ESG

Ação cria capelos inclusivos para pessoas negras

Campanha da Vult e Dendezeiro criou quatro estilos diferentes de chapéus de formatura para cacheadas, crespas e pessoas com tranças e dreads; empresa produzirá mil unidades para formandos de universidades de maioria negra

Campanha recriou fotos de formatura de mulheres negras que não puderam usar o capelo por causa de seus formatos e estilos capilares (Caio Nigro/Vult/Divulgação)

Campanha recriou fotos de formatura de mulheres negras que não puderam usar o capelo por causa de seus formatos e estilos capilares (Caio Nigro/Vult/Divulgação)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 9 de abril de 2024 às 17h47.

Última atualização em 9 de abril de 2024 às 18h29.

A formatura de uma graduação, que deveria ser um momento emocionante e repleto de alegrias, pode constranger pessoas negras. O motivo é que entre as vestimentas marcantes desse dia está o capelo, chapéu que nem sempre é de uso simples para cabelos cacheados, crespos, em penteados afro ou com tranças. Dessa forma, alunos negros acabam alisando seus cabelos, colando tiaras no chapéu ou até mesmo desistindo de usar o capelo.

Uma campanha criada pela Vult, marca de beleza do Grupo Boticário, em parceria com a marca baiana Dendezeiro, lançou a campanha Respeita Meu Capelo, que buscou redesenhar os chapéus nas formaturas comumente usados para incluir diferentes tipos capilares e de finalizações.

Quatro novas versões do capelo foram lançadas: uma é pensada em cabelos com tranças e dreads e inclui um lenço para amarração das estilizações; a segunda foi feita para incluir uso de turbantes, coques ou cabelos mais volumosos a partir de uma abertura do topo do capelo; o terceiro inclui os chamados pente-garfo, instrumento feito para dar volume a cabelos cacheados, mas que aqui são usados para dar sustentação ao capelo sem danificar os penteados cacheados e crespos mais volumosos; a quarta se encaixa em mais penteados ou cabelos e possui uma estrutura para dar sustentação.

A partir da parceria, a Vult e a Dendezeiro produzirão por volta de mil unidades dos capelos para cabelos diversos para que os formandos das instituições Zumbi dos Palmares e a Universidade Federal do Sul da Bahia possam utilizar nas formaturas do segundo semestre deste ano, mas o objetivo é ampliar a ação para mais instituições ao redor do Brasil.

A campanha inclui um minidocumentário com a participação da Professora Dra. Joana Angélica, reitora da Universidade do Sul da Bahia e primeira reitora negra de uma universidade no Brasil, além de ex-estudantes que tiveram a oportunidade de recriar e comparar suas fotos de formatura e como puderam usar seus cabelos naturais com novas inclusões de capelos.

Como parte da iniciativa que busca mais inclusão para tipos de cabelo diversos, a Vult deve lançar em breve uma nova linha com mais de 50 produtos para todos os tipos de cabelo, do liso 1A ao crespo 4C — classificações que definem o grau de curvatura nos cabelos de brasileiras.

De acordo com Rony Santos, gerente sênior de ESG Diversidade no Grupo Boticário, a campanha busca fomentar o orgulho que cada brasileira carrega da sua trajetória e compreender melhor suas necessidades. “Ao acessarmos alguns relatos sobre a falta de inclusão enfrentada por parte das pessoas negras, que em sua maioria tem cabelos crespos ou volumosos, até mesmo em um dos momentos mais especiais de sua vida, como a formatura, compreendemos a dificuldade enfrentada por essas pessoas em vestir o capelo que não se adequa aos seus cabelos, e reconhecemos que era nossa responsabilidade agir”, conta.

Segundo ele, a campanha seguirá aberta após a formulação dos mil capelos iniciais ao disponibilizar o design da criação gratuitamente para que possa ser reproduzido por outras universidades. “As ações de diversidade do Grupo Boticário têm como premissa essa perspectiva de escalabilidade para ampliar a geração de impacto da inclusão”, afirma Santos.

A campanha entra no escopo de ações sociais da Vult, que já conta com o 220 Vults, projeto que forma mulheres para atuarem como maquiadoras e profissionais da beleza, de forma a garantir a independência financeira dessas mulheres.

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