ESG
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Artigo: a visão de 5 executivas de impacto sobre a COP26

Adriana Mello, Ana Chagas, Karen Tanaka, Laura Albuquerque e Velma Gregório apresentam cinco pontos de vista, com todos os seus vieses, sobre o evento

 (Geisa Paganini de Mio/Reprodução)

(Geisa Paganini de Mio/Reprodução)

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Da Redação

Publicado em 6 de dezembro de 2021, 17h04.

Última atualização em 6 de dezembro de 2021, 17h17.

Adriana Mello, Ana Chagas, Karen Tanaka, Laura Albuquerque e Velma Gregório

A COP é a Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. As partes são os países signatários da convenção, do Protocolo de Kyoto e do Acordo de Paris que juntos propõem, discutem e tomam decisões sobre compromissos relacionados às mudanças climáticas. A 26a. edição da COP ocorreu em novembro de 2021, em Glasgow, na Escócia.

A COP26 contou com cerca de 25 mil pessoas, de todas as nacionalidades, discutindo as mudanças climáticas e reimaginando o desenvolvimento sustentável do planeta por doze dias seguidos. Nós tivemos a oportunidade de estar presentes no evento e, quando voltamos ao Brasil, compartilhamos nossas impressões. O resultado desse encontro foi um retrato sob a perspectiva de diferentes profissionais brasileiras do clima, que atuam em áreas correlatas, e que preferem ver sempre o copo meio cheio. E que trabalham duramente para enchê-lo cada vez mais.

É muito difícil uma única pessoa ter uma visão completa de um evento com o porte de uma COP, mesmo participando dele integralmente. Por isso, consideramos essa avaliação como um retrato do evento em si: uma representação de cinco pontos de vista com todos os seus vieses, em um momento específico, e que possa talvez não prever as reais repercussões do evento que retrata, afinal é uma imensidão. Também é importante ressaltar que cada uma dessas fotógrafas já havia participado presencialmente de edições anteriores da conferência, permitindo a elas traçarem um paralelo entre as diferentes edições. Então aqui, apresentamos um pouco do que de fato acontece lá dentro quando se está no centro das conversas que, em última instância, nos levarão ao futuro.

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A primeira impressão, mais geral, é a crescente importância e relevância da atuação dos atores não-governamentais. Essa COP foi um marco de participação ativa, um grande divisor de águas, com os ativistas, os povos originários e o setor privado se posicionando, sendo mais atuantes do que em edições anteriores. As lideranças não governamentais estão cada vez mais encabeçando discussões e movimentos, e quanto mais as Partes tardam nas tomadas de decisões, mais vemos novos atores envolverem-se, observarem e influenciarem.

Percebemos que, não só atores do setor financeiro estavam presentes para incluir em seu vocabulário “o que é clima”, “quanto custa deixar os combustíveis fósseis” e “quanto vale a floresta em pé”. Lideranças do setor privado de maneira geral também estavam atentos, dando conta de que as mudanças climáticas podem afetar a perenidade dos negócios, e por isso estavam lá também pressionando os governos por ação.

A segunda impressão é a força da atuação dos governos subnacionais que se fizeram presentes política e tecnicamente. É um movimento global. Do Brasil, 13 governadores estiveram em Glasgow e 22 assinaram o Consórcio Brasil Verde, no âmbito do Fórum de Governadores pelo Clima. O consórcio prevê a criação de planos de neutralidade de carbono nos estados.

A terceira é que a regulamentação do Artigo 6 trará maior clareza e previsibilidade às abordagens de mercado regulado e voluntário em apoio à mitigação de emissões de gases de efeito estufa, bem como à adaptação às mudanças climáticas. O mercado voluntário no Brasil parece ser mais ágil. As negociações sobre a Estrutura de Transparência Aprimorada também foram concluídas, fornecendo tabelas e formatos acordados para contabilizar e relatar as metas e as emissões.

A quarta impressão foi o avanço e propagação crescente de conhecimento sobre os temas discutidos. Já houve edições com a discussão de “O Que são” mudanças climáticas, sobre “Por que” combatê-la e, agora, chegamos finalmente ao “Como”. Mesmo que a demonstração de ação tenha sido insuficiente para atingir a meta do Acordo de Paris, houve um direcionamento de maior ambição que esperamos nos levar ao futuro certo. Afinal de contas, embora tenha havido o tão esperado avanço na regulamentação do Artigo 6 do Acordo de Paris, é preciso “cumprir nossas promessas e traduzirmos os compromissos em ações rápidas”, nas palavras de Alok Sharma, presidente da COP26.

Estamos testemunhando um cenário onde a litigância climática passou a mirar não só entes públicos, mas também as empresas, e, portanto, não há tempo a perder.  Embora o dinheiro exista, ele demora a chegar à ponta devido a um descompasso entre as linguagens do mercado financeiro e dos agentes atuantes na base da mitigação: é preciso achar um vocabulário comum – criar confiança entre as partes - e precisa ser logo.

Por fim, percebemos que para processar o volume de informação de uma COP é necessário tempo, que sabemos que não temos, mas que é essencial para que lideranças tomem decisões estratégicas e partam para a ação. Precisamos aprender a acomodar nossas ansiedades em um lugar de esperança somado às ações reais. Dependemos de tempos humanos para dar sequência. São muitos agentes comunicando-se entre si. Mas, sabemos que esta é a melhor forma de encontrar alguma solução. As palavras que ficaram para cada uma após as duas horas de conversa e que nos guiam no impulso dessa caminhada são: Mudança, Colaboração, Respiro, Articulação e Transição.

Lidar com o universo ESG faz parte da sobrevivência de empresas e profissionais de sucesso no mercado. Saiba mais sobre o tema.

Adriana Mello, especialista em Mudanças Climáticas no setor Financeiro

Ana Chagas, sócia da área Ambiental e de Mudanças Climáticas do escritório Campos Mello Advogados

Karen Tanaka, gerente de sustentabilidade

Laura Albuquerque, gerente de finanças sustentáveis na WayCarbon

Velma Gregório, especialista em estratégia ESG e fundadora na ÓGUI