Seleção brasileira de terno? Ricardo Almeida desenha roupas dos jogadores

O alfaiate se inspirou em desenhos típicos do Catar para fazer os paletós e calças dos atletas e da comissão técnica na Copa do Mundo
 (Ricardo Almeida/Divulgação)
(Ricardo Almeida/Divulgação)
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Ivan PadillaPublicado em 16/09/2022 às 06:30.

Nem só agasalhos esportivos vestirão os jogadores da seleção brasileira na Copa do Mundo do Catar, a partir de novembro. Nos deslocamentos entre hotéis e estádios e em recepções mais formais, os atletas precisam vestir costume, nome apropriado do terno sem o colete. Assim como na Copa de 2018, na Rússia, os trajes estão sendo assinados pelo alfaiate Ricardo Almeida.

Mas não espere um tradicional conjunto de calça e paletó. Almeida desenhou para os jogadores uma camisa de linho, tecido apropriado para o calor local, em gola Mao. Eles também usarão uma echarpe leve com trama aberta, desfiada, em referência aos lenços usados na região, mas com uma modelagem mais próxima das peças ocidentais.

O tecido é uma lã leve em tom claro de cinza. Por dentro, o forro trará estampa paisley com elementos culturais de Brasil e Catar. Para isso, a equipe de 50 pessoas do estilista brasileiro pesquisou referências artísticas, arquitetônicas, urbanísticas e a paisagem desértica do Qatar. Já a comissão técnica vai usar peças mais clássicas, camisa de algodão com micro estampa xadrez e gravata de seda.

Terno Ricardo Almeida para Copa do Catar

Terno Ricardo Almeida para Copa do Catar: comissão usará roupa mais tradicional (Ricardo Almeida/Divulgação)

“As duas bandeiras são compostas de elementos geométricos. A estética do Catar encontra os elementos da arte indígena e da natureza brasileira, junto com as taças dos mundiais e bolas de futebol. Uma estampa rica em detalhes e homenagens ao país sede”, afirma o estilista.

Segundo Almeida, o resultado quebrou a seriedade convencional da alfaiataria masculina, imprimiu a identidade espirituosa dos jogadores e criou uma solução fresca para se adequar ao clima quente e desértico da região.

Tite, Neymar e seleção

Esta é a segunda vez que Ricardo Almeida, talvez o nome mais forte da alfaiataria brasileira, desenha os uniformes formais da seleção brasileira. A primeira vez foi na Copa passada, em 2018, na Rússia. O tecido usado então foi a lã fria com efeito changeant, que muda sutilmente de tom conforme a luz. No forro do paletó a estampa era formada por desenhos das taças das Copas conquistadas pelo Brasil.

A camisa e a gravata também eram então da cor azul, formando um conjunto monocromático. Outra diferença então era a modelagem. O costume de 2018 era o que se convencionou chamar de slim fit, mais rente ao corpo. Era a estética predominante então nas passarelas de moda. E Ricardo Almeida caprichava na falta de tecido.

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De lá para cá, e principalmente na pandemia, a estética masculina vem sendo dominada por formas mais amplas. As calças estão mais folgadas e os paletós, mais soltos. Depois de muitos anos defendendo os formatos mais apertados, assim como os demais estilistas e as marcas internacionais de moda, Almeida aderiu ao relaxamento das formas.

Sorte dos atletas, que poderão sentar e se locomover com muito mais naturalidade. “Moda é um reflexo comportamental da sociedade. Com a pandemia, as roupas ficaram mais soltas e o conforto passou a ser ponto essencial para decisão de compra. Para criar é necessário levar em consideração a atmosfera do momento”, diz Almeida.

Todos os 75 trajes foram feitos sob medida. A complicada logística envolveu diversas viagens à Europa. Nesses últimos meses foram feitas entre quatro a cinco provas com todos jogadores e demais membros da equipe. Os últimos acertos serão feitos pela equipe do alfaiate na semana que vem, em Paris, onde a seleção disputa dois amistosos, contra Gana e Tunísia.

Requisitado por empresários e políticos, Ricardo Almeida já vestia o treinador Tite e alguns atletas, como Neymar Jr. O convite para vestir toda a seleção em 2018 foi natural. A seleção não levou então o troféu. Mas não foi por falta de elegância.

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