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PepsiCo aposta no Brasil para agricultura regenerativa de baixo carbono

Com escala agrícola e inovação, país se torna peça-chave da estratégia sustentável da multinacional

Agricultura regenerativa de baixo carbono: atualmente, a PepsiCo processa cerca de 450 mil toneladas de matérias-primas por ano, sendo 95,5% de origem local (FG Trade Latin/Getty Images)

Agricultura regenerativa de baixo carbono: atualmente, a PepsiCo processa cerca de 450 mil toneladas de matérias-primas por ano, sendo 95,5% de origem local (FG Trade Latin/Getty Images)

EXAME Solutions
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Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 10h20.

Última atualização em 9 de fevereiro de 2026 às 10h20.

Em um momento em que a indústria de alimentos discute estratégias para reduzir emissões de carbono, preservar recursos naturais e garantir a segurança alimentar, a PepsiCo vem reposicionando o seu modelo de negócios a partir de uma estratégia que parte do entendimento de que os desafios climáticos não são apenas um tema ambiental, mas um risco estrutural para o próprio negócio.

“Para a indústria de alimentos, em particular, uma produção orientada pela sustentabilidade é fundamental por dois fatores interligados: impacto climático e segurança operacional e de abastecimento. O sistema alimentar está em um ponto de inflexão, e a ação coletiva é necessária para proteger o futuro da agricultura”, explica Jim Andrew, EVP e Chief Sustainability Officer da PepsiCo, em entrevista à EXAME.

Para promover o crescimento conjunto entre negócio e sustentabilidade, a companhia desenvolveu uma agenda ESG que busca transformar toda a cadeia de valor, da agricultura ao pós-consumo, com foco na transição para uma economia mais verde. Para além de atingir metas de sustentabilidade, essa agenda, batizada de PepsiCo Positive (pep+), busca escalar a agricultura regenerativa e a descarbonização.

“Dependemos de um fornecimento seguro de culturas e ingredientes para produzir nossos alimentos e bebidas. Portanto, nosso negócio depende essencialmente de um sistema agrícola global robusto. Trabalhar para fortalecer a resiliência desse sistema é, assim, do nosso interesse como empresa. Hoje, temos na PepsiCo uma meta global de ampliar a adoção de práticas regenerativas, restaurativas ou protetivas em 10 milhões de acres até 2030 (mais de 4 milhões de hectares)”, afirma Andrew.

Brasil como exemplo global

Neste contexto, o Brasil assume um papel estratégico para a multinacional. O país se tornou uma espécie de laboratório vivo da PepsiCo Positive, reunindo escala agrícola, biodiversidade e capacidade de inovação. Com isso, a operação brasileira se tornou referência global em sustentabilidade dentro da companhia, especialmente no avanço da agricultura regenerativa.

Atualmente, a PepsiCo processa cerca de 450 mil toneladas de matérias-primas por ano, sendo 95,5% de origem local. No caso da batata, base de marcas como Lay’s®, Ruffles® e Elma Chips®, 100% da produção já adota pelo menos duas práticas regenerativas, como uso de plantas de cobertura, bioinsumos e manejo eficiente da água.

Regina Teixeira, diretora sênior de Assuntos Corporativos da PepsiCo Brasil, explica que o país virou benchmark porque consegue conciliar sustentabilidade ambiental, segurança alimentar e rentabilidade econômica. Segundo a executiva, o trabalho de duas décadas em parceria com produtores permitiu dobrar a produtividade dos campos de batata, ao mesmo tempo em que se reduziu o impacto ambiental da produção.

“Apoiamos a expansão de práticas como monitoramento com drones, irrigação mais eficiente, previsibilidade climática e redução do uso de água e insumos. Mantemos, ainda, quatro fazendas modelo, três de batata e uma de coco, focadas em treinamento, com financiamento e tecnologia para agricultores parceiros e não parceiros. Tudo isso promove mais sustentabilidade, mas também reduz custos para o produtor”, avalia Teixeira.

Os números ajudam a dimensionar esse avanço. Cerca de 90% dos fornecedores de batata já utilizam bioinsumos, reduzindo a dependência de fertilizantes químicos. Segundo a PepsiCo, estudos conduzidos em 1.700 hectares mostram que o uso de plantas de cobertura pode elevar a produtividade em até 22%.

