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Fim dos privilégios e privatização de estatais: o plano econômico de Romeu Zema

O economista Alexis Fonteyne, da campanha de Romeu Zema, apresentou as propostas do candidato para o setor econômico do país. Fonteyne participou do evento "Agenda Brasil 2026" promovido pela EXAME e MBC

Diandra Guedes
Diandra Guedes

Colaboradora

Publicado em 29 de agosto de 2026 às 10h15.

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Corte de supersalários, privatização de estatais como os Correios e a Cemig, redução da carga tributária sobre a indústria e um Estado "no tamanho exato" foram algumas das propostas apresentadas por Alexis Fonteyne, representante da candidatura de Romeu Zema (Novo).

O economista participoução do painel "Competitividade nos planos do governo: debate com coordenadores das campanhas à Presidência da República", realizado na terça-feira, 25 de agosto, em São Paulo, no evento Agenda Brasil 2026: Competitividade em Debate, promovido pela EXAME em parceria com o Movimento Brasil Competitivo (MBC).

O painel reuniu representantes das cinco candidaturas presidenciais mais bem posicionadas nas pesquisas eleitorais para o pleito de 2026: Lula, Flávio Bolsonaro, Caiado, Zema e Renan Santos.

A conversa foi dividida em três blocos temáticos:

  • ajuste fiscal;
  • produtividade e competitividade;
  • reforma administrativa

O que disse Alexis Fonteyne?

Fonteyne colocou a taxa de juros como o principal problema econômico do país, afirmando que esta drena cerca de R$ 1 trilhão em recursos públicos apenas com o pagamento de juros, além de pressionar empresas endividadas e consumidores que não conseguem financiar bens de consumo.

De acordo com ele, os juros altos decorrem de dois fatores: uma inflação resistente, alimentada por uma política fiscal expansionista e por programas de crédito subsidiado como o Desenrola e linhas do Minha Casa, e a falta de credibilidade fiscal do governo atual, que classificou o arcabouço fiscal como uma "piada" por não prever punição em caso de descumprimento.

Para reduzir o chamado risco Brasil e a taxa de juros, defendeu corte de gastos e uma reforma administrativa "corajosa" que ataque os privilégios de cerca de 67 mil servidores públicos com supersalários, os quais, segundo ele, não deveriam ser tratados como direito adquirido.

Também criticou o que chamou de política de "dinheirinho" a partir de programas sociais como Pé-de-Meia, BPC, Bolsa Família, vale-gás e vale-celular, defendendo um projeto de país que substitua o que classificou como projetos de poder pessoal.

Fonteyne atribuiu o aumento do Custo Brasil a dois fatores estruturais: a baixa liberdade econômica e a baixa qualidade da educação, afirmando que nenhuma nação prospera sem essas duas condições.

Citou o custo do capital elevado como entrave a investimentos produtivos, argumentando que, com uma Selic entre 14% e 15%, um empresário precisaria de um retorno de 23% a 24% para viabilizar um projeto financiado no mercado.

Também apontou a paralisação de obras de infraestrutura como Ferrogrão, FIOL, FICO e Transnordestina havia dez a 15 anos, e citou o custo logístico brasileiro — próximo de 15% do PIB, ante 7% a 8% em outros países — como resultado dessa imobilidade.

Fonteyne relacionou o excesso de regulamentações e o processo de licenciamento ambiental à paralisação de investimentos, citando o caso de uma fábrica da CMPC no Rio Grande do Sul travada por consultas indefinidas a comunidades indígenas, e defendeu que o Estado brasileiro atua "contra o próprio Brasil" apesar de reunir condições naturais para ser competitivo.

No terceiro bloco, que trata da reforma administrativa, Fonteyne defendeu um "Estado no seu tamanho exato", não necessariamente mínimo, mas eficiente, com revisão de estabilidades consideradas injustificadas e adoção de critérios de meritocracia e avaliação de desempenho, preservando a estabilidade apenas para carreiras típicas de Estado.

Apontou que, embora o Brasil tenha proporcionalmente menos funcionários públicos que a média da OCDE (12% da população ocupada, ante 21%), o custo da folha é desproporcionalmente alto por conta de privilégios concentrados em poucas carreiras.

Defendeu a digitalização de serviços públicos, com a ressalva de que ela deve vir acompanhada de revisão de processos, sob risco de tornar mais eficiente um Estado que já funciona mal.

Fonteyne também defendeu maior segurança jurídica e uma reforma do Judiciário, citando o volume de ações trabalhistas no Brasil, cerca de 95% do total mundial, segundo ele, como fator de insegurança para empresas.

Sobre privatizações, criticou a paralisação da venda dos Correios no Senado, projeto do qual foi relator na Câmara, e defendeu a desestatização de outras empresas públicas como forma de reduzir a dívida e gerar credibilidade fiscal.

Encerrou reforçando a defesa de uma nova reforma previdenciária, do combate a fraudes em programas sociais, do fortalecimento da autonomia da Polícia Federal para o combate à corrupção e ao crime organizado, da formação de ministérios técnicos e da centralidade da alfabetização como pauta estratégica de país.

Alexis Fonteyne foi um dos convidados da Agenda Brasil 2026: Competitividade em Debate. (Eduardo Frazão/MBC!)

Quem é Alexis Fonteyne?

Alexis Joseph Steverlynck Fonteyne, 58 anos, nasceu em Campinas (SP), em família de origem belga.

É formado em Engenharia Mecânica e construiu carreira como empresário antes de entrar na política, tendo presidido a Associação Nacional de Pisos e Revestimentos de Alto Desempenho (Anapre) e integrado o conselho do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).

Filiado ao Partido Novo desde 2018, depois de quase duas décadas no PSDB, do qual se desligou por discordar da condução de escândalos de corrupção na legenda, Fonteyne foi eleito deputado federal por São Paulo naquele mesmo ano, entre os primeiros parlamentares eleitos pela sigla, e exerceu o mandato entre 2019 e 2023, atuando como vice-líder da bancada do Novo na Câmara.

Foi relator da privatização dos Correios na Câmara dos Deputados, projeto aprovado na Casa mas que não avançou no Senado.

Na campanha presidencial de Romeu Zema, Fonteyne atua como economista e representante da candidatura em fóruns e debates sobre a agenda econômica, defendendo a mesma pauta liberal que marcou sua atuação parlamentar: ajuste fiscal, redução de privilégios no funcionalismo público, privatizações e ampliação da liberdade econômica como condições para destravar a produtividade e a competitividade do país.

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