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A digital map of the earth and huge network. (City Lights 2012 - Flat map -https://images.nasa.gov/details-GSFC_20171208_Archive_e001589 - Softwar:3dsMax, Adobe After Effects, and Photoshop) (Getty Images/Reprodução)
Redação Exame
Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 11h00.
O mercado cripto vem crescendo a passos largos no Brasil e a nossa adoção tem características bastante distintas dos nossos vizinhos sul-americanos. Enquanto a adoção de cripto em países como Venezuela e Argentina foi baseada na necessidade das pessoas manterem seu dinheiro protegido da hiperinflação, no Brasil temos uma característica de adoção institucional muito mais forte.
Entretanto, para que essa tendência de adoção institucional persista, há desafios. As instituições têm demandas mais sofisticadas do que pessoas físicas que desejam apenas proteger seu patrimônio: há necessidade de aderência a diversas regulações, inclusive de privacidade de dados, expressividade na tradução das regras de negócio para o mundo blockchain e maturidade na infraestrutura utilizada para movimentar altas quantias monetárias.
Esses requisitos são desafiadores, especialmente considerando que a capacidade computacional do blockchain é bastante limitada e que o Ethereum, blockchain com maior adoção institucional, é programado em uma linguagem criada para ele, que ainda carece das bibliotecas e maturidade das linguagens tradicionalmente adotadas nos sistemas tradicionais da Web2.
Na Cartesi atacamos esse problema de frente: desenvolvemos uma tecnologia open source que permite que cada aplicação tenha um poderoso computador disponível para si, mantendo as características de segurança e descentralização do blockchain onde for utilizada. Esse computador tem uma arma secreta especialmente relevante para a adoção institucional: o sistema operacional Linux.
O sistema Linux é responsável por manter boa parte da infraestrutura global, sendo responsável por operar desde aparelhos pequenos como câmeras e eletrônicos residenciais como televisores e roteadores Wi-Fi até os servidores que movem a internet em serviços como Google e WhatsApp. E por que isso é relevante para a adoção institucional?
O uso de Linux permite que as instituições tenham no blockchain o mesmo ferramental com os quais estão acostumados em Web2 trazendo não somente a expressividade necessária para implementar os sofi sticados casos de uso que demandam como também a segurança de usar bibliotecas e linguagens que já são extremamente maduras e usadas em sistemas críticos no mundo todo em áreas sensíveis como as fi nanceiras e industriais.
O Brasil tem um enorme potencial na economia regenerativa, inclusive no mercado local e global de créditos de carbono. No final do ano passado foi criado o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE) que permite que empresas e países compensem suas emissões por meio da compra de créditos vinculados a iniciativas de preservação ambiental.
As tecnologias de blockchain tem grande potencial para soluções em crédito de carbono, pois a imutabilidade e publicidade de seus registros garantem alta transparência e auditabilidade do processo, características fundamentais para a legitimidade dos créditos de carbono.
Os modelos para validação dos dados para a geração dos créditos de carbono muitas vezes são complexos e demandam alta carga de processamento, muito além do que blockchains tradicionais oferecem, e uma solução para o processamento destes dados certamente deverá fazer uso de uma tecnologia que permita efetuar esse tipo de computação mantendo as características de segurança e verificabilidade encontradas no blockchain.
Outro mercado que deve crescer muito nos próximos anos é o de produtos financeiros vindos de instituições financeiras tradicionais. Diversos bancos e instituições financeiras já estão oferecendo a compra e venda de diversos tokens além de ETFs em bitcoin e ether, mas o próximo passo é trazer uma ampla gama de produtos que possuem demandas computacionais mais complexas.
Avaliação de risco em empréstimos, gestão de ativos do mundo real (os famosos RWAs), robôs de trading e muitos outros produtos financeiros devem decolar em um futuro próximo e aqueles que oferecerem soluções com alto nível de transparência e segurança devem se consolidar como líderes, capturando o mercado daqueles que oferecem soluções ainda muito calcadas em processamentos centralizados que demandam confiar na entidade que os gerou.
*Carlo Fragni é engenheiro de software sênior na Cartesi.
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