Andrew destaca que o Brasil também é um dos principais mercados globais da companhia, o que reforça a importância de investir em sua sustentabilidade e prosperidade de longo prazo. “O papel do país vai além da produção; ele é um polo estratégico de biodiversidade, segurança alimentar e inovação, essencial para a resiliência da cadeia global de suprimentos.”

Lay’s®: 100% da produção já adota pelo menos duas práticas regenerativas, como uso de plantas de cobertura, bioinsumos e manejo eficiente da água (PepsiCo/Divulgação)

Além do campo

A estratégia da companhia engloba, ainda, outras partes da cadeia produtiva. Na etapa industrial, a fábrica de Itu, no interior de São Paulo, é a primeira da companhia no mundo a operar com três conquistas simultâneas: uso exclusivo de energia renovável (biometano), reuso total da água utilizada na produção e status de “Zero Aterro”, com reciclagem ou reaproveitamento de todos os resíduos.

O biometano utilizado em Itu é produzido a partir de resíduos de aterros sanitários, como o de Caieiras (SP), um dos maiores do mundo. Com uma estação própria, a planta abastece tanto a operação de snacks quanto parte da frota logística, reduzindo cerca de 10.800 toneladas de gases de efeito estufa por ano — o equivalente ao plantio de 75,5 mil árvores ao longo de 20 anos. “Itu prova que uma indústria de alimentos de baixíssima emissão é viável hoje, não no futuro”, resume Teixeira.

A gestão hídrica é outro pilar central. Nos últimos anos, a PepsiCo reduziu em mais de 50% o consumo de água por quilo de alimento produzido no Brasil, chegando a 1,7 litro/kg. Só em Itu, 18 milhões de litros de água por mês são reutilizados no processo produtivo. Outras fábricas contam com usinas termossolares, e produtos como o Toddynho já são fabricados com energia 100% renovável.

A logística também é um ponto contemplado no modelo de sustentabilidade da PepsiCo, em especial com o investimento na eletrificação de sua frota, que conta com mais de 4 mil veículos. Hoje, mais de 180 veículos são elétricos ou movidos a gás, e 20% das novas compras de caminhões, em 2023, já seguiram esse padrão. Há ainda projetos de retrofit, que transformam caminhões a diesel em elétricos ou movidos a biometano, estendendo sua vida útil e reduzindo emissões.

Parcerias que agregam

Em relação à economia circular, a PepsiCo afirma destinar para reciclagem o equivalente a 100% das embalagens de plástico flexível e longa vida que coloca no mercado brasileiro. Parcerias com cooperativas de catadores e empresas sustentam a logística reversa, enquanto iniciativas de inovação já resultaram em 70 mil expositores de varejo feitos com plástico reciclado.

Investir em parcerias, inclusive, é algo que a empresa acredita ajudar a acelerar a agenda climática. Um exemplo recente é o acordo com a Yara para o uso de fertilizantes de menor pegada de carbono no cultivo de batatas. A tecnologia, inédita no Brasil, pode reduzir em até 60% as emissões dos agricultores envolvidos, combinando fertilizantes produzidos com energia limpa, suporte técnico e incentivo financeiro. O projeto piloto começa com seis produtores no Paraná, em cerca de 120 hectares.

“Essa iniciativa promete avanços significativos em nossa jornada de sustentabilidade. A tecnologia reside na fabricação dos fertilizantes: diferentemente dos convencionais, que usam gás natural, os produtos do portfólio usam amônia de menor emissão. Os agricultores envolvidos no projeto receberão apoio para a aquisição desses fertilizantes e suporte técnico para a implementação de melhores práticas de aplicação, otimizando o uso e aumentando a produtividade e a saúde do solo”, diz Teixeira.

Projetos como esse ganharam ainda mais visibilidade internacional durante a COP 30, realizada em Belém, em 2025. “O Brasil é uma potência agroambiental e pode liderar essa transição”, afirma Jim Andrew, destacando a importância de métricas científicas, como as da Science Based Targets initiative (SBTi), para dar credibilidade às metas corporativas.

Para o executivo, o maior desafio agora é escalar essas soluções com rapidez. “A transformação do sistema alimentar exige ação coletiva, parcerias público-privadas e políticas estáveis. As empresas podem liderar, mas não conseguem fazer isso sozinhas”, finaliza Andrew.

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