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Com eventos extremos, setor elétrico aposta em dados para evitar apagões

Parceria entre ISA Energia Brasil e Climatempo cria rede própria de monitoramento para reforçar a resiliência das linhas de transmissão em São Paulo e quer servir de modelo

A ISA ENERGIA é responsável por 95% da transmissão de energia em São Paulo e o projeto prevê monitoramento contínuo até 2030 (Ueslei Marcelino/Reuters)

A ISA ENERGIA é responsável por 95% da transmissão de energia em São Paulo e o projeto prevê monitoramento contínuo até 2030 (Ueslei Marcelino/Reuters)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 14h18.

Última atualização em 10 de fevereiro de 2026 às 14h22.

Em meio ao avanço dos eventos climáticos extremos, a adaptação climática começa a ganhar centralidade na estratégia do setor elétrico.

Em São Paulo, a ISA Energia Brasil anunciou uma parceria com a Climatempo para instalar uma rede própria de estações meteorológicas, com foco em antecipar riscos e reduzir falhas no fornecimento de energia.

A companhia é hoje responsável por 95% da transmissão de energia em São Paulo e o projeto prevê monitoramento contínuo até 2030, com foco em antecipar e mitigar os impactos de ventos fortes, incêndios florestais, tempestades e inundações sobre a infraestrutura elétrica.

Atualmente, pelo menos 30% dos desligamentos de luz registrados no Brasil já estão associados a fenômenos agravados pelas mudanças climáticas. Por outro lado, apenas 7% dos municípios contam com estações meteorológicas completas em operação, muitas com falhas recorrentes de dados.

Bruno Isolani, diretor-executivo de Operações da ISA Energia Brasil, destacou que o país conta com cerca de 700 estações operadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), número insuficiente frente à extensão territorial e a nova realidade do clima. 

A iniciativa se apoia em um diagnóstico detalhado sobre a exposição dos ativos da empresa às ameaças climáticas, concluído em 2024 junto a consultoria WayCarbon. O estudo mapeou riscos para os horizontes de 2030, 2040 e 2050, identificando os ativos mais vulneráveis.

A partir do mapeamento, está em desenvolvimento um plano de adaptação e resiliência específico. Paralelamente, a ISA Energia Brasil lidera um estudo técnico que propõe, entre outras medidas, a criação de uma metodologia para avaliar o custo-benefício de investimentos em resiliência e propor ajustes à regulação do setor.

"Somente com dados precisos e contínuos é possível fundamentar decisões que aumentem a segurança e a capacidade de adaptar o sistema", destacou Vandinaldo Vieira, engenheiro sênior de Desenvolvimento de Linhas de Transmissão da companhia.

Inteligência climática 

Serão instaladas quatro estações meteorológicas completas em torres estratégicas no interior paulista, escolhidas a partir de estudos técnicos para ampliar o conhecimento sobre eventos climáticos regionais.

Mas a infraestrutura é apenas o começo. "Não basta instalar sensores. É preciso transformar dados meteorológicos em inteligência climática aplicada", explicou Vitor Hassan, country manager e head de Energia da Climatempo. Os dados coletados serão integrados ao Centro de Monitoramento de Ativos (CMA) da ISA, permitindo alertas em tempo real e gestão preventiva.

A parceria também prevê a reconstrução da série histórica de ventos desde a década de 80 e relatórios anuais até 2030, identificando pontos críticos ao longo das linhas de transmissão.

Regulação e cooperação setorial

Para além da tecnologia, o desafio climático impõe uma agenda de cooperação. Segundo o diretor de operações, ganhar escala requer compartilhamento de dados entre agentes do setor e uma "visão sistêmica". Além disso, o executivo acredita que a regulação precisa evoluir para reconhecer os novos riscos e incentivar investimentos em adaptação climática.

A ideia é que o exemplo possa servir de inspiração para uma coalizão setorial mais ampla, capaz de fortalecer a resiliência do Sistema Interligado Nacional diante da crise climática.

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