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MBRF lança primeiro relatório integrado após fusão e atinge 100% de rastreabilidade na cadeia

"A régua foi elevada em ESG e o próximo passo é escalar impacto", afirmou o diretor de sustentabilidade da gigante de alimentos à EXAME

A companhia expandiu o uso de fontes renováveis em suas operações e tem a meta de atingir 100% de energia renovável até 2030 (MBRF / Divulgação )

A companhia expandiu o uso de fontes renováveis em suas operações e tem a meta de atingir 100% de energia renovável até 2030 (MBRF / Divulgação )

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 7 de maio de 2026 às 06h00.

O agronegócio responde por cerca de dois terços das emissões de gases de efeito estufa do Brasil e ao mesmo tempo, é o setor que mais traz oportunidades de descarbonização.

É nesse contexto que a MBRF, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, publica seu primeiro relatório integrado e escolhe a sustentabilidade como eixo central da estratégia, não como resposta à pressão regulatória. 

Nascida da fusão entre Marfrig e BRF, a gigante global reúne presença em 117 países e tem capacidade de produção anual de 8,2 milhões de toneladas.

"ESG não é paralela, é o centro e a base como operamos, com a governança como pilar inegociável", afirma Paulo Pianez, diretor de sustentabilidade e relações institucionais da MBRF, em entrevista exclusiva à EXAME. 

O novo documento, elaborado a partir do processo de dupla materialidade, segue as diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI), do International Integrated Reporting Council e do Sustainability Accounting Standards Board (SASB). 

A espinha dorsal da atuação socioambiental é a chamada Plataforma de Sustentabilidade, um direcionador estratégico integrado aos planos de negócio, com métricas, indicadores e metas públicas.

 A estrutura está organizada em seis pilares: controle da cadeia de fornecimento de matéria-prima, mudanças climáticas, bem-estar animal, uso responsável de recursos naturais, economia circular e responsabilidade social. 

É a partir dessa ferramenta que a MBRF reporta seus avanços e os números de 2025 mostram evolução em todas as frentes. 

Um dos resultados mais expressivos é o monitoramento integral das cadeias de bovinos e grãos, diretas e indiretas.

Para a companhia, atingir 100% de rastreabilidade em uma operação de escala que atende mais de 425 mil clientes é uma conquista desafiadora e um compromisso com cadeias produtivas livres de desmatamento.

O Programa Verde+, voltado à rastreabilidade e à gestão responsável de fornecedores, segue como instrumento central dessa estratégia. 

Há também alguns avanços no âmbito do negócio. Em 2025, a aquisição de uma unidade industrial na China, a aprovação para retomada das exportações de aves para a União Europeia e o lançamento da Sadia Halal em uma região estratégica. Os movimentos ampliam a presença global da gigante de alimentos e reforçam sua contribuição para a segurança alimentar. 

Avanços em clima e energia 

Na agenda climática, a MBRF avançou com o Protocolo Carne Baixo Carbono (CBC), desenvolvido em parceria com a Embrapa e lançado na COP30 em Belém.

Segundo o diretor de sustentabilidade, a iniciativa reforça o posicionamento da marca em sistemas produtivos de baixa emissão de carbono e se torna uma das apostas centrais para os próximos anos. 

Em energia, a empresa ampliou o uso de fontes renováveis em suas operações, com meta de atingir 100% de energia elétrica renovável até 2030. 

Outra conquista foi a nota máxima no CDP,  plataforma global usada como referência por investidores, nas três dimensões avaliadas: Mudanças Climáticas, Segurança Hídrica e Florestas. 

A totalidade das unidades de abate dos animais também foram auditadas seguindo padrões internacionais de bem-estar e a companhia assumiu o compromisso global com o uso exclusivo de ovos livres de gaiolas em produtos industrializados. 

Na economia circular, 90% das embalagens já são classificadas como recicláveis após o uso. O período também marcou o lançamento de uma edição especial da Qualy Vegê com embalagem desenvolvida a partir da transformação de óleo de cozinha usado em plástico reaproveitado. 

Responsabilidade social 

No pilar social, a campanha +Juntos pelo Sul alcançou 100 mil pessoas afetadas pelas enchentes históricas no Rio Grande do Sul.

O voluntariado cresceu 41% nas ações promovidas pelo Instituto MBRF, e o Programa de Embaixadores de Diversidade expandiu 60%, reunindo mais de 300 participantes ativos.

A meta agora é impactar 1,5 milhão de pessoas com conteúdo educativo sobre redução de perdas e desperdício de alimentos. 

Régua elevada e desafio de escalar impacto 

Para o executivo, os resultados de 2025 não são ponto de chegada.

"Os avanços do relatório mostram consistência, mas também elevam a régua. O próximo passo é escalar impacto: ampliar cadeias cada vez mais rastreadas e inclusivas, acelerar a transição para sistemas produtivos de baixa emissão e contribuir para a segurança alimentar", destacou. 

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