira possui esse nome por causa de seu sistema de funcionamento, onde o novo investidor fica responsável por remunerar o antigo. Dessa forma, quem está no topo sempre sai ganhando e quanto mais pessoas aderem, mais dinheiro entra no negócio. A estrutura, porém, é insustentável e, em algum momento, as pessoas que entraram no esquema param de receber sua parte.

Para evitar ser engando e cair em esquemas fraudulentos, o investidor deve tomar cuidado com alguns fatores típicos dessas empresas.

  • Cuidado com retornos garantidos: "Se você ver lucro garantido ou rentabilidade garantida, você já deve começar a se preocupar. Isso porque os únicos investimentos que garantem retorno são os investimentos em renda fixa, geralmente ativos pré-fixados, que são investimentos regulados, completamente diferente dos que são oferecidos nestes esquemas fraudulentos", afirma o analista da EXAME Research, Nicholas Sacchi.
  • Recrutamento de pessoas: "A dependência de recrutamento é um sinal vermelho: se o seu retorno depende de recrutamento de mais gente, tem algo errado no negócio porque se você precisa trazer mais gente para conseguir se dar melhor, significa que este esquema é algo que se retroalimenta e ele vai tirar da base pra pagar no topo, então, muito provavelmente, é pirâmide financeira", destacou Sacchi.
  • Parece bom demais para ser verdade: "Qualquer tipo de esquema que te prometa enriquecimento rápido, pule fora, porque com certeza é algum tipo de fraude", afirma Sacchi.
  • Ficar atento aos artifícios de persuasão que mexem com os sentimentos e emoções. Ou seja, a promessa de carros, mansões, viagens e outros argumentos que podem mexer com a sua ganância e emoções são sinais de alerta, pois muitas vezes as pirâmides utilizam esses fatores.

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Investimento em bitcoin é seguro

Sacchi explicou que o investimento em bitcoin é seguro. "Bitcoin é seguro porque a estrutura da rede não depende da confiança numa contraparte para o registro das transações e por sua escassez digital programada", disse Sacchi. É preciso, entretanto, ter cuidado com as propagandas enganosas que utilizam o bitcoin para maquiar esquemas corruptos de pirâmides financeiras.

Para investir em bitcoin, a pessoa deve separar sempre a parte do seu dinheiro que não irá fazer falta no final das contas, segundo o analista de criptomoedas da EXAME Research. "A regra de ouro é investir o dinheiro da pinga e não o do leite. Em termos práticos, isso significa alocar, no máximo, 5% do seu patrimônio total nessa classe de ativos. Eu sei, com retornos tão promissores, pode parecer bastante convidativo alocar uma parcela maior do seu portfólio nisso. Até acho que você pode ir por esse caminho, mas quando tiver mais conhecimento sobre esse mercado, entender completamente os riscos envolvidos nesse tipo de investimento e, acima de tudo, tiver confortável com a força das oscilações de preço que aparecem por aqui", explicou Sacchi.

Mesmo tendo uma volatilidade considera alta, o investimento em bitcoin é indicado para qualquer perfil de risco. "O ativo representa um mecanismo legítimo de proteção contra variações cambiais do dólar frente ao real e de proteção contra inflação monetária do dólar e de outras moedas. Portanto, desde que se respeite a regra de ouro, considero crucial a inclusão de criptoativos no seu portfólio", disse o analista da EXAME Research.

Sacchi também falou sobre a diferença de se investir em moedas físicas e em bitcoin. Segundo ele, investir em bitcoin é investir em uma classe de ativos completamente diferente. "Enquanto investir em moeda se refere a compra de moedas soberanas e fiduciárias, o bitcoin é a compra do ativo por trás de uma infraestrutura financeira completamente nova e sem precedentes na história", destacou o analista.

Investir em criptomoedas é algo normal no mercado financeiro. Entretanto é preciso ficar atento aos riscos e não entregar o dinheiro que você pretende investir nas mãos de qualquer pessoa ou empresa, principalmente as que oferecem ganhos garantidos e fáceis.

Alta das criptomoedas

As criptomoedas estão em alta. Na última segunda-feira (23), o ethereum, que é a segunda maior moeda digital no mercado, avançou 7% e atingiu o maior valor desde junho de 2018.

Segundo especialistas, o ethereum foi impulsionado pelo crescimento da demanda dos investidores, que acontece dias antes de uma atualização na rede blockchain, que deve ficar mais rápida e segura. Na semana passada, o bitcoin teve alta de 10% e foi negociado a US$ 18.554, ficando próximo de sua máxima de US$ 19.666. Em comparação com o mês de novembro do ano passado, o Bitcoin já acumula uma alta de 40%. No acumulado do ano, o avanço é de 165%.

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