ESG

Onda de calor coloca Sudeste Asiático de joelhos, à espera de um milagre

Impacto das altas temperaturas é cada vez maior na Ásia, apontou a Organização Meteorológica Mundial; "faz tanto calor que não conseguimos respirar", alerta filipino

Refresco: em lugares como Manilla, quem precisa trabalhar na rua tenta se proteger sob a sombra de árvores (afp/AFP Photo)

Refresco: em lugares como Manilla, quem precisa trabalhar na rua tenta se proteger sob a sombra de árvores (afp/AFP Photo)

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Agência de notícias

Publicado em 24 de abril de 2024 às 14h35.

A onda de calor que atinge o Sudeste Asiático levou alguns países como as Filipinas a ordenar o fechamento de escolas e algumas populações, como a de Bangladesh, a orar para invocar a chuva

Abril, no início da primavera (outono no Brasil), é um dos meses mais quentes nessa parte do mundo antes de que a temporada de monções comece, mas este ano, as temperaturas batem recordes devido ao fenômeno climático El Niño, que leva ao aquecimento de uma grande parte do Pacífico tropical.

O impacto das ondas de calor é cada vez maior na Ásia, apontou esta semana a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Nesta quarta-feira, 24, as autoridades filipinas aconselharam a população a ficar em suas casas. Além disso, cerca de 7.000 escolas suspenderam as aulas presenciais.

"Faz tanto calor que não conseguimos respirar", apontou Erlin Tumaron, de 60 anos, que trabalha em uma estação balneária do norte das Filipinas, onde a sensação térmica - que além da temperatura leva em conta a umidade e o vento - chegou aos 47°C na terça-feira, 23.

Trabalhadores exaustos

O relatório da OMM sobre o estado do clima na Ásia em 2023 alerta que os principais indicadores da mudança climática aceleraram, como a temperatura da superfície, a diminuição das geleiras e o aumento do nível do mar.

Essas mudanças terão graves consequências na sociedade, economia e ecossistema da região. Na Tailândia, as autoridades da capital pediram aos habitantes que ficassem em suas casas, devido a um índice de calor que tacharam de "extremamente perigoso". "Evitem ficar fora de casa", instou a prefeitura de Bangcoc, onde se prevê que o termômetro chegue aos 39ºC.

O pior está por vir. As temperaturas podem subir ainda mais nessa enorme e turística metrópole de 10 milhões de habitantes. Muitas pessoas que trabalham nas ruas - como os entregadores ou os vendedores de comida - tentam se manter sob a sombra e se hidratar constantemente para suportar as condições, agravadas pela contaminação atmosférica. "Às vezes, sinto que vou desmaiar, mas não há outro remédio", disse Boonsri Waenkaew, mototaxista.

Orar para que chova

Em Bangladesh, milhares de fiéis muçulmanos foram às mesquitas para orar para que chova. No campo, as escolas irão ficar fechadas até o fim do mês. "Rezar para que chova é uma tradição do nosso profeta", disse à AFP Muhammad Abu Yusuf, um ímã, após sua oração matinal ante mil fiéis no centro de Daca.

"A vida se tornou insuportável pela falta de chuva", destacou.

As temperaturas no país chegaram a mais de 42ºC na semana passada. Segundo os serviços meteorológicos, as máximas desta semana na capital foram entre 4 e 5 graus centígrados superiores à média dos últimos 30 anos no mesmo período. "Esse mês de abril foi um dos mais quentes desde a independência" em 1971, assegurou o meteorologista Tariful Newaz Kabir.

Os hospitais do distrito costeiro meridional de Patuakhali alertaram sobre surtos locais de diarreia devido ao aumento das temperaturas e a maior salinidade das fontes de água locais, disse o médico Bhupen Chandra Mondal. Para ele, "tudo isso está relacionado à mudança climática".

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