Selic maior tende a moderar evolução do crédito, diz BC

Elevação para 11,25% da taxa básica de juros da economia tende a moderar a evolução do crédito, segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central

Brasília - O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, disse hoje (30) que a elevação para 11,25% da Selic, taxa básica de juros da economia, tende a moderar a evolução do crédito.

“O mecanismo de transmissão da política monetária é esse. Uma elevação das taxas de juros tem impacto de moderação”, disse.

Observou, no entanto, que há outros fatores que influenciam sobre a expansão de empréstimos, como nível de atividade, de confiança e sazonalidade. “Há uma série de outras influências”, declarou Maciel.

Maciel falou sobre o tema em entrevista. Segundo o chefe do Departamento Econômico, o comportamento do crédito em setembro “seguiu a tendência do ano de crescimento moderado”.

Ele avaliou ainda que a elevação mensal de 1,3% do saldo das operações “deveu-se ao maior dinamismo do crédito direcionado”.

Diferentemente dos empréstimos com recursos livres, em que os bancos têm autonomia, o crédito direcionado tem regras definidas pelo governo.

Em setembro, as concessões nessa modalidade cresceram 2% ante agosto, contra expansão de 0,7% do crédito livre.

Tulio Maciel chamou a atenção para a continuidade do crescimento do crédito imobiliário para pessoas físicas, que acumula alta de 27,4% em doze meses.

“Está bem acima da média, [embora seja importante lembrar] que isso vem moderando. Já chegou a crescer 55%, em 2010”, afirmou.

Outro motivo para expansão do crédito direcionado foi a elevação de 2,3% na carteira para investimentos com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Segundo o BC, a alta pode ser parcialmente atribuída ao comportamento do câmbio no período.

“Parte da carteira do BNDES está vinculada à taxa de câmbio”, lembrou Tulio Maciel. Para o ano, está mantida a previsão de expansão de 12% do crédito.

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