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RAIZ e o futuro da agricultura regenerativa: um dos legados da COP30

Programa global anunciado na conferência climática em Belém promete mudar a escala de financiamento para restaurar áreas degradadas

O RAIZ será particularmente relevante para  pequenos e médios agricultores no Sul Global, mobilizando recursos financeiros e políticas públicas (Syngenta/Divulgação)

O RAIZ será particularmente relevante para  pequenos e médios agricultores no Sul Global, mobilizando recursos financeiros e políticas públicas (Syngenta/Divulgação)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 3 de dezembro de 2025 às 15h30.

*Rodrigo Lima e Kamyla Borges

A COP30 abriu um espaço único para debater as soluções que os sistemas agrícolas trazem para mitigação e adaptação.

No contexto do Grupo de Sharm El-Sheikh sobre ações climáticas de agricultura e segurança alimentar, o portal online passou a receber políticas e projetos e amplificou a importância do financiamento climático para a implementação de projetos.

Em 2026, será aprovado  novo mandato para esse grupo, o que sugere que é preciso conectar financiamento e cooperação para estimular as ações climáticas de agricultura.

Além dos eventos nos espaços formais da COP30, a Agrizone, coordenada pela Embrapa, reuniu quase 30 mil pessoas para conhecer e pensar os desafios para as soluções de agricultura e pecuária.

O financiamento climático também foi bastante  discutido. O Roadmap Baku-Belém para a meta de US$ 1,3 trilhão deverá nortear os trabalhos nos próximos anos. É essencial destacar o lançamento do RAIZ – Resilient Agriculture Investment for Net-Zero Land Degradation, que promete mudar a escala de financiamento para restaurar áreas degradadas.

Com apoio do Instituto Clima e Sociedade e suporte técnico da AGROICONE e de outros parceiros e coordenado pelo Ministério da Agricultura e pela FAST/FAO, o RAIZ reúne dez países e nasce como uma plataforma global para enfrentar um desafio crítico: mais de 20% das terras agrícolas do mundo estão degradadas, comprometendo segurança alimentar, produtividade e metas climáticas.

Hoje, estima-se que restaurar florestas e áreas agrícolas exigiria US$ 300 bilhões por ano, mas apenas US$ 65 bilhões são investidos globalmente.

O Brasil, ao sediar a COP30 e anunciar metas ambiciosas — como restaurar 40 milhões de hectares no âmbito do Programa Caminho Verde —, assumiu papel de liderança.

O RAIZ será particularmente relevante para  pequenos e médios agricultores no Sul Global, mobilizando recursos financeiros e políticas públicas para a transformação de áreas degradadas em sistemas agropecuários resilientes e regenerativos.

Outra iniciativa - TERRA, do Ministério do Desenvolvimento Agrário - prevê a mobilização de modelos de financiamento, capacitação e apoio técnico para adoção de sistemas agroecológicos e bioinsumos.

Sem restaurar terras degradadas e financiar a transição dos sistemas agrícolas, os países manterão um ciclo de ocupação, uso e degradação. O RAIZ permitirá evoluir nos desafios de mobilizar recursos para transformar áreas degradadas em solos produtivos.

*Rodrigo Lima é sócio-diretor da Agroicone e Kamyla Borges é líder especialista em uso da terra e agricultura sustentável do Instituto Clima e Sociedade

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