Economia

Preço da gasolina na bomba deve cair 1,54% com redução da Petrobras

Essa é a primeira queda do preço da gasolina em 2026. O último reajuste ocorreu em outubro de 2025

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 06h00.

A Petrobras reduz nesta terça-feira, 27, o preço de venda da gasolina A para as distribuidoras em 5,2%. O valor passará de R$ 2,71 para R$ 2,57 por litro, uma redução de R$ 0,14.

A mudança deve impactar os preços na bomba com uma queda média de 1,54%, cerca de R$ 0,09, segundo cálculos da Warren Investimentos.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio de revenda da gasolina comum na semana do dia 18 até 24 de janeiro foi de R$ 6,33.

Com essa redução, a gasolina pode cair para R$ 6,24.

Essa é a primeira queda do preço da gasolina em 2026. O último reajuste ocorreu em outubro de 2025, quando o combustível teve uma redução de R$ 0,14.

Segundo a Petrobras, o valor cobrado pela estatal representa cerca de um terço do preço final pago pelos consumidores nos postos.

A mudança nos preços para as distribuidoras não é automática para os postos de gasolina. O preço da gasolina nas bombas incorpora ainda custos e margens de distribuidoras e revendedores, o custo do etanol anidro — que é misturado à gasolina A para formar a gasolina C —, além dos impostos federais (Cide, PIS/Pasep e Cofins) e do ICMS, imposto estadual cuja alíquota varia conforme cada unidade da federação.

Por isso, a redução para as distribuidoras é maior do que ocorrerá nos postos de gasolina.

Segundo a Warren Investimentos, a redução anunciada deve ter impacto total de -8 pontos-base no IPCA, o índice oficial de inflação.

A gestora afirma que não esperava o movimento da estatal neste momento e ajustou sua projeção para a inflação do ano, de 4,50% para 4,40%.

“Vamos incorporar no IPCA-15 de fevereiro variação de -0,90%, no IPCA cheio -1,21% e -0,56% no IPCA-15 de março”, informa em nota.

Redução deve conter demanda por gasolina importada

Para Gabrielle Moreira, responsável por precificação de combustíveis da consultoria Argus, o anúncio da Petrobras segue uma expectativa já precificada por parte dos agentes do mercado.

“A redução no preço da gasolina comercializada pela Petrobras era amplamente esperada por agentes do setor de combustíveis, que apostavam em uma alteração de preço nos primeiros dias de 2026”, afirma.

Segundo a especialista, os fundamentos econômicos e a elevação do ICMS sobre o combustível justificam o movimento da estatal, que também deve conter o interesse por gasolina importada.

A mudança ocorre antes do início da safra de cana-de-açúcar, em abril, período que tende a elevar a oferta de etanol.

“A expectativa é de que esse ciclo seja mais alcooleiro, o que tende a deixar os preços do etanol mais competitivos no mercado doméstico”, diz. Nesse contexto, o reajuste ajuda a manter a competitividade da gasolina no mercado de combustíveis, diz Moreira.

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