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Cripto veio "para ficar": líder global da Mastercard aposta em blockchain e elogia papel do Brasil

Em entrevista exclusiva à EXAME, Raj Dhamodharan falou sobre planos do gigante de meios de pagamento envolvendo o mundo cripto

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Raj Dhamodharan é o vice-presidente executivo da Mastercard para cripto e blockchain (Mastercard/Divulgação/Divulgação)

Raj Dhamodharan é o vice-presidente executivo da Mastercard para cripto e blockchain (Mastercard/Divulgação/Divulgação)

Apesar de ser uma das maiores e mais tradicionais empresas da área de meios de pagamento, a Mastercard segue de olho em possíveis inovações e mudanças nesse ecossistema. E uma das prioridades da companhia envolve o blockchain e as criptomoedas, com um esforço para desenvolver "casos de uso no mundo real" e expandir a adoção da tecnologia.

É o que afirma Raj Dhamodharan, vice-presidente executivo da Mastercard. Em entrevista exclusiva para a EXAME, o líder global da empresa para a tecnologia blockchain e os criptoativos avaliou que eles "vieram para ficar" e têm tido uma adoção crescente no mercado. Mesmo assim, eles ainda enfrentam desafios, que estão no radar da Mastercard.

Mastercard e blockchain

Há mais de quatro anos no cargo, Dhamodharan explica que seu grande objetivo é "encontrar aplicações no mundo real para a tecnologia blockchain", a mesma que está por trás do bitcoin, ether e outras criptomoedas. Entre as mudanças trazidas pela tecnologia, ele cita a capacidade de tokenizar qualquer ativo e representá-los nessa rede, dando mais transparência e eficiência.

O executivo pontua que o blockchain e as criptomoedas foram inventados ao mesmo tempo, mas a evolução de perspectiva da Mastercard ocorreu quando "houve a descoberta que essa tecnologia é muito útil para vários setores financeiros já existentes. Em geral falamos de bitcoin e ether, mas não falamos que existe uma versão digital já do dinheiro, os depósitos bancários, que as pessoas já usam e é altamente confiado pela população".

Para Dhamodharan, a tecnologia blockchain pode beneficiar exatamente a área de depósitos bancários, "empoderando o próximo ciclo de inovação no setor financeiro". "A nossa convicção com a tecnologia nunca mudou. Nós acreditamos que ela já está madura para ser aplicada de um jeito seguro e regulado", ressalta.

Isso não significa, porém, que o líder da Mastercard descarta as criptomoedas. "Nós apoiamos as criptomoedas, elas também têm uma utilidade. É mais sobre o que criar para qual propósito. Vemos cripto como classe de investimento, e vão continuar existindo dessa forma. Elas vieram para ficar, e além disso possuem uma tecnologia por trás [o blockchain] que pode ser aplicado em outras áreas", opina.

Nesse sentido, ele avalia que a Mastercard não busca colocar o blockchain contra as criptomoedas, mas sim entender as vantagens e os riscos de cada um e suas possíveis aplicações. No caso das criptomoedas, ele avalia que o maior desafio para a expansão de usuários é a incorporação das regulações por parte das empresas do setor, assim como a garantia de uma experiência de usuário simples. Ele resume o desafio como "segurança e simplicidade".

Já no caso do blockchain, ele considera que a maior necessidade é que as instituições financeiras expandam a adoção da tecnologia: "Quanto mais instituições se conectarem a essa infraestrutura, mais o uso vai se expandir. Precisamos que os segmentos financeiros do dia a dia passem a usá-la. Mas eles só farão isso se houver um dinheiro regulado para ser usado lá".

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CBDCs e o Brasil

Citando o desejo de grandes empresas do mercado de usar moedas reguladas em blockchains, Dhamodharan destaca o papel central que as moedas digitais de bancos centrais (CBDCs, na sigla em inglês) deverão ter. As moedas conseguem "juntar o melhor do blockchain com o melhor do setor financeiro", integrando moedas fiduciárias e reguladas nas redes blockchain.

A partir daí, é possível tornar as operações programáveis, assim como os próprios depósitos bancários. Como exemplo, o executivo da Mastercard cita o Brasil, que atualmente está desenvolvendo sua CBDC, o Drex. "O Brasil está liderando parte dessa inovação por causa do Banco Central, que tem uma postura bem-pensada, progressiva".

"Cada país vai tomar decisões sobre design, propósitos e casos de uso das CBDCs. Eu espero diferentes CBDCs, com diferentes motivações. Não vamos julgar isso, mas sim ser um parceiro para ajudar o design para que tenha um alcance máximo", explicou. Atualmente, a Mastercard é uma das participantes nos testes com o piloto do Drex.

Dhamodharan comenta que "nos últimos 12 meses estivemos em lugares como Hong Kong, Austrália, Cazaquistão, Reino Unido e outros mercados em que estamos ajudando no design das CBDCS, mostrando quais casos de uso podem existir e como conectá-los".

O líder de cripto da empresa explica que as CBDCs são divididas entre as de varejo, voltadas para os consumidores, e as de atacado, caso do Drex. Especificamente sobre as de atacado, ele pontua que "é um grande caso de uso, porque torna mais fácil para instituições processarem transações B2B, de forma mais simples e ágil".

"Achamos que o Brasil está na vanguarda disso. Poucos países implementaram um sistema como o Drex, e o Brasil já tem. É uma estrutura inovativa, com CBDCs e os depósitos bancários já tokenizados, então estamos animados", destaca.

Projetos e 2024

Um dos principais projetos que a Mastercard deverá lançar em 2024 é o Mastercard Crypto Credential, que foi anunciado em 2023. Dhamodharan define o projeto como uma "VPN para os blockchains", que permitirá garantir a autenticidade dos usuários e o cumprimentos com regras de compliance e KYC para os endereços em blockchains.

"Temos vários blockchains públicos hoje, dúzias, mas tem uma dificuldade que é verificar a contraparte em uma transação no blockchain. Não tem um framework para garantir que as transações estão seguindo as leis. O MCC fornece esse framework, de KYC, para que todas as contrapartes saibam que, ao usar um endereço, qual é a contraparte, onde está, quem manda, se fez o KYC, com uma empresa apoiando por trás, sem usos com fins ilícitos", explica.

A expectativa é que o projeto seja lançado "muito em breve". Há, ainda, planos para expandir o Mastercard MultiToken Network, sistema que permite que empresas tokenizem seus depósitos bancários. Já disponível no Reino Unido, a ideia é expandir a tecnologia para outros países em 2024.

"Vamos focar em trazer casos de uso do mundo real. Não pode ser só comprar critpmoedas, é como resolver as dores de empresas e consumidores, e nosso foco está no B2B, em áreas como transações transfronteiriças e negociação de ativos", explica Dhamodharan.

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