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África do Sul: uso da água da chuva dribla mudanças climáticas em vinhedos

Especialistas que atuam no país adotam uma série de novas técnicas de cultivo para blindar a produção de uvas da falta e do excesso de chuvas

Adaptação: Rosa Kruger recorre à biodiversidade para proteger vinhedos (AFP Photo)

Adaptação: Rosa Kruger recorre à biodiversidade para proteger vinhedos (AFP Photo)

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Agência de notícias

Publicado em 17 de abril de 2024 às 13h33.

Última atualização em 18 de abril de 2024 às 14h00.

Para proteger os vinhedos sul-africanos dos estragos da mudança climática, que prevê menos chuvas, porém mais violentas, os especialistas sugerem seguir as curvas da paisagem e reciclar a água da chuva.

"Antes plantávamos as vinhas em blocos quadrados", conta à AFP Rosa Kruger, de 64 anos, que trabalha na fazenda Reyneke, no coração dos vinhedos de Stellenbosch.

A assessora vitícola, conhecida mundialmente por sua contribuição para a qualidade dos terrunhos sul-africanos, mostra os drenos entre cada parte para recolher a água da chuva. Seguem os contornos do terreno e se unem a um depósito ao pé da ladeira.

"Não gosto de simplesmente aceitar as coisas. Que lutemos um pouco", brinca essa ex-advogada, que parecer ter se imposto como norma fazer sozinha aquilo de que gosta.

"Penso que todos os vinhedos são meus. Eu não possuo terras, mas em minha cabeça todos são meus", diz sobre sua liberdade para se envolver em tudo, depois de falar em afrikaner com os trabalhadores da fazenda.

Entre as áreas divididas, reservou partes para plantar arbustos fynbos, endêmicos da região e que precisam de pouca água. O objetivo é "aumentar a biodiversidade", trazendo de volta insetos e outras espécies para que as vinhas precisem de menos tratamento e o solo fique mais saudável.

Ao longo dos vinhedos, os pinheiros plantados pelos colonos europeus no passado consumiam muita água e foram arrancados.

Clima instável

O solo empobrecido desmorona sob enxurradas, em meio a longos períodos de seca exacerbados este ano pelo fenômeno El Niño. "Se alguém não acredita nas mudanças climáticas, precisa vir para a África do Sul", diz ela.

As terras da Reyneke têm condições favoráveis, com "solos graníticos, ventos predominantes, proximidade do Oceano Atlântico", diz Rudiger Gretschel, 46 anos, enólogo e gerente da propriedade. Mas "cultivamos uvas na ponta da África, onde o clima já é instável. Estamos acostumados a secas, já chove pouco e já é muito quente", insiste ele.

É por isso que os investimentos atuais para limitar os efeitos do aquecimento são feitos para ter "a propriedade perfeita, uma que será relevante em 50 ou 100 anos". Sua fazenda biodinâmica tem dezenas de vacas, cujo esterco é usado para fertilizar o solo.

As vinhas velhas, especialmente a chenin, uma variedade de uva emblemática da região do Loire, na França, permitem que o vinho continue a ser produzido enquanto o trabalho está sendo realizado. As novas videiras darão frutos em três ou quatro anos.

As previsões climáticas apontam para um aumento de até três graus até o final do século, ou até mesmo muito antes. "Não parece muito, mas está muito quente", diz Kruger. Também há a estimativa de uma redução de até 30% nas chuvas até 2050, que serão distribuídas de forma menos uniforme ao longo do ano e cairão como chuvas torrenciais, causando inundações.

A turística Cidade do Cabo, a menos de uma hora de carro de distância, já sofre com a escassez regular de água. "Quando chover menos, os moradores da cidade serão a prioridade, não os agricultores", reconhece Kruger. Mais uma razão para planejar a autossuficiência agora, sem a necessidade de irrigação. "É disso que se trata", insiste ele.

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