Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 06h00.
O Comitê de Política Monetária (Copom) inicia nesta terça-feira, 27, a reunião que deve manter a taxa de juros inalterada em 15% ao ano pela quarta vez consecutiva.
Segundo economistas consultados pela EXAME, o juro deve seguir no atual patamar, mas a expectativa do mercado recai sobre o comunicado da decisão, que pode trazer sinais mais claros sobre o início do ciclo de cortes já em março.
Antes da última reunião, realizada em dezembro, analistas se dividiam sobre a possibilidade de corte em janeiro ou março.
Desde então, os dados econômicos — como desaceleração do consumo e sinais de alívio nas pressões inflacionárias — reforçaram a aposta majoritária de que o Banco Central iniciará o processo de flexibilização monetária apenas na segunda reunião do ano.
Ainda que as expectativas de inflação sigam desancoradas, as projeções de IPCA para 2026 e 2027 vêm se aproximando da meta, o que dá espaço para um ajuste no discurso do Comitê, segundo especialistas. O cenário externo, porém, continua a impor cautela.
Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o BC deve manter o tom firme, mas já sinalizar que, caso o cenário evolua como esperado, haverá espaço para cortes a partir de março. A decisão ocorre em um contexto de transição do ciclo econômico doméstico e incertezas no ambiente externo.
"O Copom deve preservar a estratégia de cautela adotada ao longo dos últimos trimestres, aguardando maior confirmação dos sinais já observados nos dados", diz Sung.
A análise destaca que, apesar da desaceleração gradual da inflação, o Banco Central deve adotar uma postura prudente, dada a resiliência dos preços de serviços e a atividade econômica ainda aquecida em alguns setores.
Sung também chama atenção para a desancoragem das expectativas: “As projeções para o IPCA seguem acima da meta, com 4,0% em 2026 e 3,8% em 2027. Mesmo com a melhora recente, ainda há um caminho de consolidação.”
Segundo ele, o Copom pode “reconhecer de forma mais explícita que existe espaço para cortes, se os dados seguirem alinhados ao cenário base”.
A perspectiva da casa é de início do ciclo com corte de 0,50 ponto percentual em março, seguido de novo corte em abril. A Selic encerraria 2026 em 12,5%, numa trajetória gradual e técnica.
Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, compartilha visão semelhante. Para ele, o Copom deve manter a Selic em 15% agora, mas já indicar que a política monetária atual tem surtido efeito, o que abre caminho para cortes futuros.
“O BC reconheceu na reunião passada que os juros elevados impactam o consumo das famílias e o mercado de trabalho. Mas, com a inflação ainda acima da meta, a recomendação é de manutenção do aperto monetário por mais tempo”, afirma Salles.
Desde dezembro, as expectativas do Focus para o IPCA de 2026 recuaram de 4,2% para 4,0%, e se mantiveram em 3,8% para 2027. O câmbio permaneceu estável em R$ 5,35 e as projeções para a Selic de longo prazo continuam em 12,25% para 2026.
Salles projeta que o corte deve vir em março, com recuo de 0,25 p.p., e depois ganhar ritmo, com redução de 0,50 p.p. em abril.
Ainda assim, ele reforça que "a ancoragem das expectativas é condição fundamental para iniciar o processo de flexibilização monetária".
A projeção do C6 é que a Selic termine 2026 em 13%, o que indicaria um ciclo mais contido, refletindo um ambiente ainda desafiador para o cumprimento pleno das metas inflacionárias.