Cálculo considera gastos essenciais, como comida, casa, saúde, escola, roupa, produtos de higiene, transporte, lazer e previdência (Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 17h04.
O novo salário mínimo de R$ 1.621 entrou em vigor nesta quinta-feira, 1, representando um aumento de R$ 103 em relação aos R$ 1.518 vigentes em 2025. O reajuste será aplicado na folha de pagamento de fevereiro.
A conta leva em consideração dois fatores: o INPC acumulado até novembro do ano anterior e a expansão do PIB de dois anos atrás, com teto de 2,5% imposto pelo arcabouço fiscal de 2023. Neste caso, entraram na equação uma inflação de 4,4% e um crescimento econômico de 2,5% — mesmo com o PIB de 2024 tendo atingido 3,4%, o limite do arcabouço prevaleceu.
Esse piso serve de referência para quase 60 milhões de brasileiros, influenciando desde contratos de trabalho até aposentadorias, seguro-desemprego e programas assistenciais como o BPC.
No entanto, enquanto o governo celebra o novo valor, o DIEESE joga um balde de água fria: para bancar as despesas básicas de uma família de quatro pessoas, o salário precisaria estar na casa dos R$ 7.067,18 — 4,4 vezes acima do patamar oficial.
Esse cálculo não é ao acaso: ele considera tudo que a Constituição define como essencial: comida, casa, saúde, escola, roupa, produtos de higiene, transporte, lazer e previdência.
O DIEESE lembra que entre 2019 e 2022, o salário mínimo apenas acompanhou a inflação, sem ganho real. Na prática, isso significou menos poder de compra, especialmente quando os preços dos alimentos dispararam — justamente o item que mais pesa no orçamento das famílias.
Mesmo com as limitações, o instituto calcula que o salário-mínimo de R$ 1.518 (valor de 2025) injetou R$ 81,5 bilhões na economia e gerou R$ 43,9 bilhões em impostos sobre consumo. O dinheiro circula e aquece o comércio, mas segue insuficiente para garantir vida digna.
Esse descompasso não é novidade. Em 2015, quando o salário subiu para R$ 788 (alta de 8,84% sobre os R$ 724 de 2014), o DIEESE já apontava o problema. Na época, o instituto reconheceu que aquele era o maior valor real desde 1983, com ganho acumulado de 76,54% desde 2002.
Em 2005, o piso era de R$ 300. Já naquele ano, o DIEESE estimava que seria preciso mais de R$ 1.500 para cobrir as necessidades de uma família — mais de cinco vezes o valor oficial.