Parceiro institucional:
(Eduardo Frazão)
Jornalista especializada em carreira, RH e negócios
Publicado em 29 de outubro de 2026 às 17h00.
Última atualização em 29 de outubro de 2026 às 17h03.
Uma pesquisa da Robert Half mostra que 77% das empresas não têm nenhuma iniciativa intencional para aumentar a diversidade geracional nos processos de recrutamento e seleção e para 38% ações específicas são desnecessárias porque acreditam não haver filtros etários na contratação.
Por outro lado, mais da metade da população entre 55 e 65 anos empreende por necessidade, segundo dados da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) realizada pelo Sebrae e pela Anegepe.
“Necessidade não é escolha”, afirmou Fran Winandy, consultora e especialista em diversidade etária e etarismo, autora do livro “Etarismo, um novo nome para um velho preconceito” em uma apresentação no Longevidade & Wellness, evento promovido pela EXAME na terça-feira, 27, em São Paulo.
A consultora ressaltou que há pessoas que ingressam na faculdade depois dos 80 anos e profissionais que, nessa idade, são convidados a assumir posições em processos de sucessão.
”Essas pessoas não são raras, são invisíveis — estão continuam trabalhando em consultórios, consultorias, saúde e produzindo conteúdo nas redes sociais.”
Além das oportunidades de emprego, é preciso considerar a qualidade dos anos a mais de vida. Para abordar essa questão, Fran apresentou o conceito de joyspan, desenvolvido pela gerontóloga Kerry Burnight, que associa a longevidade à alegria e ao propósito.
A especialista descreveu dois indivíduos da mesma idade, diante da mesma janela e da mesma paisagem. Uma vê solidão; a outra, plenitude.
A diferença, segundo ela, está nos aprendizados e nos vínculos cultivados ao longo do caminho — e também no peso dos planos adiados e das relações que deixaram de ser construídas.
No mundo corporativo, essa reflexão passa pelo sentido de continuar na ativa. “Não é uma carreira que nunca termina, mas uma carreira que não perde sentido enquanto dura”, afirmou. Na avaliação de Fran, estamos alongando a vida e encurtando a experiência.
Por isso, é importante pensar em como aproveitar as próximas décadas. Mais do que uma reinvenção, ela propõe uma adaptação: aproveitar a bagagem profissional e ajustá-la a novas condições de vida e de trabalho.
A partir das entrevistas para seu próximo livro, a especialista identificou quatro práticas entre quem segue ativo depois dos 70 anos:
A possibilidade de escolher seguir trabalhando também depende das condições financeiras construídas durante a trajetória. Uma aposentadoria, uma reserva ou outra fonte de renda pode permitir que a pessoa avalie uma proposta sem depender daquele contrato para pagar as contas.
“Autonomia é poder dizer não aos 70. Tem preço, e ele é cobrado em décadas”, afirmou Fran.
Ao encerrar, propôs à plateia quatro perguntas: o que aprender nos próximos 12 meses sem utilidade imediata? Para quem preciso ligar, que venho adiando? O que se sei que alguém precisaria ouvir de mim? O que ainda faço do mesmo jeito só por que foi assim que aprendi?