Sede mundial da GM em Detroit, nos EUA (Jeff Kowalsky/Bloomberg)
João Pedro Caleiro
Publicado em 19 de dezembro de 2014 às 17h47.
São Paulo - O Tesouro dos Estados Unidos anunciou hoje que vendeu o equivalente a US$ 54,9 milhões em ações da Ally Financial Inc, ex-GMAC, braço financeiro da General Motors.
Os papeis saíram por US$ 23,25 cada; no total, o governo obteve US$ 19,6 bilhões, US$ 2,4 bilhões a mais do que os US$ 17,2 bilhões que injetou na instituição em 2008.
Com isso, chega ao fim o polêmico TARP (Programa de Alívio de Ativos Problemáticos, na sigla em inglês), assinado por George W. Bush em 3 de outubro daquele ano como forma de impedir o colapso do sistema financeiro global.
No total, o programa de compra de ações de bancos, seguradoras e empresas automobilísticas em situação de fragilidade custou US$ 426,4 bilhões e recuperou US$ 441,7 bilhões.
Ou seja: denunciado por seus críticos como uma transferência dos contribuintes para corporações, o programa acabou dando lucro de US$ 16 bilhões para o governo - além do óbvio ganho de ter impedido uma depressão econômica ainda maior.
É um símbolo das contradições americanas. Para começo de conversa, a própria noção de lucro é um pouco estranha para o governo dos Estados Unidos: seu custo de empréstimo é tão baixo que ele pode com grande facilidade aplicar em outras áreas para obter altos ganhos.
O lucro do TARP é reflexo de um mercado de ações que se recuperou rapidamente e atingiu seus níveis pré-crise já em 2011. O mesmo não aconteceu com o emprego e o crescimento, que só agora estão acelerando, mas ainda sem impacto sobre os salários das famílias.
O debate mais difícil é outro: como criar e implementar uma regulação financeira que permite a inovação financeira ao mesmo tempo em que incentiva uma atuação responsável das instituições e impede que elas se tornem "grande demais para quebrar".
Em outras palavras, evitar que resgates sejam necessários no futuro - sejam eles lucrativos ou não.